falar de experiências passadas no interior dos autocarros da carris, ou a caminho de um, e até mesmo nas paragens dos mesmos! Tudo o que o cidadão utente tem para dizer, aqui, neste blogue.
Agradeço a TODOS que têm vindo a este blogue e deixado a vossa contribuição.
São vários os dias em que me apetece cá vir fazer uma postagem, e outra, e outra, porque os assuntos nunca terminam. Adio, adio e depois deixo passar. Mas sei que voltarei a publicar com alguma assiduidade. Primeiro, porque tenho noção que acaba por ser um bem para todos. Depois, porque há muita coisa que quero dizer.
Como por exemplo, é tão frequente o tempo de espera numa paragem ser elevado, que se fizer o percurso a pé (já me aconteceu muitas vezes) chego primeiro que o autocarro. Ora, se demoro 20 minutos, gostaria que o autocarro não demorasse 25 ou mais para aparecer!
Outra situação recorrente é andar com o passe diário e validar à entrada só para descer e fazer o transbordo na paragem seguinte. Fica-se à espera 20 minutos pelo próximo autocarro e é aí que se começa a sentir o stress porque, com o atraso enorme de transbordo, o título validado está cada vez mais próximo de expirar. E ainda falta o trajecto quase todo para ser feito.
Não tão poucas vezes quanto isso, tenho apanhado placares que indicam que as viaturas estão a 76 minutos (sim, SETENTA E SEIS!!!) de distância. Outra ocasião foi ainda mais, passou dos 80! Saquei da máquina fotográfica para registar a impressionante informação mas como sempre, os placares são anti-foto :(
os eletricos... Quase que para certos percursos, andar a pé vai dar ao mesmo que usar o eléctrico. Este passa mais tempo parado e a tentar andar do que em circulação. Enquanto isso, os solavancos, o pára-arranca são uma autêntica tortura para qualquer passageiro de pé, e até mesmo para os que vão sentados. E quando o sol está forte, nada protege o passageiro do calor, do desconforto. A demora e o calor o faz sentir que está a cozer em lume brando! As portas, dos eletricos, é comum não fecharem. Até já aprendi um truque para ajudar o maquinista (?) para que este possa arrancar o quanto antes. Caso contrário, fica-se ali a ver a porta a bater, bater, abrir e bater sem fechar e a torrar ao sol.
Continuam - os eléctricos modernos, a não ter activa a indicação luminosa e auditiva de próxima paragem. E o cómico que foi quando finalmente entrei num com a indicação visual e sonora, mas a bota não batia com a perdigota: ao passar por um sítio, a voz indicava quatro sítios atrás.
"Um estrangeiro engana-se logo ao ouvir isto!" - disse um passageiro, e com muita razão.
Pelo menos os elétricos da carris, desses «novos», servem como comédia. As pessoas preferem rir do disparate que é estar a parar em "Santos" e a voz indicar "Praça do Comércio". De vez em quando riem também quando viajam apertadas que nem sardinhas. E tentam ter humor quando ficam demasiado tempo parados num sítio, ou quando têm de trocar de lugar porque pinga água no assento (provavelmente do inexistente ar condicionado - ou ar pingado). Fazem por ignorar a barulheira eletrónica e será que riem quando têm de fazer o percurso a pé porque o elétrico por algum motivo deixou de andar?
Quando um elétrico pára, os outros não podem ultrapassar... E tudo fica perdido. (foto tirada daqui)
Tanta coisa acontece, sempre uma repetição de outras e outras.
Para primeiro mundo, falta-nos tanto que parece que se deseja o inatingível.
Isto até o inatingível surgir palpável, numa visita a uns poucos países europeus onde o serviço de transportes colectivos fazem um português chorar de alegria e de tristeza ao mesmo tempo!
Saí do segundo veículo de transporte para apanhar o terceiro e, finalmente, último. Depois de atravessar a estrada para chegar à paragem do dito (nunca que entre o primeiro e o segundo ou entre o segundo e o terceiro que as paragens são as mesmas, há sempre muito a andar a pé) a primeira coisa que faço é olhar para o painel dos veículos e ver quantos minutos faltam até chegar o único autocarro que me serve para chegar ao destino.
Faltavam 19 minutos!!!
E dos autocarros que aquela paragem servia, nem era o que demorava mais. Havia um para o qual a espera estava nos 36 minutos, mais de meia-hora!
Fazia horas que tinha visto um painel de veículos a apontar desde 88 minutos aos 45, pelo que a surpresa dos 19 minutos para o derradeiro e mais importante só não foi maior por já ter visto desgraça superior. Tirei até uma foto para registar o inusitado, mas parece que a carris se protege até disso, ao fazer aqueles painéis luminosos «à prova de foto», já que os dígitos não aparecem na imagem. Só uma vez tive sucesso - logo à primeira - e desde então tenho feito muitas tentativas de fotografar os absurdos tempos de espera nos painéis de autocarros, mas sem conseguir registar os dígitos luminosos.
Chega outra pessoa à paragem, também ela tinha atravessado a estrada vinda de outro transporte e ao ver os minutos registados no painel, desabafa em voz alta: -"Ai meu Deus! 19 minutos até chegar o autocarro!"
E eu, o que faço?
Estou a 15 minutos de chegar A PÉ ao meu destino. Mas o pior é o percurso: contra o sol e sempre numa subida íngreme. Apesar de serem quase 15h da tarde o almoço ainda não forrava o meu estômago - nem poderia, fazia sensivelmente uma hora e meia que deslocava-me nos transportes. A menos que a Carris intenda que se faça merendas dentro dos veículos, é impossível uma pessoa sentir-se energética e com vontade tanto para fazer caminhadas íngremes ao sol, quanto para esperar tanto tempo por mais um transporte. Faltavam-me energias. Mas também faltava-me paciência e capacidade para esperar mais tempo. Ainda por mais numa paragem também ela banhada pelo sol. Isso é pura tortura. O corpo estava exausto e o estômago vazio. Mas tinha de tomar uma decisão: aguardar ao sol 19 ou mais minutos ou subir a pé?
Decidi subir a pé. Um pouco a colectar o que me restava das energias e lá fui, como habitualmente, a subir contra o sol, com aquela dorzinha nas costas, com a certeza de que estou a andar menos na vertical do que imagino na minha mente, a contribuir para a degradação da saúde, pois o corpo já não é tão jovem, Logo no primeiro passo não consigo evitar de pensar o desperdício que foi ter pago a viagem. "Pago bilhete para andar a pé!".
É isto que acabo sempre por concluir: paga-se bilhete para andar a pé.
Com esperas de 19 ou 88 minutos entre veículos, claro!
Um contacto de primeiro mundo:
Dias antes tinha recebido notícias de uma pessoa que foi para fora do país. Conta-me, com total surpresa e admiração, como funcionam os transportes públicos naquela cidade. É que não me fala de mais nada: monumentos, comércio, paisagens, nada disso lhe falou mais alto do que o sistema de transportes públicos. Para esta pessoa que cá também anda nos autocarros da Carris, o mais surpreendente e admirável que encontrou fora foi os transportes públicos.
E repete-se em exclamações ao dizer que ali compra-se o passe e não é preciso mostrar o cartão cada vez que se entra e sai dos transportes mas igualmente surpreendente é que este passe é válido em todos os transportes. Todos mesmo.
E contou-me ela: «quando eu digo todos, é mesmo todos: barco, autocarro, metro, comboio... todos!». «E existe um painel - não como esses daí, que são pequenos, mas um enorme, com os horários dos próximos transportes, e é sempre um minuto, dois minutos... olha, estão sempre a chegar. É muito diferente, não imaginas! Não se tem de mostrar o passe, paga-se o passe e estás à vontade para entrar e sair onde quiseres, quantas vezes quiseres e em todo o tipo de transporte».
Enquanto em Londres e outras cidades capitais da Europa qualquer utente espera 1 minuto pela carruagem do metro, aqui espera-se entre 5 a 25. Autocarros da Carris então, e de brandar aos céus de tanto stress que provocam! Deve ser o único local do mundo onde a meio do percurso o autocarro para para trocar de motorista. As longas esperas, o pagar bilhete para entrar e sair constantemente dos veículos, sempre a ter de validar o título de transporte nas falíveis máquinas, o que faz empatar a circulação e aumenta exponencialmente as probabilidades de uma pessoa ser vítima de carteiristas.
Uma pessoa já sabe, por instinto, que em Portugal, ou melhor: na capital de Portugal, os transportes são de segundo mundo. Mas escutar uma coisa destas na primeira pessoa é como levar com uma chapada de luva branca da realidade: estamos mesmo a viver num país com transportes públicos do segundo mundo! E os há melhores em tantas zonas da Europa! Era só se esforçarem mais...
Cada vez me convenço mais (ou melhor, me convencem)
que a Carris devia PAGAR a certos utentes para utilizarem os seus transportes.
De onde vem essa convicção?
De cada vez que entram em greve.
De cada vez que fico uns 20 minutos a aguardar numa paragem a próxima viatura.
De cada vez que preciso apanhar uns 4 autocarros para circular em Lisboa.
De cada vez que preciso esperar mais de 10 minutos por cada TRANSIÇÃO de autocarro para fazer um só percurso.
De cada vez que estou quase a chegar à paragem após subir a rua esforçadamente e o autocarro passa nesse instante.
De cada vez (e elas são muitas) que vejo pessoas a usar os transportes sem sequer APRESENTAR título válido.
E nisto tudo eu me interrogo, muitas vezes, como noutro dia, de noite, quando tive 20 minutos à espera de um terceiro autocarro, que ainda levou 10 minutos a fazer o percurso e chegou 1 minuto atrasado:
METADE DO QUE PAGUEI PELO PASSE MENSAL DEVIA SER REEMBOLSADO!
Próxima greve da Carris:
Dia 10 de Abril - sexta-feira, pois claro. Vai complementar a greve do metro. Ou seja, não haverão transportes nessa sexta. E o povo paga para quê?
Quero antes dizer: e o povo PARVO que ainda paga? Sim, porque uma boa parte já deixou de o fazer. Parvo é aquele que é certinho e depois sai prejudicado!
O post mais popular deste blogue é o que relata a MULTA.
Volta e meia chega à caixa de correio várias perguntas sobre o que fazer para não se pagar uma multa. Ou o que fazer quando se deu os dados incorrectos ao receber uma multa. Conclusão: a MULTA É uma prática constante nos serviços da Carris.
Gostaria que as muitas pessoas a quem tentei esclarecer voltassem aqui para deixar um comentário a EXPLICAR como resolveram a situação. Não tenho muitas dúvidas que quase todas, certamente, se viram OBRIGADAS, forçadas, tal como eu, ao pagamento. Visto que o contrário seria um ingrata odisseia.
Mas ainda assim aproveito para DESABAFAR novamente as INJUSTIÇAS deste sistema.
Chegou aos meus ouvidos mais um caso de MULTA. Mas desta vez a uma pessoa que conheço muito bem. Uma pessoa que toda a sua vida andou de autocarro. TODA. O tipo de pessoa que estava sempre a enaltecer este meio de transporte, a quem se oferecia boleia mas que sempre recusava, mesmo num chuvoso inverno, argumentando que de autocarro chegaria ao seu destino num instante.
Uma pessoa que durante uma conversa depressa retirava da carteira o seu passe mensal para explicar que comprava a senha L1, que era mais cara, mas com ela conseguia viajar para qualquer zona descansadamente, até para os limites da cidade e não estaria a infringir nenhuma norma, como via outros fazerem, outros que só tinham a senha L, e não a L1.
Esta pessoa foi recentemente MULTADA por não usar título de transporte válido.
É caso para se dizer: Obliteradores voltem! Estão perdoados!!
Voltem «picas».
Isto de fazer com que o próprio passageiro seja o obliterador e pica do seu próprio título de transporte parece um sonho tornado realidade para um sovina e ardiloso «Tio Patinhas». O «pato» conhece a natureza da maioria das pessoas que tentam ser mais espertinhas e fazer uma traquinagem de moçoilos e conta com elas para ficar ainda mais rico. Os cofres da Carris engordarem de tanta multa!
Mas nem todas as pessoas são más. Nem todas que não validam correctamente o título de transporte o fazem INTENCIONALMENTE. E mesmo que haja uma que naquele instante o faça, não quer dizer que o repita. Pode tê-lo feito num momento de frustração e tomado uma decisão irreflectida de traquinice. Não quer dizer que a seguir repita a façanha.
ESSES, os que não só repetem a façanha como fazem dela o seu estilo de vida, os que simplesmente USAM o serviço sem sequer terem um título de transporte para validar (quanto mais fingir validar) ESSES é que os fiscais deixam ir. Devia ser o contrário, não vos parece? Esses é que deviam ser afastados dessa prática e ser conduzidos à justiça dos tribunais. Mas não é o que acontece. Não é o que vejo acontecer. Esses aparentemente não têm dinheiro algum, logo, não podem pagar multas, pelo que é melhor não perder tempo com esses e deixá-los ir!
(revolta)
No caso da pessoa que relato, aqui está um exemplo perfeito de alguém que TODA A SUA VIDA deu dinheiro à Carris. Sem falhas. Alguém que comprava a senha MAIS CARA só em caso de estar legal caso numa viagem fosse sair fora da zona habitual. Alguém que durante anos, décadas, cumpriu sempre a sua obrigação e dever. PAGOU sempre pelo serviço público que usufruiu.
E agora, PELA PRIMEIRA VEZ, não passou adequadamente o passe, não validou, foi de imediato condenado a pagar MULTA!!!
Mas será que não existe uma alma com um coração para perceber o que está tãaaaaaaaão errado?!?!
Já aqui o disse e volto a repetir: tenho perfeita consciência que existe muita, mas muita gente a tentar viajar de borla nos transportes públicos da Carris. Já o escutei, inclusive, numa conversa entre dois miúdos a quem os pais davam dinheiro para comprarem o passe, os detalhes de como entravam sem pagar. Isto contado ao mesmo tempo que uma pessoa no autocarro tinha sido apanhada sem título de transporte (mesmo sem, NADA, nicles, nadita) e estava com os fiscais na frente da viatura, junto do motorista, a conversar sobre o assunto. Quatro paragens depois o indivíduo sai (era a sua paragem) e NENHUM documento foi solicitado, retirado, apresentado nem qualquer multa foi passada. Os fiscais seguiram no autocarro, sem passar multa, o passageiro saiu na paragem pretendida. Uma pessoa que fazia isto por sistema! Que nem título tinha!!
(revolta)
Tudo isto leva-me a concluir - penso eu que é bastante óbvio até - que o interesse da Carris está em MULTAR AS PESSOAS COM APARÊNCIA DE TEREM DINHEIRO NA CARTEIRA. Não lhes interessa, na realidade, o «combate à fraude». Tretas! Esse rapaz sem título de transporte ou o grupo deles que estavam no autocarro que os fiscais SE RECUSARAM a fiscalizar aquando me multaram, tudo situações por mim observadas que muito legitimamente conduzem a esta obvia conclusão. DINHEIRO. DINHEIRO, DINHEIRO. Não importa como o extorquir.
Volto a manifestar-me contra esta postura agressiva e perseguidora. Sou contra a multa aplicada sem dó nem piedade a uma pessoa SEM ANTECEDENTES de quaisquer infracções. A pessoas que durante DÉCADAS usaram a carris enchendo-lhes os bolsos. Não sendo infractores. ESSAS pessoas agora são multadas sem HIPÓTESE de perdão! Sem quaisquer recursos e apelos. É de uma injustiça! Por mais tempo que passe isto me indigna. Causa repulsa.
Obrigado Carris. Por vossa causa e devido à vossa ganância e deprimência NUNCA andei tanto a pé quanto agora. Graças às vossas decrepitas carreiras, às vossas alucinadas tarifas e tanto mais. No meu entender, são vocês que não são dignos de me terem como passageiro. Não são dignos do meu árduo e suado dinheiro.
O valor actualmente cobrado por um PASSE MENSAL é um absurdo. Um roubo. O que aconteceu? Duplicaram o anterior valor e a meu ver forçaram cada pessoa a comprar um serviço duplo de carris-metro. Quantas e quantas pessoas já não se queixaram que não querem pagar uma fortuna para ter carris-metro se só usam carris? Ou metro? E não OS DOIS?? E por isso não acham justo pagar a tarifa exigida? Mas não têm remédio... Não têm hipótese. Mais uma vez. Mais uma vez!
Por tudo isso repito: DINHEIRO. DINHEIRO, DINHEIRO. Não importa como o extorquir.
Se me perguntarem qual é o meu transporte favorito para andar na cidade eu tenho de dizer que é este:
O ELÉCTRICO!! Mas tem de ser DESTES, dos antigos.
Só trazem vantagens. São rápidos. Muito rápidos. Dá gosto vê-los a arrancar depois de estarem parados. Já vão a velocidade. E adoro o som da campainha. São confortáveis. Mesmo em pé, a sensação é boa. São espaçosos. Nunca vi nenhum transporte como este. Pequeno por fora, espaçoso por dentro. Faz lembrar os Mini do Júlio Isidro. Não trasandam como os outros. Não são desagradavelmente ruidosos como os outros. Não são uma estufa abafada e quente. A temperatura é sempre agradável, seja em que altura do ano for, no frio ou no quente. Estes não vêm equipados com ar condicionado e nem precisam! Tem janelas. Janelas que se abrem! É delicioso, proporcionam quando abertas uma viagem que enche muito mais os sentidos e se torna muito mais tranquila e serena. Cada janela tem uma lona, que serve para ser baixada quando o sol está a incomodar. Os eléctricos compridos não têm nada disto. Têm um aspecto decadente. Velho. E os eléctricos velhos podem ser velhos, mas jamais perderam a juventude. Já os compridos, só pareciam ser novos durante as primeiras semanas de uso. Jamais se podem sequer comparar à prazerosa viagem que os antigos proporcionam, Nunca! É até ofensivo. Deviam remeter-se para a sua insignificância e referenciar o «mestre», o exemplo da perfeição: o eléctrico antigo!
Acho que lá no passado as pessoas que mal tinham carros e precisavam de se deslocar souberam bem o que faziam ao apostar no eléctrico. Andam agora a fazer automóveis movidos a electricidade, quando os velhitos amarelos ainda cá estão, a lembrar, afinal, de que fibra são feitos! A indicar o caminho. Todos estes anos, debaixo do nariz de todos, a mostrar que não morreram, porque são bons!
Já fazia muito tempo que não viajava de eléctrico. Hoje entrei num dos compridos e não foi com surpresa que percebi o quanto cheirava mal. Também existiu durante toda a viagem um barulho de buzina, uma coisa que arranhava no ouvido e que não havia forma de se calar. Ás tantas pára numa paragem, os passageiros saem, outros entram, mas não há meio de retornar a marcha. É então que percebo que está com dificuldades em que uma das portas electricas se fechem automaticamente. Quando dei conta já o motorista estava a tentar, com uns safanões e puxões, por aquilo a funcionar. Um passageiro ajudou. Mas qual quê. Nada. Uma estrangeira turista cuja língua não soube identificar disse uma só palavra: "avaria". Durante toda a viagem não entendi nada do que dizia com as outras, mas esta palavra dispensou tradução. O motorista segurando uma espécie de caixa na mão falou que tinha de a "travar". E depois disto, as portas, pelo menos por aquele período, voltaram a funcionar. Isto do "travar" (será uma espécie de reset? Desligar e ligar de novo?) fez-me recordar que uma das portas do electrico estava fechada por fora, obrigando os passageiros a se deslocarem a outras mais próximas. E recordei que existe sempre umas tantas que não estão a funcionar. Já andei num eléctrico comprido que tinha as três portas centrais travadas! Aquele sinal luminoso vermelho que devia indicar a paragem seguinte, também estava desligado. E não existia a VOZ a comunicar a próxima paragem. Tanta «merdinha» com estas coisas para não funcionarem. Ao menos que tivesse UMA vantagem sobre os eletricos antigos, mas qual quê! Nunca nada funciona... são uma lata velha de plástico PVC e metal que por ali anda, com aparelhos electricos como portas, visores e ar condicionados que NUNCA estão a funcionar e sempre estão AVARIADOS. As estrangeiras levantaram-se do assente para ir espreitar o mapa em cima da porta e diziam os nomes dos sítios. Queriam saber ONDE estavam. Mas aqui em Lisboa uma coisa sempre faltou à maioria das paragens: O NOME. E assim, as estrangeiras fizeram o percurso irrequietas, com medo de falharem a paragem onde queriam sair e sem ter a mínima ideia de quantas faltavam ainda para lá chegar. Cada vez que o electrico parava, elas olhavam para a paragem, mas aquele friso amarelo que devia conter o nome do local, só é amarelo. Mais nada.
Também eu precisava dessa indicação. Qualquer um precisa. É um sinal de comunicação IMPRESCINDÍVEL. E se for para confiar na voz electrónica de bordo, é para esquecer. Ou não funcionam como era o caso, ou está dessincronizada e vai anunciado a paragem errada... Isto tudo aliado ao mau cheiro, ao ruído de buzina constante, ao abafado e ao calor intenso do sol... Por favor! Chamar estas coisas de electricos, quando o "pai" destas criaturas anda ali sempre para as curvas todo gaiteiro e elegante, é uma ofensa, não? São antes umas latas que andam sobre os carris rasteirinhas ao chão, que é para facilitar o trabalho aos CARTEIRISTAS...
E por falar nisso... Presenciei um furto de uma carteira. Apontei o ladrão às vítimas, que se deram conta do encontrão e pularam para fora do electrico atrás dos dois infractores. Dois homens velhos, má aparência, um de casaco castanho outro de casaco preto. Sairam tão depressa quanto entraram mas calhei captar a cena de um a esconder os cartões com as mãos junto à barriga e a fazer sinal para o outro. Apanhados, ainda se fizeram passar por beneméritos, dizendo que a carteira "estava no chão". Mas fugiram com ela! E já ia longe, não fosse eu ter apontado o que vi. O jovem casal que foi vítima do furto, manteve-se tranquilo chamasse e talvez tivessem chamado a polícia para reaver a carteira e os pertences, não fosse eu ter apontado um «senhor a sair com uns cartões e passes na mão". Nem sei se os gatunos tiveram tempo de surrupiar dinheiro, foi tudo muito rápido e as vítimas após reaverem a carteira, partiram de seguida noutro transporte, sem grandes trocas de palavras.
Os larápios ao constatarem uma nova multidão a formar-se numa outra paragem, voltaram a colocar o "uniforme" que era os casacos que haviam despido e a se juntar à multidão. Nenhum olhar reprovatório meu lhes fez espécie. Mas quando vi uma jovem mãe e filha muito apressadas a porem-se a jeito, avisei-a que andavam a assaltar por ali. Fui... específica. A senhora afastou-se, mais a criança, assim que ouviu um dos homens a dirigir-se a mim de forma ordinária. Ripostei com tranquilidade mas sem confronto de maior. Porém, talvez devesse ter começado a fazer ali uma peixeirada, a gritar muito alto "apanha que é ladrão", a apontar para aqueles dois salafrários, que é para a multidão que vai e vem saber que ali estavam em perigo. Para ver se os dois se mancavam e davam o dia por encerrado...
Pensei em comunicar à polícia, após chegar a casa. Mas ao mesmo tempo, muita coisa me ocorreu. Pensei que seria ingenuidade minha a polícia não saber, naquele sítio turístico e apinhado de gente a ir e vir, que existem furtos. A esquadra mesmo ali ao lado, assim como a guarda do presidente da república, e os assaltos ali à porta de "casa", digamos assim. Não só deviam saber, como deviam os levar e depois os soltar... É preciso apresentar queixa e hoje em dias as pessoas nem sempre se dão ao trabalho de passar por esse processo que envolve tribunais e testemunhas. E pensei também no quanto devo ser feita mesmo de outra fibra, tal como os velhinhos eléctricos. Nem parece que sou cria da cidade, mas sou. Os próprios assaltados permaneceram muito tranquilos e simplesmente foram recuperar a carteira, deixando os gatunos prontos para a próxima. Se calhar o ficar calada e fingir que nada vi era o certo. O certo para uma cidade destas. Mas eu não só apontei na direcção do gatuno, como acabei por dizer na cara dos dois que andavam a assaltar. Assim, na lata. Podia arriscar-me com isto... Mas na altura não me ocorreu. Tenho um senso do que é correto e do que não é que parece que pertence ao passado, a uma geração do passado, que se guiava com mais proximidade dos valores morais, devido ao papel presente da religião, que levava as pessoas às missas de Domingo e assim, de certa forma, as mantinha mais conscientes do bem e do mal. Eu nem fiz catequese! Não fui «exposta» a esses ensinamentos, a esses ambientes. Sou da cidade e depressa percebi que existe malícia, mentira, perigo, malandragem e fingimento. E apesar de tudo isto, ao invés de ficar caladinha... falei.
Deve ser por isso que gosto dos velhinhos eléctricos! Tal como eu, são feitos com fibra de qualidade... :)
O post intitulado "A MULTA" é o mais popular deste blogue.
O mais consultado, o mais procurado.
Pois é exatamente sobre este tema que vim falar.
CONTINUO REVOLTADA!
É o que acontece quando somos alvos de uma injustiça. E quando confrontados com a situação novamente, vezes sem conta, com outros protagonistas, e ter de assistir a um desfecho diferente, revolta MUITO mais.
Ontem entraram fiscais no autocarro onde viajava. Até achei bem pois cada vez vejo mais penetras a entrar sem pagar bilhete e com uma atitude à descarada. Os motoristas nada dizem e a imunidade continua. Os fiscais dirigiram-se ao rapaz que entrou no autocarro antes de mim. Este tinha colocado a carteira na máquina e apitado vermelho. Não tinha bilhete. Foi comprar junto ao motorista. Atrás de mim o revisor pede o bilhete a outro rapaz. Resposta deste: -"Não tenho. Não comprei, não tenho dinheiro (mas anda de autocarro)". Os fiscais chamam-no até à frente do autocarro e vejo-os a falar. Em nenhum momento vejo papéis a serem trocados nem cartões de identificação a serem solicitados. O rapaz é deixado sair, na paragem QUE PRETENDIA SAIR, sem ser multado.
INJUSTIÇA!!!
Afinal, somos todos iguais ou não? É igual para todos? NÃO ME PARECE!!
O rapaz tinha todo o ar de fazer aquilo por sistema. Só a forma como respondeu já não deixa muitas margens para dúvidas. Se não se tem dinheiro, não se viaja de autocarro. Simples. Anda-se a pé. Ou então pedia emprestado uns poucos cêntimos para aquela viagem. Mas não... ele queria era viajar sem pagar. Porque duvido que nos outros dias tivesse bilhete. Aliás, duvido que não se fosse enfiar noutro autocarro para viajar de borla. FIQUEI REVOLTADA. Já vi muita coisa. Vejo muitos penetras a entrar à descarada. Mas desde que me passaram uma multa nas circunstâncias que descrevi, sem perdão, sem consideração, esperava presenciar o mesmo rigor quando outras pessoas são apanhadas sem título de transporte. Que foi o caso. Nem título de transporte os rapazes tinham! Mas não. Tenho visto os fiscais a deixarem os infractores seguir caminho. Estes só voltam a repetir a cena. É que nem lhes pediram a identificação!! QUAIS SÃO OS CRITÉRIOS, volto a perguntar? QUAIS são os CRITÉRIOS?
É que a julgar por aquilo que assisto, os critérios é deixar ir sem multa todos aqueles que sistematicamente utilizam os serviços de borla e ser implacável com aqueles que pagam, desde que sejam velhos ou mulheres. É isso??
Já perdi a conta aos RAPAZES que deixam ir à sua vida sem passarem multa. No próprio dia em que me multaram tinham um autocarro cheio deles e os fiscais RECUSARAM-SE a entrar para fiscalizar!
E agora, nem documentos pedem?
Já vi uma fiscal maltratar um casal de idosos só porque estes fizeram uma pergunta qualquer. Eles tinham passe, mostraram-no. Está certo que idosos também são trapaceiros, mas a resposta azeda da fiscal foi totalmente desnecessária, provocatória e descontextualizada.
A mim, uma rapariga saída do trabalho, exausta, cansada, com o raciocínio deturpado pela exaustão, passaram logo multa. Sem perdão.
QUAIS OS CRITÉRIOS??
É que toda a minha vida tenho sido uma pessoa de princípios e que não tem qualquer intenção de viajar clandestinamente. Mas tudo isto deixa-me a perguntar se vale a pena. Tenho o meu nome «sujo» num registo qualquer. É injusto. E quando vejo outras pessoas apanhadas na mesma situação de viajarem sem título de transporte válido, ou, neste caso, SEM SEQUER UM TÍTULO DE TRANSPORTE, elas são perdoadas??
QUAIS SÃO OS CRITÉRIOS??
TENHO MESMO DE PERGUNTAR!
Está a fazer-me confusão.
Será a aparência das pessoas?
Quanto mais «chunga» melhor?
Será que os bem vestidos não são perdoados?
Mas os rapazes adolescentes são?
Serão mulheres o alvo preferencial?
E os idosos?
QUAIS OS CRITÉRIOS??
É que NÃO ENTENDO.
Impunidade para muitos.
Implacáveis com outros.
EU TENHO POR HÁBITO PAGAR BILHETE!!!
Porque paguei eu uma multa se a quem não tem esse hábito até fecham os olhos?
Com estes tristes exemplos pondero virar «bandida».
Já que me cobram 2X por uma viagem...
é como se EU tivesse pago pelo bilhete daquele rapaz.
Fazia já um bom tempo que não precisava de usar um autocarro para me deslocar para fora da área local. Mas quando precisei, lá fui para a paragem habitual. Chegando lá, não encontro o nº do autocarro nem na placa que os identifica, nem em lado algum. Não podia acreditar! O ÚNICO que nos havia sobrado aqui na zona que ainda fazia um trajecto com alguma decência, ELIMINADO!!
Agora, para ir de A a C, que fica mesmo ao lado, seria preciso descer em B e fazer o restante percurso a pé... Esta carreira também era a única DIRETA. Ia de A para C e D sem precisar de transbordo. Era a ÚNICA, que ainda tinha alguma serventia, embora quando foi alterada tivesse causado enormes inconvenientes para chegar a outros locais, por dar mais voltinhas, mas ainda assim restavam alguns destinos diretos...
A semana passada foi a mesma coisa. Lá fui eu, convencidíssima que podia chegar ao Cais do Sodré apanhando o 745... «cadê» a carreira? ELIMINADA!!! E eu que quase contei com ela numa destas noites para chegar ao Prior Velho... Estaria perdida se me tivesse deslocado até à paragem mais próxima e esperado.
MAIS UMA CARREIRA útil, ELIMINADA.
Resultado: vou deixar de frequentar uma determinada zona de comércio, por ver a minha deslocação muito dificultada. E com isso colabora-se para o empobrecimento do país. Zonas comerciais que contavam com uma carreira que trazia pessoas, ficam mais desertas. Não se vende, não se ganha, empresas fecham. A miséria aumenta. BOA CARRIS!
Transbordos e percursos a pé: é ASSIM que a Carris julga que está a bem servir os seus utentes. O que nos restará? Para onde tudo isto vai evoluir? Vão obrigar-nos a gastar dinheiro extra no METRO também? Vão fazer com que as duas empresas de uma gestão única se não erro (é tudo igual) passem a fazer transbordo entre si?
Anda pedestre, anda! Como um rato num labirinto! É pura ilusão, essa de não te deslocares a pé e teres a teu dispor um serviço de transportes.
Este blogue não "morreu". Aliás, tem tanto para dizer que ficou é mudo.
Mudo e apático.
Mas vamos lá dar um «ar de graça»...
Os passes diários que se carregam a um mínimo de 1.15€ por viagem duram 1h. Todos o sabem. Em princípio, para DENTRO de Lisboa, 1h seria SUFICIENTE para ir e voltar de um qualquer lugar. Devia, no mínimo, dar para uma deslocação de IDA ou de VOLTA, quando se trata apenas de sair e voltar a entrar.
CASO REAL
Pois precisei «ir e voltar» de um sítio. Só fui entregar um presente em mãos e corri para a paragem para regressar. Queria eu, com toda a legitimidade, fazer isto numa só viagem, numa hora. Afinal, o percurso demora 22m, é entregar e regressar. Nos quase 40m que sobram, dá mais do que tempo para apanhar um autocarro de volta. A frequência com que passam não ascende os 15m, na pior das hipóteses. SUPOSTAMENTE.
Pois fiquei 28m à espera! Escusado é dizer, que a ideia caiu por terra... Em pleno dia da semana, com os horários que a carris coloca nas paragens a dizer aquelas mentiras de sempre: INVERNO, DIAS ÚTEIS, autocarros a passar de11 em 11 minutos.
Dias depois, carreguei eu o meu bilhetezinho já vazio com 5.15€, por precisar ir (1.15€) e voltar (1.15€). Gasto total estimado: 2.30€. Restante valor no cartão: 2.85€. Pois lá fui. Gasto na ida: 1.15€. Restante em cartão: 4.00€. Enquanto fiz a viagem tendo de apanhar TRÊS viaturas, foi só vê-los... A entrar no autocarro sem validar o título de transporte verde. Uns ainda se dão ao trabalho de encolher os ombros para fingir que a máquina é que não lê bem o cartão. Outros nem isso. REVOLTA-ME. Sentam-se a meu lado uns rapazes a contar histórias de como costumam apanhar transportes sem pagar, «mesmo sem mais ninguém no autocarro» - gabava-se um.
REVOLTA.
Lá fiz o que tinha a fazer, sem pressa e quando precisei regressar, lá validei o bilhete. Cais do Sodré para Gare do Oriente. Esse o meu destino. E já me dei por «feliz» por o transbordo ser somente UM. Da Gare teria de apanhar outro rumo ao destino final. Coisa que não leva nem 15 minutos. Cheguei à Gare em 30 minutos. Dava MAIS DO QUE TEMPO SUFICIENTE para apanhar o transbordo dentro do limite da HORA que o título permite. Afinal, estou em LISBOA, a fazer uma ÚNICA viagem. Pois o que aconteceu? Novamente?? Uma espera de 30m!! Claro. DE NADA SERVIU. Ao passar o bilhete, validou OUTRA VIAGEM!!!
Saldo final no cartão: 1.70€
Mas isto é correcto? COBRAR 2X por um único percurso só porque a CARRIS demora 30m a por um autocarro numa paragem??
Transbordos! A CARRIS quer fazer crer que estes não dificultam em nada a vida do utente. Por isso vai ELIMINANDO carreiras umas atrás das outras e depois como se fossemos todos gansos, faz por nos enfiar goela abaixo que para ir a qualquer lugar é só descer na paragem X e apanhar o Y... Pois, pois... mas quanto tempo se fica à espera de Y?? Isso não dizem! Não querem divulgar que sem transbordo, uma vez dentro de um transporte, o movimento é contínuo. Mas quando o transbordo é-nos cada vez mais forçado, já que não nos dão alternativa, vai-se dispender muito, mas muito mais tempo «à espera».
E por falar em alternativa, "cadê" outra carreira ali na Gare, uma estação principal, que possa servir para chegar ao mesmo lugar? Nenhuma, foram todas ELIMINADAS!
REVOLTA-ME.
Penso nos srs. doutores e gestores desta empresa. A desconsideração que revelam pelos utentes. Nota-se tão claramente! Estes srs. NÃO FAZEM A MÍNIMA IDEIA do que é suposto estarem a fazer nos seus postos, porque não sabem quem servem. Gostava de os ver ali, a terem de usar as suas próprias viaturas para se deslocarem. A precisarem ir para uma reunião importante, e ficarem 30m numa paragem à espera. A consumirem outros 30m do seu tempo no percurso. A viajar de pé, a levar encontrões. A bufar de desespero, a acumular stress porque têm compromissos, família à espera e afazeres, todos comprometidos porque os transportes não são eficientes.
Estes senhores não trabalham para as pessoas. Têm uma empresa que tem de gerar dinheiro. Apenas isso. REVOLTA-ME!
A situação pode não ser favorável, mas se a Carris não está melhor é porque os gestores não sabem fazer o seu trabalho bem feito. Duvido que a culpa seja do povo. Da «crise» ou da Merkel. A desconsideração que se faz sentir pelas necessidades daqueles que precisam de se deslocar de transportes públicos é o que mais revolta. Gostava de ver esses gestores, todos eles, sem carrinhos a ter de utilizar os da própria companhia. Gostava de os ver ali enfiados, a viajar de pé, entre as pessoas mas mais do que tudo, gostava de os ver à espera. Oh, como gostava!! Gostava de os ver a «bufar» de impaciência porque têm uma reunião onde ir e já se encontram à espera do seu próprio autocarro faz quase 30 minutos! Gostava que provassem dessa desconsideração. Que soubessem o quanto vale o tempo das pessoas para a Carris. Como se admite, ser MAIS RÁPIDO ir de Lisboa a Sesimbra, por exemplo, ou qualquer outra localidade fora da cidade? E que cidade é esta, senão a capital? É este o decrépito exemplo que se dá de um serviço público de transportes de uma capital de país?
Recebi um comentário de outra utente da Carris recentemente MULTADA e que se sente de tal modo injustiçada que está disposta a contestar.
De leis pouco entendo mas partilho da indignação e compreendo a vontade de ripostar. A utente solicita que «se corte o mal pela raiz» e apela a uma acção conjunta. Por solidariedade publiquei o comentário ao post e projecto o seu apelo, que penso dirigido a todos que já passaram por esta constrangedora situação, abrindo-lhe este post.
A utente tem até QUARTA-FEIRA para contestar a multa.
Apelo recebido:
«(...) gostaria de pedir, (...), visto que fomos vitimas das mesmas injustiças, (...) para testemunhar sob a alegação de termos sido vitimas de violação do direito constitucional que diz respeito à igualdade. (...) um dos meus argumentos é que eles violaram também o art.27º, ponto 2 (...) visto que me foi impedida a saida do veículo, coisa que eles NÃO PODEM fazer. O vosso testemunho recairia apenas em confirmar como foram multados, enquanto outras pessoas não foram sequer revistas, estando estas pessoas a ser beneficiadas em relação a vós. o meu mail é (xxxx)@( xxx).com*. (...) gostaria de contar com a vossa ajuda (...) Obrigada.»
Durante umas arrumações deparei com um papel com umas notas que tirei de uma saída de autocarro. Lembro-me perfeitamente desse dia: tive de ir para os lados de Belém tratar de uma burocracia mas, apesar disso, foi um dia que se apresentava perfeito: um bom clima, um ambiente mágico e o autocarro que apanhei, surpreendentemente, era daqueles modernos, quase a cheirar a novo, espaçoso, com aromatizante no ar (ah, a diferença!!!) e com uma circulação tão suave que quase nem se sentia a estrada. Era confortável.
Foi um daqueles RAROS momentos em que andar num autocarro da Carris surtiu mesmo um efeito anti-stressante, e não o contrário. Estava a ser um momento ZEN. MAS, como tudo na vida, alguém ali não estava a sentir o mesmo. E esse alguém era o condutor. Visivelmente irritado sabe-se lá com o quê, embirrava com o que podia. Primeiro foi com um passageiro. Com o veículo parado numa paragem o passageiro pede ao motorista para abrir a porta de trás POR FAVOR. O motorista ignorou e o passageiro repete o pedido. A resposta do motorista foi responder desta forma:
“É preciso tocar, não tocou!”. O passageiro responde que tocou mas que não funcionou e volta a pedir para lhe abrir a porta, se faz favor. Foi muito calmo e educado. O motorista responde: "Toca, toca. Carregue com mais força!". “O metro é que pára em todas e abre as portas” - resmunga, enquanto carrega no botão e abre a porta. O passageiro sai, agradecendo. “Vem agarrado ao telemóvel” - queixa-se o motorista, já com o passageiro do lado de fora. O semáforo fica verde e o trânsito retoma a circulação. O motorista continua mal disposto e desta feita resmunga com um taxista. Já o momento passou e ele continua a resmungar com o táxi. Poucas paragens depois chega à estação de Santa Apolónia, tal e qual anuncia a voz electrónica de bordo. O motorista pára o autocarro e prepara-se para sair. Vai ser rendido por outro. Quando se cruzam o que o vai substituir diz o seguinte: “Boa folga”.
Não fiz nenhum juízo de valor ao motorista. Se calhar até era um senhor simpático mas que estava a ter um dia mau. Quando se trabalha muito, fechado num lugar e mal se vê a luz do dia, até tratar de burocracia durante uma tarde pode ser de uma mais-valia revitalizante. O perfume a laranjas inundava a zona. Tanto quanto sei, até podia ser essa a razão da má disposição do motorista, mesmo indo de folga e mesmo retirando as respectivas diferenças, claro está, de eu trabalhar fechada num escritório e ele livre e ambulatório. Aquela pequena altercação foi a única coisa que manchou uma tarde que se estava a revelar perfeita.
PS: Na altura em que fiz estes apontamentos estava a tentar dar início a uma nova abordagem de posts, colocando o lugar, hora, dia e identificação de autocarro. Normalmente fazia o registo mental para anotar depois, mas não resultava. Desta vez decidi fazer o contrário e comecei por anotar no papel esses pormenores, junto com as palavras exactas do diálogo. Parecia um detective! O autocarro era o nº 4611, isto aconteceu por volta das 15.40h de um dia de Novembro. Ano e dia são propositamente ocultados para não arranjar problemas, caso algum curioso que tenha meios de descobrir o historial de percursos decida bisbilhotar. Porém, esta ideia de registar os acontecimentos como se de uma fotografia se tratasse, também não pegou J!
Caríssimos,
uma das entradas mais comentadas deste blogue foi sobre a MULTA passada a quem viaja nos autocarros da CARRIS com título inválido. Pois aqui vai o resto da história:
No dia em que me passaram a multa tive de apanhar um outro autocarro para continuar viagem. Os fiscais acompanharam-me porque não tinha bilhete e quando a viatura chega e as portas abrem-se, o motorista cumprimenta com ENTUSIASMO os fiscais e, de seguida, sabem o que ele faz? Estrategicamente já com as portas traseiras fechadas, o motorista praticamente IMPLORA aos fiscais para entrarem no autocarro. Disse-lhes que "faziam uma razia" ali, que o autocarro estava "cheio deles". O motorista insistiu muito, mas os fiscais recusaram. RECUSARAM!
Este episódio NÃO ME SAIU DA CABEÇA porque ali estava eu, acabada de ser multada e ali estava um autocarro CHEIO de multas por apanhar. Mas multas, segundo deu a entender o motorista, que seriam passadas a indivíduos que costumam viajar de graça POR SISTEMA. Não era apenas um, como eu, que estava exausta e confusa, mas muitos, que faziam uma algazarra no fundo do autocarro. OS FISCAIS viraram as costas e FORAM-SE EMBORA!
Se era porque tinham acabado o horário de trabalho, PORRA, então que me deixassem em paz, que o meu também tinha terminado ao fim de 10 horas consecutivas!
Lembro-me bem do cansaço desse dia. AVASSALADOR! O meu único objectivo nessa altura era descansar, descansar, descansar! Estava exausta! Sentia que precisava chegar a casa depressa, porque não ia aguentar ficar de pé nem 3 minutos. Aliás, deixei o corpo cair contra o autocarro, como se ele pesasse uma tonelada. Isto não JUSTIFICA viajar com título de transporte inválido mas explica a razão pela qual esqueci que tinha outro passe na carteira.
Achei INFAME que os fiscais não tenham atendido aos pedidos do motorista. Para mim tanto me fazia mas, pela perspectiva do que tinha acabado de me acontecer, julgo que é injusto que se procure a multa "fácil". Imagino que os fiscais não queriam ter problemas. Se os indivíduos fossem recorrentes ou nem tivessem bilhete para mostrar, ficava declarada a intenção de engano. Teriam de ir para a esquadra. Olhem só o frete! Ao fim do dia... os fiscais não quiseram ter esse trabalho.
Deste dia adiante, fiquei mais sensível a este tipo de situações. Vi, mais que uma vez, as pessoas que fazem a fiscalização a detectar que o passe recarregável azul de um utente estava inválido e permitiram-lhe que usasse uma das viagens ou então fossem comprar o bilhete ao motorista. Não vi ninguém passar de imediato para a multa e isso DEU-ME O QUE PENSAR.
Não teria o meu caso sido uma excepção? Não me foi dada a hipótese de comprar o bilhete!
Por força do DESTINO, quis a sorte que voltasse a cruzar-me com um dos "meus" FISCAIS em mais duas situações. Em ambas viajava num autocarro, num percurso totalmente diferente daquele onde me passaram a multa. Em ambas as ocasiões tinha acabado de carregar o PASSE MENSAL (desisti dos outros) em coisa de um ou dois dias. Quis confrontá-los e perguntar-lhes se estavam lembrados de mim. Mas a verdade é que AQUELE que me passou a multa, em ambas as ocasiões, AFASTOU-SE de mim, deixando que fosse o colega a pedir o título. Ainda tentei ver se a oportunidade de estabelecer contacto ocorria mas, muito sinceramente, fiquei com a impressão que o indivíduo me evitava.
Logo por sorte, eu saí-lhe na rifa mais vezes! E como que a comprovar a excepção que foi todo aquele episódio da multa, viajava como sempre viajei em todas estas décadas como utilizadora de autocarros da Carris: com título válido!
Foram os meus pais que me passaram este tipo de rectidão. Lembro-me de ter de ir para a escola e comprar o passe mensal, para depois fazer o percurso a pé. Mas tinha de ter o passe, porque era mais seguro, porque podia acontecer alguma coisa... Cheguei a comprar e não usar.
Mas isso são outras histórias.
A questão aqui é tentar perceber como é que se pode passar uma multa sem perdão em determinada situação e depois parecer existir benevolência para outras. E o que é pior, o que não me saia da cabeça: porquê os que são realmente infractores parecem sair-se impunes??
Porquê aqueles fiscais não fizeram o seu trabalho e foram solicitar o título de transporte aos passageiros daquele autocarro, depois de me terem multado? Porquê a agulha no palheiro e não a palha inteira??
Não é com alegria que vou revelar que não mais posso escrever o que escrevi no post anterior: "Sou abençoada. Nunca perdi ninguém de forma violenta, não conheço ninguém próximo que tenha perdido, nunca ninguém na minha família foi atropelado".
Embora não fosse próxima da pessoa que morreu por atropelamento, era família e não mais vou poder dizer que essa é uma tragédia que nunca me bateu à porta. Até é arrepiante pensar no assunto! Espero que não se aproxime e que esta causa de morte fique longe de se repetir a quem quer que seja que possa conhecer! Todos na minha família que já morreram passaram para o outro lado devido a causas naturais. E, agora, o fim da vida de alguém na Terra é ditado por um atropelamento.
Para sempre irei lembrar-me desta pessoa como alguém que me pareceu gostar muito de dançar e o fazia bem. Lembro-me de ficar, eu e outra jovem, a olhar para a técnica de dança desta pessoa e ambas dizermos que gostaríamos de saber dançar daquela maneira. Gosto de pensar em coisas positivas e lembrar as pessoas pelo lado bom.
Mas, com isto, o post anterior ganhou muito significado. Quando o escrevi, queria chamar a atenção para o que vejo acontecer todos os dias ao meu redor no que respeita à conduta rodoviária dos condutores e peões. Tudo o que escrevi, queria repetir agora, por outras palavras. Mas já está tudo escrito. Gosto de reler o que escrevo, peço que quem queira compreender o faça também, aqui e noutros locais, as opiniões e experiências de outros.
Partilhem! Divulguem!
Eu fiz isso e fiquei surpresa com os comentários que aparecem de pessoas que comentam, sempre e curiosamente de forma ANONIMA (acho que é de uma covardia imensa!), um assunto tão sério, de forma leviana. Recorrendo a palavrões, insultos, ofensas... Mas já se sabe que, na internet, há malucos para tudo!
Mas entre os doidos que não têm mais nada para fazer, existem outros tantos que lá escrevem coisas com sentido. Tocou-me especialmente os que dão os sentimentos à família. Cai sempre bem saber que alguém, algures, que não conhecemos, está a compartilhar de uma dor tão pessoal. São pessoas que também se preocupam e contribuem para trazer a DEBATE esta questão do comportamento automobilístico de que falei no post anterior. Relatam casos que viveram ou presenciaram. Existe, de facto, muito mau civismo automobilístico nas nossas estradas! E está a aumentar! Digam lá: um peão seria mortalmente e selvaticamente atropelado e desfigurado por um veículo se este circulasse na velocidade indicada por lei para o local? Não!
O meu coração vai para aqueles que lhe eram mais próximos, porque estão a sofrer horrores. Mas consola-me imaginar - porque só posso imaginar, que foi uma morte rápida demais para provocar dor. Não sei se ela a percebeu, mas julgo que sim. Existe sempre uma fracção de segundo em que a vida toda vem à memória, exactamente na fracção de segundo em que se percebe que é o fim dessa vida. Consola-me, porque já ouvi relatos de pessoas que sobreviveram a atropelamentos a afirmar não se lembrarem do impacto ou de sentirem dor. Mas vivem com as mazelas e os traumas, principalmente o de perderem alguém que não sobrevive!
E por essa razão, o meu coração vai também para o homem atrás do volante. Ele vai ter de viver, para sempre, com o facto de ter sido o responsável pela morte de alguém. No post anterior escrevi que não queria estar neste lugar. Não queria mesmo. Preferia ser a vítima, a carrasco, embora nunca queira nem estar perto de ser uma coisa ou outra! Culpado ou não pela situação, (não sei, desconheço as circunstâncias), a verdade é que agora é tarde demais. E NUNCA devia chegar-se ao ponto em que é tarde demais. Para ele, e para ela.
Ainda anteontem o sinal para peões ficou verde na passadeira que ANTECEDE uma rotunda, a qual preciso sempre de atravessar. Soube por instinto que não devia avançar até, pelo menos, passarem três carros
à minha frente. E foi o que aconteceu. Três viaturas passaram o vermelho a ALTA VELOCIDADE, e só depois de eu ver o quarto carro a abrandar é que atravessei a passadeira com o sinal verde para os peões.
É assim. Sempre. Agora digam lá: isto deve ser considerado normal porquê?
Peões e condutores: todo o cuidado é pouco e todo o cuidado serve para SALVAR VIDAS! A sua, em primeiro lugar, esteja você atrás de um carro ou à frente dele.
Agora que descanse em paz. Um dia estaremos todos desse lado. Só não se sabe quando e como, mas que seja sem sofrimento.
Aproveito que este blogue é sobre AUTOCARROS DA CARRIS, o que significa que se fala de conduta na estrada e outros temas relaccionados, para abordar TRÊS questões que têm vindo a perturbar-me.
Enquanto PEÃO, utente da CARRIS, desloco-me a pé para as Paragens de autocarro. Comecei a perceber que existem comportamentos automobilísticos repetitivos que são perigosos.
O primeiro e muito grave, é TODOS OS CONDUTORES QUEREREM PASSAR O VERMELHO. E muitos passam! À descarada! Perto de casa há uma rotunda e nunca atravesso a passadeira sem antes ver se o carro, pelo menos, abranda significativamente. É sinal de que me viu e que vai respeitar a paragem exigida pelo semáforo. Mas são mais as vezes que fico parada para que o carro que vem looonge, a grande velocidade, passe o vermelho. Se não o fizesse, ERA PASSADA POR CIMA.
Perto do trabalho existe uma passadeira que tem de se atravessar para chegar à paragem de autocarros. É uma estrada movimentada, nos dois sentidos, mas como fica numa localidade, os carros passam a uma velocidade normal. A questão é que QUASE NENHUM PÁRA na passadeira. Aliás, mais uma vez, se não fosse o PERMANECER PARADA até ter certeza de que fui vista pelo condutor, SERIA PASSADA POR CIMA.
Ao chegar a esta passadeira, páro, olho e fico a aguardar que um carro páre para me dar passagem. Mas, mesmo me vendo ali, MUITOS, mas muitos mesmo, não PÁRAM. Pelo menos uns dois fingem não perceber e passam sem dar prioridade, até que um terceiro abranda. Mas isto é só uma PARTE do CUIDADO que é preciso ter ao atravessar aquela pequena passadeira. Porque só o carro que vem da esquerda PAROU. Os que seguem da DIREITA não páram. Muitas vezes, mais do que gostaria que fossem verdade, sou obrigada a PARAR a meio da passadeira porque o carro que vem da esquerda NÃO ME VÊ na estrada. E o local não tem qualquer obstrução. É uma recta. As pessoas simplesmente vêm DISTRAÍDAS, não vêm o GRANDE SINAL DE TRÂNSITO que indica a PRESENÇA DE PASSADEIRA exactamente nesse sentido e, muitas vezes, mais do que gostaria de ter confirmado, os condutores estão totalmente DISTRAÍDOS. Uns não estão a olhar em frente. Ora se distraiem a olhar para o lado para reparar em alguém sentado na paragem, ou conversam com alguém no lugar do pendura, ou decidem dar uma olhadela para o telemóvel que seguram numa das mãos. Mas não olham em frente, convencidos que estão que a estrada é deles.
um caso
Eu o vi, muito antes dele me ter visto. Um senhor não ganhou para o susto quando me percebeu parada a meio da passadeira, com ele a atravessá-la. Fez uma cara de espanto, medo, surpresa, gesticulou com as mãos e acho que balbuciou algo no sentido de se desculpar. Mas foi tudo rápido, como sempre é quando o carro está em movimento. Se eu não estivesse parada, lá o carro me tinha PASSADO POR CIMA!
Num instante, aquele condutor seria um criminoso, responsável por um homicídio. .
Ficar parada no meio da passadeira deixa-me pouco tranquila, porque sei que o veículo que acabou de parar já está a arrancar. Este nem espera ver o peão chegar ao outro lado da estrada. E o que acontece? O peão, que está a atravessar a passadeira, tem de ficar PARADO no meio, enquanto os carros que vêm da esquerda e da direita circulam atrás de si e à sua frente. Isto numa localidade pequena. Ás vezes não avançam mais nada senão dois metros, porque os carros à frente estão a ceder passagem a outros. Então, para quê este comportamento? .
Ao chegar à outra margem, vou para a paragem, onde se encontra uma senhora. Ela não presenciou a minha tentativa de atravessar a estrada, mas decidi à mesma aliviar-me um pouco daquele comportamento automobilístico que vinha a me incomodar cada vez que fazia aquele trajecto. Disse-lhe: "Nesta passadeira, se eu não tomasse cuidado e parásse, já tinha sido atropelada uma série de vezes!" Ela ficou espantada e disse que a sua mãe morreu assim, atropelada. .
Portanto, não há nada de humorístico nestas situações, pois não? Está tudo muito bem, até algo sério e grave acontecer. E depois? Como é que vai ser? Dá para restituir uma vida a alguém? Dá para apagar um gesto do qual nunca se consegue perdoar a si mesmo? Dá? .
Eu não conduzo e confesso ter receio da minha conduta quando o fizer. Um carro, como tudo o resto, conduz-se criando-se o hábito e a condução é algo que se executa mecanicamente, por vezes como um reflexo, sem se pensar. Poucos condutores estão a pensar no que estão a fazer. E, também, existe o comportamento de grupo que acaba por influenciar. Se quase todos aceleram para atravessar um semáforo quando ele já está vermelho, como é que se muda este comportamento? O próximo a tirar a carta, vai demorar quanto tempo até fazer igual?
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Uns dias antes tinha visto a brigada de trânsito por toda a parte, a mandar parar os carros para verificar os documentos e sei mais lá o quê. Na altura nem pensei em lhes dar valor, porque, sempre temos cá para nós, que a polícia tem este comportamento porque, ás vezes, gosta de "trabalhar para a multa" - ainda mais, quando se aproxima o final do mês. E é vê-los, por toda a parte, escondidos em cantos e curvas...
Mas, vamos ser sinceros. Mesmo que exista má vontade da parte das autoridades, são autoridades e estão a executar um trabalho que é muito valioso, pois pode salvar vidas.
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Um comportamento automobilístico irresponsável deve ser punido. Uma vez ouvi na televisão um senhor dizer que "quem tem as mãos num volante tem de perceber que tem nas mãos uma ARMA que mata". Essa definição nunca mais me saiu da cabeça. Até então, não tinha pensado o quanto era verdade.
Sou abençoada. Nunca perdi ninguém de forma violenta, não conheço ninguém próximo que tenha perdido, nunca ninguém na minha família foi atropelado. Sei de casos, vi muitos em menina, quando morava perto de um cruzamento apelidado de "zona de acidentes". O som de sirenes da polícia e ambulâncias eram sons banais. Mirones automobilísticos também, pois muitas das vezes, ao se passar de carro, lá estavam as pessoas estendidas no asfalto, no meio de todo o aparato. Recusei-me sempre a olhar. Podia ver, por calhar, mas nunca olhei para ver sangue, membros partidos, cabeças rachadas, fosse o que fosse que levava as pessoas a quererem espreitar o acidentado. E se não podia ajudar, também não ia ali ficar a atrapalhar.
25 93 AJ
CARRO PRETO
CONDUTOR MASCULINO
MODELO ANTIGO
Foi tudo o que registei de um comportamento totalmente absurdo que vi. Num sítio onde é quase impossível passar com velocidade, num local pacato, um metro antes de se contornar uma rotunda, surge, quando estou a atravessar a passadeira, este carro preto, muito, mas muito em excesso de velocidade. Parecia um louco. Ainda fiquei à espera que abrandasse, mas não demonstrou quaisquer sinais disso. Eu já ia na passadeira estava ele a aparecer. Não queria correr na passadeira por ele vir a grande velocidade. Na verdade, não corri. RECUSEI-ME! (estava ali após uma caminhada de 20m sempre a subir ruas íngremes, debaixo de um sol avassalador! Finalmente tinha chegado à parte plana do percurso e agora aparecia um louco!) Mas acelerei o passo e desviei-me, embora já estivesse mais do lado onde não passam carros do que daqueles centímetros onde ia passar aquele. O HOMEM que segurava O VOLANTE deste carro não abrandou nem um instante. Acho até, que acelerou mais. Não abrandou nem para contornar a rotunda, foi sempre a correr, mantendo a alta velocidade, quase que o carro voava! Eu fiquei ali, parei e olhei para trás, para assistir ao comportamento do condutor. Eu e um senhor distinto, que deduzi que vinha da escola de condução ali ao lado, ou do prédio onde esta fica. Ambos um tanto incrédulos, a reprovar um comportamento assassino destes.
Isto aconteceu já faz umas semanas. Estava aqui a arrumar papéis, quando dei com aquele onde anotei a matrícula do carro. Para marcas não sou boa, mas sei anotar matrículas. Existem muitos comportamentos de risco que se vêm na estrada. Mesmo quando dentro de um AUTOCARRO DA CARRIS, assiste-se a muita coisa. Muitas vezes, os autocarros não conseguem seguir percurso porque um automóvel atravessa-se no caminho quando já tem o semáforo vermelho para si e não pode mais avançar. Existem muitas coisas mas, esta do carro preto matrícula 25 93 AJ... será que já matou alguém? .
Há uns anos, durante uma viagem noturna de carro, direcção Ribatejo-Lisboa, quando ainda se faziam percursos por estradas regionais e pouco por autoestradas, o carro onde seguia foi ultrapassado por um acelera, que continuou a ultrapassar todos que estavam à sua frente de uma forma perigosa e agressiva. Era um carro meio desportivo vermelho e comentámos que aquele comportamento não era aceitável. "Aquele ainda se espalha por aí ou pior: mata alguém!" - dissemos a censurá-lo. Uma hora depois, ultrapassámo-lo. Tinha batido contra um muro e a viagem terminou por aí. Acho que não matou ninguém. Não dessa vez...
A CONDUTA NA ESTRADA é um assunto muito importante, que hoje me apeteceu debater, após acumular uma série de histórias e vier outras tantas. E as suas... quais são?
Passaram-me uma multa num autocarro da Carris. Já faz algum tempo e tenho vindo a querer escrever sobre o assunto aqui, se bem que, sobre a situação em si, pouco tenho a dizer. É mais o que veio a seguir que foi um "open eyes".
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A multa foi-me passada por viajar com um título de transporte inválido. Ou seja: o passe tinha expirado. Eu, que rejeitei a boleia de uma colega, saí exausta do trabalho, corri bastante (até ficar com um sabor estranho na boca) para conseguir alcançar a camioneta a tempo e, feliz por ter tido sucesso, eis que chego a Lisboa e fico logo novamente triste, porque um dos autocarros que posso apanhar está à distância de mais uma corrida! Mas é o próprio cansaço e a vontade de tirar os sapatos e deitar algures para descansar que me motiva a mais uma maratona. Consigo entrar e passo a carteira na máquina, sem ver a cor que esta emite, mas atenta ao som. Distintamente, escutei o ruido da validação.
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Depois encostei-me junto às portas de saída para recuperar o fôlego. A paragem seguinte é aquela onde queria sair. Mas o cansaço é tanto que me afecta o pensamento e, por essa razão, pelo cansaço, não saí e decidi seguir mais duas paragens, tendo depois de andar e atravessar três estradas para apanhar uma outra viatura.
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Chegando a essa paragem, convenci-me que o autocarro ia fazer uma curva e parar exactamente na paragem onde pretendia ficar. "Como não me lembrei disso antes?" - pensei eu, contente por isso significar que não tinha de correr nem de andar mais. O autocarro parava uma paragem de transbordo! Só tinha de descer e aguardar. Nada de caminhadas ou correrias! Pelo menos assim pensei, mas o cansaço deturpou-me o raciocínio, pois o percurso da viatura não era o que estava a pensar.
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Antes porém, de arrancar, entram dois fiscais no autocarro. Recordo que estava na paragem onde devia sair, mas decidi continuar para descer na próxima, que, afinal, não era a que eu pensava que era. Estava, portanto, junto à porta de saída. Nesse instante duas ou três pessoas passam por mim e abandonam a viatura um pouco atrasadas, pois as portas já estavam abertas à algum tempo.
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Não sei se é por estar à porta, mas a verdade é que um dos fiscais chegou-se directo a mim para me pedir o passe. Tiro-o da carteira e dá inválido. Ao que parece, estava inválido há 2 dias, mas como na véspera tinha tido boleia e não precisei usá-lo, o facto passou-me ao lado. Em todo o caso, tenho comigo "passes de emergência". Os tais cartões azuis, com ao menos uma viagem. Tinha comigo uns 10! Acabo sempre por comprar um novo, por o antigo estar numa outra carteira ou mala... Mas desses 10, 8 sabia estarem vazios ou com uma quantia de dinheiro insuficiente para uma viagem. Tanto assim era que estavam já de parte, para não me confundirem.
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O fiscal pergunta-me se o passe validou verde e pede-me outro título de transporte. Eu respondo sim à primeira pergunta e não tenho outro título de transporte para lhe dar. Esqueci-me totalmente da existência dos cartões azuis e passei-lhe então um dos verdes, pois lembrei-me subitamente de o ter na carteira. A máquina nem sequer o leu, passou como inválido.
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Entretanto já estava a sentir alguma aflição porque reparei que o autocarro não estava a seguir o percurso que imaginei e me afastava do meu destino. Perguntei aos senhores o que se passava a seguir. Disseram-me que tinham de passar o papel, mas que depois eu podia explicar a situação por telefone e o mais provável era não ter de pagar nada se conseguisse argumentar. Ela praticamente me assegurou disto.
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Saimos na paragem seguinte, eles pediram-me os dados, preencheram uma folha e depois entregaram-ma. Senti angústia. Toda aquela situação imprevista... num minuto estava com pressa para chegar a casa para repousar, no outro já estava naquela situação. Não consegui pensar em mais nada o dia todo. O desenrolar dos acontecimentos passavam na minha cabeça como se fosse um filme. Todos os pormenores. Decidi até experimentar todos os cartões que, estupidamente, lembrei, depois de já ter tido a multa, que tinha comigo. Quando me perguntaram, não me recordei dos azuis, 8 deles guardados numa bolsa à parte. Esses estavam todos sem fundos e, por essa razão, a minha mente simplesmente esqueceu-se deles. Quando passei um dos outros, o mesmo estava válido.
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Telefono então para o número que me foi facultado e fico a saber que não ia poder argumentar coisa alguma, explicar a situação. Ali só me confirmavam que tinha uma multa a pagar. Fui então até ao local, convencida que aí ia, então, poder fazer o que o fiscal me disse: explicar a situação e, se a mesma fosse compreendida, a multa seria eliminada. Para meu espanto, a primeira coisa que o funcionário me diz é que ali eles não fazem nada, só recebem os pagamentos. Se eu quisesse protestar, como está no meu direito, tinha de contactar a entidade reguladora, o lnstituto da Mobilidade e dos Transportes. O Estado! Saí de lá sem pagar.
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Telefonei então para a entidade. Por esta altura eu sentia revolta por todo este processo falso e burocrático. E sentia determinação em levar o meu sentido de justiça adiante. Tudo parecia estar "montado", um esquema bem montado, para a pessoa não conseguir defender-se. Pensei cá com os meus botões que aquilo não foi o que o fiscal que me multou deu a entender. Essa informação ele deixou de parte! Depois veio a revolta, por tudo: a injustiça da situação, o nunca ter tido uma única infracção em todos estas décadas como utente da Carris e isso nem ser levado em consideração, o já ter feito quilómetros a pé por me faltaram os tais 20 cêntimos para o bilhete.. como podia agora ter o rótulo de "infractor"?? Isso aborreceu-me muito mais que a multa em si! A ideia de ter o meu nome «sujo» num registo qualquer com a indicação de INFRACÇÃO era a mais dolorosa das injustiças, aquela que me movia a combater a situação com determinação.
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Ao telefone fui informada que ali não havia espaço para conversas! Ou pagas, ou vais a tribunal. Simples e absolutamente revoltoso para quem foi apanhado numa situação singular. Caso provasse em tribunal que não viajava com título inválido, não pagava a multa. Mas se não o provasse, tinha de a pagar, então mais pesada devido ao período de 5 dias úteis já ter expirado, mais as despesas do processo. Além disso, precisava de TRÊS TESTEMUNHAS. Estava tudo no verso do papel da multa e era só para isso que me souberam direccionar. Mas esta pessoa ao telefone facultou-me uma outra informação útil - também ela impressa em letras pequeninas no regulamento no verso do papel da multa mas pouco perceptível. É que, caso a pessoa pague a multa no espaço dos 5 dias, a mesma tem uma diminuição. Ora, isto é tentador! E indicador de mais um facto "sujo" nesta história: eles querem é dinheiro. Tanto que até fazem descontos de multas, se fores rápido a pagá-las!
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Ponderei a situação. Queria justiça, mas não queria ter aquilo como uma espada em cima da cabeça, a arrastar-se durante meses, idas a tribunais, solicitação de três testemunhas... não. Isso é acrescentar mais stress à situação, ao invés de irradicá-lo pela raíz. Mas o factor deciso para mim foi uma informação que me facultaram no local onde fui pagar a multa.
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Com tudo automatizado, o sistema regista quantas vezes um passe é dado a ler à máquina. O senhor lá me disse umas datas em que passei o cartão inválido na máquina, dando a entender que eram viagens não pagas, que eu sabia ser mentira. Ou melhor: sabia que isso não significava que tinha viajado em fraude, pois o que se passava é que, muitas da vezes, por os passes estarem juntos na carteira, ainda que separados entre si, aquele que a máquina identificava primeiro era o cartão suplente. O meu passe tinha uma leitura difícil nas máquinas desde a altura da sua obtenção. Às vezes até me irritava, porque me fazia perder tempo. Estava válido, tinha o recibo, confesso que, após umas tantas tentativas frustradas para a máquina o reconhecer, ntrei algumas vezes autocarro a dentro, não bloqueando assim a fluidez dos passageiros. Era normal o passe ter meses em que trabalhava bem, outros em que era difícil dar leitura. Atribuí isso às máquinas onde era carregado. A situação durou algum tempo, até que um dia um motorista ensinou-me um truque: dobrar ligeiramente o cartão. De facto, aquilo funcionou às mil maravilhas, e, desse momento adiante, era raro as máquinas desconhecerem o cartão. Mas com isto, a verdade é que, muitas vezes, quando passava a carteira na máquina e ela validava o título, estava a ler o cartão suplente ao invés do passe mensal. Ou seja: estava a gastar o dobro! O cartão acabava por esgotar viagens e, cada vez que era novamente lido pela máquina, registava como inválido. TODAS essas vezes ficaram registadas na base de dados. E isso era uma injustiça e mais um acontecimento circunstâncial daqueles que parece que tudo conspira contra a reposição da verdade. Confiar demasiado nas máquinas dá nisto. Elas não contam toda a verdade! Só uma versão. A automática!
Muito honestamente, acho que a CARRIS devia pagar aos utentes para estes andarem nos autocarros!
Ora vejam bem as razões:
1) Uma pessoa espera demasiado por eles.
2) Para ir a um qualquer lugar, uma pessoa tem de fazer extensos percursos a pé.
Não são razões que bastem para sentir que deviam era pagar-nos para nos submeter-mos a isto??
Esta semana tenho sentido que o universo está a dizer-me para passar a andar de carro. E tudo, através dos atrasos e "problemas" diários dos autocarros da Carris.
Eu não quero andar de carro! Gostaria de continuar a deslocar-me de transportes, mas é impossível ignorar os "avisos" constantes!
E assim, vou contribuir para o aumento da poluição e do trâfego! Pode-se agradecer à Carris por isto!
Ando mais a pé agora do que quando era criança!
Ora vejam só como têm sido os meus dias:
6ª Feira (fim de tarde escura, chuviscos, muito frio e muito vento):
entre duas paragens pouco distantes entre si, aguardava a chegada do primeiro de três autocarros cujo percurso me leva até uma rua transversal a três km de distância. 6 minutos se passam. NADA. Avanço para a paragem (única das duas) que tem um placar com os minutos dos autocarros. Só dali a 14 é que ia passar o correspondente. Decisão tomada:ir a pé até à paragem seguinte (menos de 1km e 4m a pé) onde passa um outro autocarro. Ainda não tinha passado 1 minuto, e eis que olho para trás e vejo o autocarro que o PLACAR disse faltar 14 minutos a aparecer! Claro, como eles são como as mulheres que vão juntas ao WC, logo atrás vinha um outro. Mas esse, pela ausência do placar na sua paragem, já contava correr o risco de poder ver passar sem ter tempo de o apanhar. Agora aquele para o qual faltavam 14 minutos, antecidos dos 6 que já tinha esperado, estar a passar, até lhe roguei pragas!
2ª Feira (manhã fria, sol de inverno):
Assim que saio de casa e viro na direcção de uma das duas ruas paralelas que tenho de subir para apanhar o autocarro que me leva onde tenho de ir, vejo passar na rua ao lado um outro que até prefiro apanhar, mas só me leva até meio do percurso. Fico descontente porque sei que, se tivesse virado para essa rua e dado apenas uns parcos passos para alcançar a paragem, o autocarro não ia aparecer. Normalmente nesta paragem SEM PLACAR, os dois autocarros que aí passam levam 20 minutos a aparecer. É mais próxima e mais prática, mas é preciso ir "dormir" para lá para não chegar atrasado ao destino. É, portanto, mais praticável subir a rua a pé durante 4 minutos e, na estrada transversal, apanhar o primeiro autocarro que aparecer, que tanto pode ser o que só faz metade do percurso (e vem da rua paralela), como um outro que vem da rua transversal, mas faz o percurso completo. A escolha é óbvia: todos os diassubo a rua a pé e logo começo a sentir aquela pressão lombar... (ei de pagar a factura na velhice!). Chegada à paragem, faltam apenas 4 minutos para o autocarro chegar. Mas passam 12 e NADA! Quando faltam 10m para ter de estar no meu destino, o dito cujo aparece. Chego à camioneta que preciso apanhar todas as manhãs às 8.00h em ponto 3 minutos depois. Claro está, não se encontrava mais lá. Tive de aguardar 60 minutos pela próxima!!! (Um minuto de atraso para a Carris não é nada, mas corresponde para mim a 1 hora!)
3ª Feira (manhã, chuviscos, muito vento):
O dia começa, novamente, a subir a rua (4 minutos). Desta feita vou apanhar outro autocarro que também passa na rua transversal. Desta vez o meu destino é outro e importante, pelo que vou com bastante tempo para desperdiçar, caso aconteçam imprevistos. Claro que, o destino voltou a dizer-me para comprar um carro! Não é que, mesmo com 35 minutos extra para chegar ao meu destino, o autocarro demora 38 a aparecer?? Não fui capaz de ficar parada no local à espera. Assim que apareceu um outro
Hoje fui vítima da agressividade nos transportes. Uma mulher saiu da fila atrás de mim e de outras duas pessoas e começou a enfiar-se na frente. Segui a ordem mas confesso que, ao vê-la esforçar-se para se meter na minha frente, fiz por não deixar. Afinal, não entendo as pessoas que se metem à bruta! Mais dentro da porta, as pessoas começaram a mover-se de forma a que eu até acabei por ser empurrada para o interior ordenadamente. A mulher decide então dar-me um valente empurrão. A minha reacção foi olhar para trás (porque a despeitada empurrou mas não se enfiou na frente) e constactar o óbvio:
-"A senhora deu-me um empurrão"!
- Estava a querer meter-se mas eu não a deixo passar à frente!
-"A senhora é que saiu da fila e passou à frente dos outros".
-"Eu bem que a vi chegar e meter-se à frente dos outros. Eu marquei-a bem!" - responde ela.
Poucas palavras mais são trocadas e o silêncio instala-se à medida que cada qual avança no veículo. Mas fiquei com aquela situação a mexer com os meus nervos. Eu, que estava tão sossegadinha, que me limitei a reproduzir os mesmos gestos que faço todos os dias... que é correr para apanhar o transporte! Tenho a certeza que cheguei à paragem e parei atrás de todos. Então porque disse ela que me marcou e que lhe passei à frente?
Depois é que percebi! Ela e talvez uma outra senhora tinham saído do mesmo autocarro de onde eu vinha. (o qual também tive de correr para apanhar e fui a última a entrar, tendo esperado calmamente até que a última pessoa que estava à minha frente entrasse e passasse o passe na máquina que o valida).
Ora, instantes após ter conseguido chegar à paragem (até reduzi a velocidade e passei ao passo), duas outras senhoras chegaram perto de mim a sorrir e a dizer que, daquela vez, tinham conseguido, porque às vezes não se consegue.
Demorei uns instantes a perceber ao que se referiam, porque não tinha percebido ninguém a correr com o mesmo propósito, até porque saí na frente, desviei-me com calma das pessoas que entravam no autocarro que eu abandonava, inclusive, parei e desviei-me de um miúdo com uma mochila enorme nas costas que me pareceu no momento um obstáculo inoportuno diante da presença do sinal verde e um autocarro que deve estar prestes a nos ultrapassar.
Em suma: antes daquela mulherzinha irritante e mal educada, duas outras simpáticas chegaram à paragem na sua frente. Estas não se queixaram, a mulherzinha sim! Não gostou que eu corresse mais do que ela!
Foi o terceiro transporte que corri para apanhar de seguida hoje. Para chegar a tempo de apanhar o primeiro, tive de subir uma rua íngreme durante 15 minutos. Cheguei à paragem, como se diz, "com os bofes de fora". Mas, porque o transporte em si atrasou 13 minutos e eu apenas 5, consegui apanhá-lo. Porém, o esforço deixou-me fisicamente maldisposta e um tanto exausta. Comecei a querer adormecer mas, cada vez que isso acontece, surge um mal estar geral com uma espécie de sensação de desmaio e dor. Logo, tento manter-me desperta e não me concentrar no enjoo.
Assim que saí deste primeiro transporte, "rezei" para ter tempo para chegar à paragem sem ter de correr para apanhar outro mas, eis que as preces não são bem ouvidas e vejo passar a grande velocidade o autocarro que quero apanhar. Corro para o alcançar e, como existem muitas pessoas, percebo que tenho boas chances de o fazer, mesmo tendo de parar por instantes para deixar um taxi passar. Alcanço-o e até entro com calma, esperando que os que já lá estão entrem, até porque isso me permite respirar um pouco melhor.
Só tenho de andar uma ou duas paragens mas, nesse percurso, os autocarros que quero apanhar a seguir podem muito bem aparecer e ultrapassar aquele onde me encontro. Logo, estou o tempo todo alerta para a possível presença no horizonte para qualquer um deles. Volto a fazer uma prece para não ter de correr mais para apanhar um transporte. Olho para a avenida de onde deve vir um e esta está vazia de autocarros.
Depois o meu veículo pára para deixar entrar uma passageira mas a senhora demora-se a fazer a pergunta que precisa fazer para libertar o autocarro e deixá-lo seguir viagem. São apenas uns segundos, mas volto a fazer uma prece para que, nesse tempo, não surja o autocarro atrás de mim, para não ter de correr para o apanhar. Por causa da senhora mas também apenas por alguns segundos, ficamos parados no semáforo vermelho. Logo o veículo arranca.
Está tudo a correr bem e a minha prece é sempre a mesma: "que os autocarros não apareçam antes de ter tempo de chegar à paragem". Olho para a rua de onde deve vir o outro e percebo que existe ao fundo um autocarro que pode muito bem ser aquele que desejo. Tento perceber se o semáforo vermelho vai permanecer fechado na altura daquele autocarro passar e percebo que ficamos à frente. Fico contente, porque não terei de correr muito. Poderei andar. É então que olho para trás e, mesmo coladinho ao autocarro de onde venho, está aquele que queria apanhar, que nem se via momentos antes! É sempre assim... acho até que deixo sair um desabafo verbal destes ao me levantar para me preparar para a CORRIDA. A terceira desta viagem "trabalho-casa".
E desatei a correr (sem dar encontrões a ninguém).
Até lamentei o correr porque usava sapatos novos e pouco práticos. Não alcancei a velocidade que costumo alcançar nem senti o gozo que costumo ter, visto que os tamancos das botas são ocos e não dão flexibilidade (também, comprados nos chineses :-)) Além disso, tenho-me sentido mais fraca do que o habitual e não consigo correr tanto e canso-me rápido. Ainda assim, são três anos desta prática e isso é o que me deve ter lançado para o primeiro "lugar" da corrida sem sequer ter percebido que existiam mais corredores à retaguarda.
Agora, em termos de posições, posso ter ficado com o "ouro", mas a senhora mal educada e agressiva, nem "prata" ou "bronze" teve. Que descaramento! Dar um encontrão e me acusar de passar na frente! Fiquei mais sentida com isso do que com o gesto de brutalidade. Porque não gosto de injustiças e, de facto, não gosto de ver pessoas a passar na frente das outras e desrespeitar intencionalmente a ordem de uma fila. Mas tendo eu atenção para com terceiros, achei a sua acusação muito injusta!
Se não gostou que lhe passasse à frente, devia experimentar fazer o mesmo tipo de exercício que faço! Três corridas, uma de quase 20 minutos, sempre a subir, e fica logo em forma. Talvez aí me ultrapassasse. Mas tenho eu culpa de ser mais rápida?? .
Acabei por lhe dizer, na saída, que achava que me devia um pedido de desculpas. E a mulher responde: "amanhã a gente se vê". A típica resposta de um mentecapto, o recorrer à ameaça. .
O meu consolo é que Deus tudo vê e Deus castiga!
Não gosto de gente injusta. Aquelas pessoas que correm a ultrapassar os outros só para apanharem um lugar sentados. Detesto gente que provoca, que incentiva à desordem, que é mal educado e falta com a educação que todos devemos demonstrar pelos outros. .
Repito:
O meu consolo é que Deus tudo vê e castiga!