sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Burguês chega, escolhe e manda!



Estava no autocarro, sentada num banco individual, de costas, diante de outro banco ocupado por uma senhora. Viajavamos frente uma à outra, estando eu no sentido contrário ao do movimento do veículo.


.Uma paragem depois, a viatura pára e abre as portas para deixar entrar passageiros. A mulher olha para a frente com um ar sério e levanta-se com uma agilidade para mim inesperada. Penso que é para ceder lugar a alguém que vem a entrar mas esse alguém, que não vejo, senta-se do outro lado, nos lugares prioritários, assinalados a vermelho, para idosos e mulheres grávidas ou com crianças.


.O autocarro vai quase vazio. Existem lugares disponíveis por todo o seu comprimento de autocarro articulado. Mas quem se sentou ao meu lado, depressa se levanta para ocupar a cadeira deixada livre pela senhora à minha frente. É a dança da cadeiras!... Só então vejo quem são os ocupantes: uma senhora com uma criança de uns 2 anos.

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Ela senta-se e põe a criança ao colo. O que achei bem, porque era pequena demais e devia viajar amparada, principalmente no autocarro em causa, semelhante ao da foto, com a diferença de ser articulado e dos bancos serem só de plástico cinzento e não terem a protecção lateral que se vê na imagem. Ali, um abano forte e pessoa que não tenha os pés firmes no chão desliza e voa! Era o que eu estava a fazer: força nos pés, para o corpo não balançar com o movimento do veículo. A criança seria projectada com total facilidade se ocupasse uma cadeira sozinha, como aquelas que estavam nos assentos de onde se tinham levantado, na área vermelha.


.Mas eu comecei a desconfiar, pela postura da mulher, que queria que eu saísse dali. Falava alto com a criança, num tom que conheço bem e raramente se dirige à criança. Não a mirei mas, de alguma forma, senti um olhar penetrante. Reparei nos lugares vazios e com assentos lado-a-lado, onde a senhora, se quizesse colocar a pequena criança numa cadeira, poderia usar o braço como cinto de segurança nas muitas travagens e solavancos que o autocarro fazia.


.Quando estava quase a chegar ao meu destino, a impressão que a senhora estava a desejar que eu saísse dali a cada paragem feita pelo autocarro, já estava quase confirmada. Subitamente achei aquela postura revoltante. Com tantos lugares vagos, dar-se a ares que me queria mandar sair dali, como se fosse sua vassala! Pensei seriamente em fazer o percurso até a paragem terminal, não me custaria nada. Ela que fosse "galar" um assento vago, ora o descaramento! Nos lugares inicialmente por ela ocupados, pessoas sentavam e levantavam. Era só lugares a vazar. Bons lugares, lado a lado. Mas ela parecia cobiçar aquele que eu ocupava. A criança não está tão protegida sozinha numa cadeira fora do alcance de um abraço. Aquilo mexeu comigo!


A mulher era relativamente jovem, mas era a avó da criança, cujos pés quando sentada no joelho da avó, mal lhe chegavam a meio das pernas. Ao mudar de lugar, a criança disse que queria sentar-se ajoelhada... pobrezinha. Teria ido logo ao chão! A avó responde-lhe, com aquele tom que é para outros ouvirem, que não pode, porque ia sujar a cadeira. E eu pensei cá com os meus botões: não pode porque iria cair, bater com a cabeça e no mínimo ir para o hospital! E não porque suja o assento... até a criança foi mais perspicaz e responde há avó que "magoava-se com sangue" se fosse de joelhos na cadeira...


Chega a minha saída e deixo de lado a má impressão que aquela senhora me estava a passar. Levanto-me e saio, ignorando a vontade de seguir até ao fim sem sair do lugar que a mulher estava a cobiçar. Com tantos vagos, sinceramente! É certinho: ela pega na criança e projecta-a para o assento da frente. Só a oiço gritar "espere um momento!" - para o motorista, que se preparava para avançar com o autocarro. O que só reforça o perigo que a criança, pequena e sozinha num banco onde um adulto não a pode segurar, corre com cada viragem do autocarro.

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Segui caminho a pensar nas curvas na rotunda, nas curvas rápidas, no acelerar e nas travagens e aquela criança "solta" no banco, pronta para um acidente onde podia "magoar-se com sangue".
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Há pessoas que se acham burguesas e sentem que têm direito de mandar nas outras. Esta senhora, certamente se encaixa no perfil. E também não deve ser das avós mais satisfeitas do mundo, pois não pareceu falar com a criança nesses modos. Ao colocá-la sozinha na cadeira... posso até estar equivocada, o que é bem possível. Mas a impressão que passou foi outra. Terá feito a viagem sem acidentes?


quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A minha refeição incomoda o seu cigarro?


É assim que me sinto quando estou perto de fumo. Eram 8h00 da manhã quando entrei no elevador do prédio para ser de imediato agredida pelo cheiro a cigarro. A atmosfera poluída sempre me incomodou fisicamente e para quem saiu de casa em jejum, aquele avassalador odor foi demais!
Lembram-se de um anúncio televisivo passado num restaurante, em que duas pessoas estão a almoçar e uma delas acende logo um cigarro? O fumo dispersa para cima da refeição do outro que diz: Peço desculpa: a minha refeição está a incomodar o seu cigarro?
Como reacção, o outro apaga o cigarro, com um ar envergonhado.

Hoje em dia isto já não resultaria, porque as pessoas tornaram-se muito agressivas e, mesmo com boa educação, não sabem aceitar uma observação negativa. Como consequência, tememos fazer um reparo a desconhecidos envoltos em alguma actividade que nos incomoda. Neste sentido tiro o chapéu à geração mais velha, pois a autenticidade da maturidade acalma reacções autoritárias.

Mas os tempos mudam e outras coisas tomam o papel do cigarro no que respeita a influências agressivas nos espaços públicos. Na camioneta, por exemplo, tanto hoje como noutras ocasiões, pessoas a jogar nos telemóveis sem lhes tirar o som é algo a ganhar terreno, e é incomodativo. Ficar 40 minutos a ouvir vezes e vezes sem conta o mesmo ruído estridente, é mau. A cabeça não descansa. A camioneta, que tem como principal vantagem esse silêncio para uma pessoa usufruir, o que contrasta bastante com outros meios de transporte, é assim privada da única característica que a valoriza. Alguns aparelhos multifunções dispensam os phones pelo que, além dos ruídos de jogos, também escutei músicas. Pela própria função portátil dos aparelhos, os sons que emitem não são tão agradáveis de ouvir como os que são difundidos por colunas de qualidade. Para quem está próximo, são ruídos.

Hoje entrei na camioneta e comecei a ler o jornal (outra vantagem que só a camioneta possui). Nunca consegui ler no interior de um veículo em movimento até ter experimentado fazê-lo na camioneta. Fiquei surpresa por não enjoar e comecei a ganhar-lhe o gosto. Foi então que, durante a viagem de hoje, enquanto silenciosamente lia as notícias, me lembrei do anúncio do cigarro no restaurante e tive vontade de perguntar: desculpe, a leitura do meu jornal está a incomodar a sua música?

domingo, 25 de outubro de 2009

Chuva e obras

Quando chove Lisboa fica um caus. Umas gotinhas de água e as estradas ficam entupidas de veículos que parecem não chegar a lado algum. Num destes dias estava no autocarro que, por sua vez, estava preso no trânsito de uma artéria principal de Lisboa, cuja congestão é algo que mexe com a minha inteligência: a Avenida do Brasil.

Praticamente parados no mesmo lugar já há 15 minutos, fui vendo um passageiro dirigir-se para a frente do veículo, sussurrar algo ao motorista e este a abrir a porta para que a pessoa saísse. Eu fui essa terceira pessoa e ganhei o primeiro murmúrio de insatisfação por parte do motorista. Após 4 semáforos verdes em que não saíamos do lugar e com o relógio a fazer tic-tac, não tinha mais opções: só ia conseguir chegar ao destino a horas se tentasse uma deslocação a pé até outra avenida e aí tentar a sorte com outro autocarro vindo de outra direcção.

Nesse dia não tive sorte. Cheguei ao meu destino 7 minutos depois da hora devida (embora à frente do autocarro de onde saí) e tive de aguardar 60 minutos para a chegada da próxima camioneta. Ter saído mais cedo de casa e entrado mais cedo no autocarro não adiantou, pois a fila de trânsito começou logo depois da Rotunda do Relógio.


Mas nem sempre é assim. Logo no primeiro dia de chuva, com apenas 10 minutos para a hora, saí do autocarro a correr, consegui apanhar outro ainda na avenida, mas mais adiante, que vinha de Alvalade. Corri muito, mas quem corre sempre alcança. Já fiz, de autocarro e de inverno, este percurso em 9 minutos. Que este passe a consumir mais de 35 é um absurdo que desagradou a todos cujo destino é igual ao meu. Todos chegaram atrasados aos empregos.

Ainda por cima, estão a fazer obras ali na esquina da Avenida do Brasil com o Campo Grande. Não entendo é porquê. Aliás, todas as obras que aquela avenida está a sofrer são pontos de interrogações para mim. No lugar mencionado, o que parece é que estão a levantar as pedras da calçada para voltar a colocar no mesmo lugar. Mas já que falo em obras, as que mais despropositadas me parecem, são as que estão a ser feitas na orla do Jardim da Avenida do Brasil. Estão a colocar estacas de madeira a separar o passeio do início do jardim e, mais uma vez, sem ser para tirar e voltar a por pedras de calçada no lugar, não vejo o propósito. Aliás, julgo que em termos de manutenção, a presença das estacas só vem estragar tudo. O lixo vai ficar aprisionado contra a vedação, escondido, oculto e pernicioso. Ao sofrer actos de vandalismo, ficam mais feias ou a necessitar de reparação, que tarda ou nem chega a chegar. E tudo para quê?? Ainda não entendi. Julgo que é uma obra totalmente desnecessária e isso faz-me ficar triste com quem anda a mandar na Câmara Municipal de Lisboa.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Onde está o cartaz?

Faz algum tempo que não escrevo aqui sobre a experiência diária como utente da Carris. Utende profissional, já que os autocarros são o veículo de deslocação desde os 9 anos de idade, altura em que andava com o passe enfiado numa carteirinha que carregava num cordão à volta do pescoço... ah, infância!

Bem, tenho estado constipada e o facto de, na véspera de aparecerem os sintomas, duas pessoas terem tossido para cima de mim estando no autocarro, não deve ser coincidência. É algo que ainda me perturba: observar a falta de gestos de educação e cortesia ou mesmo, segurança, uma vez que já chove lá fora e dizem os especialistas que os casos de Gripe A vão triplicar nesta altura...

Uma mulher perturbou-me em especial porque, com tanto espaço no autocarro, foi segurar-se no corrimão superior ao meu lado. Eu viajava sentada num banco individual de costas para o sentido do movimento do veículo. Pois assim que ali "pousou", a senhora tosse para cima de mim! Há descarada! Na boa! Que coisa! Logo depois, a mulher sentada no banco paralelo ao meu levanta-se e a senhora de blaiser azul claro senta-se no lugar desta. Não podia ter tossido aí? Não podia ter tossido antes de entrar no autocarro? Porquê, digam lá, porquê assim que ambas as mãos agarraram o corrimão, ela teve de tossir? Nem tentou desviar o pescoço... tsc, tsc, tsc!

Mas nesse dia fiz um "teste" e até me assustei. O que parecia uma coincidência, aconteceu algumas vezes para deixar de ser. Sentada naquele lugar, preocupei-me em olhar sempre para fora do autocarro. Por vezes dá vontade de olhar em redor e, quando o fazia, o som de alguém a tossir remetia-me de volta para a paisagem exterior. Quando voltava a olhar para o interior, mais alguém tossia. Há quarta coincidência decidi não olhar mais para dentro do autocarro!

E quando olhei para a mulher do blaizer azul...

Ok. Está visto. Dito assim, parece que tenho uma mania ou atraio estas coisas. Devo ter algo que causa alergia. Mas uma coisa digo: a DGS está de parabéns pelos alertas e comunicados que faz à população. Se esta ainda não adoptou os comportamentos necessários, não é por falta de aviso. Já a Carris... tirando umas parcas vezes há 3 meses atrás em que entrei num autocarro com aquele cartaz meio inofensivo e nada de percepção imediata (o das esferas de água que mencionava a Gripe A), nunca mais encontrei UM ÚNICO cartaz ali, para lembrar as pessoas o que está em causa cada vez que entram no autocarro. Aqui acho que a Carris falha e, sinceramente, não esperava tal coisa. Com tamanha divulgação, não pensei que o interior dos autocarros fosse o local onde a coisa ia passar despercebida. Aposto que, se enchessem aquilo de cartazes, as pessoas se lembrariam de não tossir à toa...

E ainda falta saber, afinal, sobre a desinfecção das superfíceis... os autocarros terão sequer tempo para essa manutenção, quando, antes, nem pareciam ser limpos? Imaginem, nenhum detergente naqueles corrimões, os imensos "rabiosques" que se sentam em apenas uma hora num daqueles assentos de pano... o piso que, quando chove, os pingos de água dos guarda-chuvas traçam riscos de óleo... e a gripe A... É caso para perguntar: quem inspecciona isto? Havendo o alerta, quem, do governo, decide nomear uma comissão que ordene as entidades privadas como a Carris a garantir aos cidadãos que todos os cuidados para não facilitar a dissiminação da doença estão a ser tomados?

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Um gesto cordial compensa...

Já tiveram a sensação que certa coisa conveniente que aparece no instante em que a desejas, só acontece porque acabaste de ter um gesto idêntico?
Ás vezes acredito que isso me acontece. Por exemplo hoje.

Ia a sair da camioneta para atravessar a estrada. Nesse preciso momento, 4 veículos encontram-se a querer passar nesse mesmo local. Um a curvar para a direita, outra da direita para a esquerda, outro da esquerda para a frente, e outro da frente para trás... um autêntico "nó" de viaturas, composto de: um autocarro da Carris, duas camionetas de transporte de passageiros e uma carrinha de caixa fechada de transporte de mercadorias.

Queria atravessar para chegar logo à paragem do autocarro sem me atrasar mas decidi dar prioridade aos motoristas e deixar aquele "nó" de trânsito desatar. Muitas vezes dou por mim a pensar nesta chata coincidência. Tantos segundos tem o minuto e é no instante em que vou para atravessar, que surgem carros por todos os lados. Diverti-me um pouco com a ideia, senti um pouco de bom humor.

Duas pessoas passaram na frente e enfiaram-se pelo meio das viaturas. Mas eu esperei. Quando finalmente cada uma foi para o seu sítio, pude vislumbrar um pouco de alguma coisa e o que vi foi um autocarro da Carris a se aproximar da paragem onde já poderia estar, se tivesse atravessado logo a estrada. Fiquei um triste, porque perdê-lo podia significar ficar à espera de outro por algum tempo. Eis que dou uns passos, e surge outro. Decido correr. Tendo passado um apenas à segundos, a paragem, fora da vista, estaria quase vazia e isso quer dizer que a quantidade diminuta de passageiros para entrar iria fazer com que o autocarro não se demorasse estacionado. Assim que cheguei perto, ele arrancou. Respirei fundo e olhei para o lado, quando percebo que o motorista me viu, parou, e abriu a porta.

Para o «anónimo» que comenta aqui que este blogue é uma perseguição aos motoristas, espero que esta entrada o deixe mais feliz. Escrevo para agradecer e sublinhar o gesto que, de vez em quando, também acontece na Carris. Nem tudo é mau! O factor humano faz toda a diferença.

Agradeci ao motorista e até fiquei constrangida. Entrei e teria de sair dali a poucas paragens, pois o primeiro autocarro que apanho é sempre transitório, que me leva até outro, esse sim, que vai para as minhas bandas. É estranho sentir assim, já que não há razão para isso. A própria Carris faz as carreiras de modo a ser necessário ir de A para B, no autocarro Y e Z. Então, ao invés de sair na que devia, saí noutra mais à frente, só para justificar que o gesto do motorista foi precioso, apesar da distância.

E foi mesmo. Em 4 minutos surgiu o segundo autocarro e assim pude entrar nele. Caso contrário, não conseguiria. Só esse tempo é o que preciso para fazer uma curta distância a pé.

Portanto, não importa se a distância a percorrer é mais ou menos longa. O gesto do motorista foi refrescante e agradável. Ele não sabia que ia perder aquele autocarro, tal como perdi o primeiro, por ter cedido passagem a outros motoristas. E assim, achei que é a forma que o Universo encontra para se comunicar, para passar mensagens, ensinamentos. Se estenderes a mão a alguém, alguém estenderá a mão a ti.

E assim, a cordialidade compensa!

Agora... uma vez na paragem para entrar no segundo autocarro, volto a ter um gesto de cordialidade, ao ceder passagem às pessoas que se encontravam ali em primeiro lugar. Como estas estavam mais afastadas da porta que eu, existiu uma fracção de segundos em que fiquei parada para os deixar passar. Uma senhora atrás de mim refila algo do género: "já que ficam aí e não querem entrar, entro eu". E passa-me à frente, enfiando-se no autocarro, seguida de outra que vinha de lado, também muito apressada e sem respeitar a ordem de chegada. Gosto de ceder passagem a quem está a aguardar o autocarro à mais tempo que eu, mas não gosto que outros que chegam depois me passem à frente. Se encontrar um lugar para me sentar e o ocupar, se outra pessoa precisar visivelmente dele, cedo-o. Por isso, não há porquê querer passar na frente com tanta pressa. Não roubo o lugar a ninguém. Até viajo, a maior parte das vezes, de pé!

Já é a segunda senhora que, ali, diz algo do género. Uma outra, a semana passada, gritou "vamos a despachar! Esta gente não quer entrar!" - mas essa parecia ter um ar meio alucinado. A mulher que passou na minha frente, uma vez no interior, moveu-se mais lentamente que a minha velocidade de passo normal e eu, colada a ela, não estive para "passinhos de bebé". Sentindo que estava a ser empurrada por quem vinha atrás, também não deixei de deixar de apressar a apressada mulher que, afinal, não era tão rápida assim.

Em conclusão: as pessoas estão a perder a paciência e a cordialidade. Ás vezes, eu também não tenho muita paciência para a vagarosidade das pessoas a entrar, a sair, ou tempo que levam para encontrar o cartão e passá-lo na máquina, ficando ali a bloquear a passagem. Mas não é preciso "saltar a tampa!".

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Saídas forçadas

Já me aconteceu um certo número de vezes e acho que é algo que merece referência. Volta e meia, quando não estou entre as primeiras da fila para sair do autocarro, acaba que, por vezes, a porta se fecha ainda comigo a descer os degraus. Quase fico entalada na porta, tendo mesmo, chegado a ficar. E isso deixa-me muito decepcionada. Qual é a pressa? Para quê esse gesto?

Algumas vezes dou prioridade às pessoas que se aglomeram nas portas de saída e se enfiam umas entre as outras, quase se atropelando em encontrões, para sair o mais rapidamente possível. Essa pressa em ser o primeiro a chegar "à meta" (ou não ser o último) é algo que já analizei num outro post. Pessoalmente, acho que podemos ser rápidos sem ser apressados. Sem precisar pisar alguém, dar encontrões, deixar nódoas negras... entendem? Uma vez fui pisada por uma senhora e gritei «Aí!» um pouco alto, ao que ela se surpreendeu. Mas foi tão rápida a correr para sair que o meu dedo ainda latejava de dor, já ela estava fora do autocarro. Era já a 3ª pisadela que eu levava naquela curta viagem e ela me pisou com força e precisão no meu dedo machucado.

Já aqui disse e volto a repetir. Sou bem ágil e rápida a me movimentar, mas não gosto de atropelos. Daí que, quando vou a sair pela porta, muitas vezes tenho de esperar que a pessoa à frente deixe o caminho livre. É que há outro factor interessante em tudo isto: as pessoas têm uma pressa enorme em serem as primeiras a sair, mas, assim que estão nos degraus, perdem velocidade e, não raramente, viram obstáculos a quem ainda precisa sair. Principalmente quando, uma vez fora e do lado da porta, ficam parados, ainda a decidir para que lado virar. Quem vem atrás tem de parar e esperar que saiam da frente para poder descer.
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Ora, comigo já aconteceu que o motorista carrega logo no fechar das portas ainda a pessoa à minha frente está a descer os degraus. O motorista, ou não sabe isso ou calcula, erradamente, que a capacidade de locomoção da pessoa é maior que a que eventualmente é. Claro... eu podia dar um encontrão na pessoa e atirá-la ao chão, mas não me parece... Então, fico com aquele "nervoso miúdinho".  Quando o meu pé atinge o chão, já as portas estão a roçar nas minhas costas. Não é algo que me agrade. Acho que revela um lado feio do ser humano, que está ali meio oculto, mas que ele decide à mesma dar ouvidos. É uma forma de descarregar uma frustração pessoal em cima de alguém. Paga um por todos ou nenhum... sei lá! Só acho mais graça a isto quando o motorista vem devagar, faz questão de abrandar para apanhar os semáforos vermelhos e, depois, subitamente, quando abre as portas para os passageiros sairem, é que sente pressa :)!

Também acontece uma pessoa estar atrás de alguém que vai descer e outra pessoa ao lado dessa pessoa também está a descer e é uns milésimos de segundo mais rápida. Acho que todos esperam que o comportamento seguinte seja este: sair detrás da pessoa que ainda está a descer para se enfiar na abertura entretanto livre e sair a correr. É isso que muitas vezes acontece. A maior parte das vezes, até desço mais rapidamente que a pessoa que estava na frente e ficou ao lado. É que uns precisam descer com firmeza, outros agarram-se ao corrimão, outros descem, dão uma virada e saiem de costas... tudo rápido, mas lento, para quem (ainda) sai do autocarro com um pé diante de outro sem se segurar a nada.

Mas, de todas as vezes que senti que a porta se fechou precipitadamente, a que mais me incomodou foi a vez da saia rodada. A senhora que descia à minha frente usava uma saia comprida. Ao descer, a deslocação do ar eleva a saia e faz um "balão". O meu pé quase que a pisa mas consigo me segurar e descer já a saia da senhora não se apresenta como uma ameaça. Porém, as portas começaram a fechar ainda a bainha da saia estava cá em cima...

Outras poucas vezes, sou só eu a sair e estou na porta. Não é que também acontece? Não sou nada vagarosa, já disse... será que é porque esperam que uma pessoa desça do autocarro pela abertura enquanto as portas ainda se movimentam?

Também observei um comportamento contrário. Um homem, alto, negro, a dar risadas e a falar alto (só entendi a palavra "arma"), esperou o autocarro parar para se levantar e se dirigir para a porta. Mas não parecia tem muita pressa, pois parou a meio para ajeitar a sandália. Ainda se reteve uns instantes na conversa com alguém que ficou para trás. O motorista então, carregou no fechar das portas. O homem não reagiu abrindo os olhos e mostrando ficar alarmado, como os Portugueses fazem (o homem não era Português). Aop invés, na direcção do motorista, pronunciou algo em voz alta, esbracejou ligeiramente e, em segundos, a porta abriu novamente, antes mesmo de fechar totalmente.

Comecei a pensar no poder da intimidação... outra pessoa qualquer teria aquela porta fechada a mais tempo e o autocarro em movimento, visto que o homem era o único a sair naquela paragem e não chegou à porta atempadamente. Mas o medo, ou outra coisa qualquer, o desconhecido, faz as pessoas terem mais cautela... no geral, um motorista sabe como é que um português reage a este tipo de situação. Mas um estrangeiro, alto, à vontade...? É melhor não abusar! Até acho que o homem se demorou um pouco demais e aí estava a ser indelicado, mas creio que não teve intenção e há coisas mais preocupantes no mundo...

Ontem choveu muito em Lisboa, logo pela manhã. Foi trovoada demorada, seguida de uma forte chuva, que, como sempre, teve o poder de alagar estradas e passeios.

Dentro do autocarro, um passageiro que se encontrava à porta de saída, ao sentir o abrandamento do veículo na proximidade da paragem, pediu ao motorista para andar mais um pouco para a frente, porque ali o chão estava alagado. Um outro passageiro, também homem de meia idade, sentado na frente do veículo, num segundo grita, virando-se para trás:
 - "Tenha calma que o homem ainda não parou! Ainda não chegou à paragem, olhe lá a pressa! Não percebo porquê tanta pressa! Ainda não parou!"

O outro passageiro muito educadamente pediu desculpa e ainda tento justificar que falou porque viu o chão cheio de água e pensou que o autocarro ia abrir as portas. Da sua boca ouvi pelo menos 3 "obrigados". Foi educado. O outro, longe disso. Afinal, uma pessoa já não pode, com educação, cometer um equívoco, que é massacrado! Há uma espécie de ira nas pessoas, que gostam de revelar com certas e pequenas miúdezas essa raiva mesquinha.

Numa  paragem de autocarro da Carris, noutro dia, assisti a um daqueles confrontos entre automobilistas que, por alguma razão, decidem parar no meio da via e começar a buzinar e a barafustar dentro dos seus fechados carros, gritando obscinidades com o vidro da janela fechado. Um carro que vinha atrás teve tempo para ver a situação e parar mas, como isso lhe era um inconveniente, decidiu que tinha toda a legitimidade para explodir de raiva. E, é curioso, o passageiro no banco do pendura é que parece ser o que mais gosta de gritar! A rapariga jovem colocou o pescoço fora da janela e logo desatou a gritar: Mer..! Car!!!

Toda esta cena demorou 5 segundos. As 3 viaturas arrancaram de imediato e seguiram rumo estrada acima. Ainda ouvi, já longe, mais umas buzinadelas... mas digam lá: 5 segundos, é preciso saltar logo a tampa?

Aré Bába!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Gripe A..tchim!

Li num jornal gratuito que PORTUGAL é o SEGUNDO país a ter mais casos de gripe A por cada 100 mil habitantes. Há frente vai a muito cosmopolita Londres, onde milhares de turistas e pessoas de todas as nacionalidades estão de passagem apenas por uns dias...
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Dito assim, com números e factos, é preocupante. Os avisos de como proceder e o nº de telefone a contactar estão por todo o lado, em outdors publicitários, nas páginas de revistas e jornais... talvez devessem estar também nos autocarros da carris (ainda não vi o cartaz da tosse e espirros, só o das esferas de água). E digo isto porque tenho estado a olhar para as pessoas, cada vez que uma delas espirra ou tosse. Posso realmente dizer que, desde o tempo que estou a observar, NENHUMA pessoa procedeu nem remotamente na proximidade das indicações da direcção geral de saúde. Há excepção de uma senhora de alguma idade ontem, que tirou a mão da trave para tossir nela e voltou a agarrar-se no poste.
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Em suma: as pessoas, por alguma razão, não ligam nenhuma aos hábitos de prevenção da propagação de doenças infecto-contagiosas, como a gripe A. Ou por acharem que não estão contaminadas e por isso podem tossir para o ar calhe onde calhar, ou simplesmente não sabem adquirir um bom hábito, nem que isso as possa, eventualmente, matar...