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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Reprimenda eficaz

Estava no autocarro e entro ao mesmo tempo que uma mulher jovem, com ar adoentado. Esta senta-se num banco individual, mesmo em frente a outra pessoa. E tosse tanto, que não se escuta outra coisa. É então, para minha surpresa, que um senhor mais afastado daquele lugar lhe diz:
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-"Ó minha senhora, não lhe ensinaram a tapar a boca com a mão quando tosse? Está para aí a largar os micróbios para cima das outras pessoas! Isso não se faz!"
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A mulher olhou para ele e manteve-se em silêncio absoluto. Porém, o seu olhar revelou um tanto de ira, que engoliu junto com a tosse. A verdade seja dita: a reprimenda foi eficaz. A jovem deixou até de tossir. Antes, não paráva. Ficou que tempos sem sinais de uma convulsão e, quando tossiu, foi apenas por duas vezes, um pouco contido, levando a mão à boca. Sim senhor! Assim devia ser sempre. Afinal, entrou no autocarro a tossir "à grande e à francesa", como se não estivesse num lugar público, mas em casa...
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O homem tinha razão. E nem foi mal educado. Simplesmente teve a coragem de dizer o que muitos de nós muitas vezes pensa para dentro, mas não verbalizamos.
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Infelismente, outra pessoa que entrou no autocarro e desconhecia a situação, decidiu tossir, também, sem tapar a boca ou se preocupar quem estava na sua frente. As pessoas não aprendem...
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Já o disse aqui, antes mesmo da GRIPE A estar a preocupar toda a gente: não temos o BOM hábito e educação para este simples gesto. Somos nojentos, porque tossimos e expelimos os germes para cima dos outros, sem dó nem piedade. Em algumas coisas somos todos esquisitos e críticos. Atiramos a primeira pedra. Noutras, como nesta, esquecemos os bons modos. Nem mesmo no paronama actual de surto, as pessoas demostram ter discernimento...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Onde está o cartaz?

Faz algum tempo que não escrevo aqui sobre a experiência diária como utente da Carris. Utende profissional, já que os autocarros são o veículo de deslocação desde os 9 anos de idade, altura em que andava com o passe enfiado numa carteirinha que carregava num cordão à volta do pescoço... ah, infância!

Bem, tenho estado constipada e o facto de, na véspera de aparecerem os sintomas, duas pessoas terem tossido para cima de mim estando no autocarro, não deve ser coincidência. É algo que ainda me perturba: observar a falta de gestos de educação e cortesia ou mesmo, segurança, uma vez que já chove lá fora e dizem os especialistas que os casos de Gripe A vão triplicar nesta altura...

Uma mulher perturbou-me em especial porque, com tanto espaço no autocarro, foi segurar-se no corrimão superior ao meu lado. Eu viajava sentada num banco individual de costas para o sentido do movimento do veículo. Pois assim que ali "pousou", a senhora tosse para cima de mim! Há descarada! Na boa! Que coisa! Logo depois, a mulher sentada no banco paralelo ao meu levanta-se e a senhora de blaiser azul claro senta-se no lugar desta. Não podia ter tossido aí? Não podia ter tossido antes de entrar no autocarro? Porquê, digam lá, porquê assim que ambas as mãos agarraram o corrimão, ela teve de tossir? Nem tentou desviar o pescoço... tsc, tsc, tsc!

Mas nesse dia fiz um "teste" e até me assustei. O que parecia uma coincidência, aconteceu algumas vezes para deixar de ser. Sentada naquele lugar, preocupei-me em olhar sempre para fora do autocarro. Por vezes dá vontade de olhar em redor e, quando o fazia, o som de alguém a tossir remetia-me de volta para a paisagem exterior. Quando voltava a olhar para o interior, mais alguém tossia. Há quarta coincidência decidi não olhar mais para dentro do autocarro!

E quando olhei para a mulher do blaizer azul...

Ok. Está visto. Dito assim, parece que tenho uma mania ou atraio estas coisas. Devo ter algo que causa alergia. Mas uma coisa digo: a DGS está de parabéns pelos alertas e comunicados que faz à população. Se esta ainda não adoptou os comportamentos necessários, não é por falta de aviso. Já a Carris... tirando umas parcas vezes há 3 meses atrás em que entrei num autocarro com aquele cartaz meio inofensivo e nada de percepção imediata (o das esferas de água que mencionava a Gripe A), nunca mais encontrei UM ÚNICO cartaz ali, para lembrar as pessoas o que está em causa cada vez que entram no autocarro. Aqui acho que a Carris falha e, sinceramente, não esperava tal coisa. Com tamanha divulgação, não pensei que o interior dos autocarros fosse o local onde a coisa ia passar despercebida. Aposto que, se enchessem aquilo de cartazes, as pessoas se lembrariam de não tossir à toa...

E ainda falta saber, afinal, sobre a desinfecção das superfíceis... os autocarros terão sequer tempo para essa manutenção, quando, antes, nem pareciam ser limpos? Imaginem, nenhum detergente naqueles corrimões, os imensos "rabiosques" que se sentam em apenas uma hora num daqueles assentos de pano... o piso que, quando chove, os pingos de água dos guarda-chuvas traçam riscos de óleo... e a gripe A... É caso para perguntar: quem inspecciona isto? Havendo o alerta, quem, do governo, decide nomear uma comissão que ordene as entidades privadas como a Carris a garantir aos cidadãos que todos os cuidados para não facilitar a dissiminação da doença estão a ser tomados?

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Um gesto cordial compensa...

Já tiveram a sensação que certa coisa conveniente que aparece no instante em que a desejas, só acontece porque acabaste de ter um gesto idêntico?
Ás vezes acredito que isso me acontece. Por exemplo hoje.

Ia a sair da camioneta para atravessar a estrada. Nesse preciso momento, 4 veículos encontram-se a querer passar nesse mesmo local. Um a curvar para a direita, outra da direita para a esquerda, outro da esquerda para a frente, e outro da frente para trás... um autêntico "nó" de viaturas, composto de: um autocarro da Carris, duas camionetas de transporte de passageiros e uma carrinha de caixa fechada de transporte de mercadorias.

Queria atravessar para chegar logo à paragem do autocarro sem me atrasar mas decidi dar prioridade aos motoristas e deixar aquele "nó" de trânsito desatar. Muitas vezes dou por mim a pensar nesta chata coincidência. Tantos segundos tem o minuto e é no instante em que vou para atravessar, que surgem carros por todos os lados. Diverti-me um pouco com a ideia, senti um pouco de bom humor.

Duas pessoas passaram na frente e enfiaram-se pelo meio das viaturas. Mas eu esperei. Quando finalmente cada uma foi para o seu sítio, pude vislumbrar um pouco de alguma coisa e o que vi foi um autocarro da Carris a se aproximar da paragem onde já poderia estar, se tivesse atravessado logo a estrada. Fiquei um triste, porque perdê-lo podia significar ficar à espera de outro por algum tempo. Eis que dou uns passos, e surge outro. Decido correr. Tendo passado um apenas à segundos, a paragem, fora da vista, estaria quase vazia e isso quer dizer que a quantidade diminuta de passageiros para entrar iria fazer com que o autocarro não se demorasse estacionado. Assim que cheguei perto, ele arrancou. Respirei fundo e olhei para o lado, quando percebo que o motorista me viu, parou, e abriu a porta.

Para o «anónimo» que comenta aqui que este blogue é uma perseguição aos motoristas, espero que esta entrada o deixe mais feliz. Escrevo para agradecer e sublinhar o gesto que, de vez em quando, também acontece na Carris. Nem tudo é mau! O factor humano faz toda a diferença.

Agradeci ao motorista e até fiquei constrangida. Entrei e teria de sair dali a poucas paragens, pois o primeiro autocarro que apanho é sempre transitório, que me leva até outro, esse sim, que vai para as minhas bandas. É estranho sentir assim, já que não há razão para isso. A própria Carris faz as carreiras de modo a ser necessário ir de A para B, no autocarro Y e Z. Então, ao invés de sair na que devia, saí noutra mais à frente, só para justificar que o gesto do motorista foi precioso, apesar da distância.

E foi mesmo. Em 4 minutos surgiu o segundo autocarro e assim pude entrar nele. Caso contrário, não conseguiria. Só esse tempo é o que preciso para fazer uma curta distância a pé.

Portanto, não importa se a distância a percorrer é mais ou menos longa. O gesto do motorista foi refrescante e agradável. Ele não sabia que ia perder aquele autocarro, tal como perdi o primeiro, por ter cedido passagem a outros motoristas. E assim, achei que é a forma que o Universo encontra para se comunicar, para passar mensagens, ensinamentos. Se estenderes a mão a alguém, alguém estenderá a mão a ti.

E assim, a cordialidade compensa!

Agora... uma vez na paragem para entrar no segundo autocarro, volto a ter um gesto de cordialidade, ao ceder passagem às pessoas que se encontravam ali em primeiro lugar. Como estas estavam mais afastadas da porta que eu, existiu uma fracção de segundos em que fiquei parada para os deixar passar. Uma senhora atrás de mim refila algo do género: "já que ficam aí e não querem entrar, entro eu". E passa-me à frente, enfiando-se no autocarro, seguida de outra que vinha de lado, também muito apressada e sem respeitar a ordem de chegada. Gosto de ceder passagem a quem está a aguardar o autocarro à mais tempo que eu, mas não gosto que outros que chegam depois me passem à frente. Se encontrar um lugar para me sentar e o ocupar, se outra pessoa precisar visivelmente dele, cedo-o. Por isso, não há porquê querer passar na frente com tanta pressa. Não roubo o lugar a ninguém. Até viajo, a maior parte das vezes, de pé!

Já é a segunda senhora que, ali, diz algo do género. Uma outra, a semana passada, gritou "vamos a despachar! Esta gente não quer entrar!" - mas essa parecia ter um ar meio alucinado. A mulher que passou na minha frente, uma vez no interior, moveu-se mais lentamente que a minha velocidade de passo normal e eu, colada a ela, não estive para "passinhos de bebé". Sentindo que estava a ser empurrada por quem vinha atrás, também não deixei de deixar de apressar a apressada mulher que, afinal, não era tão rápida assim.

Em conclusão: as pessoas estão a perder a paciência e a cordialidade. Ás vezes, eu também não tenho muita paciência para a vagarosidade das pessoas a entrar, a sair, ou tempo que levam para encontrar o cartão e passá-lo na máquina, ficando ali a bloquear a passagem. Mas não é preciso "saltar a tampa!".

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Gripe A..tchim!

Li num jornal gratuito que PORTUGAL é o SEGUNDO país a ter mais casos de gripe A por cada 100 mil habitantes. Há frente vai a muito cosmopolita Londres, onde milhares de turistas e pessoas de todas as nacionalidades estão de passagem apenas por uns dias...
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Dito assim, com números e factos, é preocupante. Os avisos de como proceder e o nº de telefone a contactar estão por todo o lado, em outdors publicitários, nas páginas de revistas e jornais... talvez devessem estar também nos autocarros da carris (ainda não vi o cartaz da tosse e espirros, só o das esferas de água). E digo isto porque tenho estado a olhar para as pessoas, cada vez que uma delas espirra ou tosse. Posso realmente dizer que, desde o tempo que estou a observar, NENHUMA pessoa procedeu nem remotamente na proximidade das indicações da direcção geral de saúde. Há excepção de uma senhora de alguma idade ontem, que tirou a mão da trave para tossir nela e voltou a agarrar-se no poste.
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Em suma: as pessoas, por alguma razão, não ligam nenhuma aos hábitos de prevenção da propagação de doenças infecto-contagiosas, como a gripe A. Ou por acharem que não estão contaminadas e por isso podem tossir para o ar calhe onde calhar, ou simplesmente não sabem adquirir um bom hábito, nem que isso as possa, eventualmente, matar...

sábado, 15 de agosto de 2009

Deslocação em Lisboa com a CARRIS

Pensar ir em algum lado em Lisboa, de transportes públicos, é totalmente inviável quando a opção é a CARRIS. Como é que querem que as pessoas optem por este transporte, se essa escolha implica PERDER HORAS em viagem?!

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Bolas! Lisboa não é uma MEGA-CAPITAL, como Londres e assim. Não se justifica deslocações de A para B que levem mais de uma hora! Nesse espaço de tempo, vê-se um filme na televisão (com as esperas e atrasos, um filme incluindo os intervalos para publicidade) e não se fica com o corpo todo muído de tantos solavancos nem cansado do calor e do movimento.

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Fiz o teste. Pensei em dar um «pulinho» até Sesimbra. Estou a precisar ver o mar e cheirar a maresia. Uma pausa para energizar o facto de ficar o fim-de-semana agarrada ao computador a trabalhar. Decidi partir de um ponto central de Lisboa - O PARQUE DAS NAÇÕES, até o terminar rodoviário dos transportes-Sul, na PRAÇA DE ESPANHA. Recorri ao site da Transpolis, aqui recomendado por um leitor deste blogue. OK! Só a viagem DENTRO de LISBOA leva mais tempo que o percurso até Sesimbra!

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Leitura:

Distância: Menos de 1 Km

Deslocação: 1 hora e 11 minutos.

Tempo estimado de espera: 38 minutos.

Distância pedonal até destino: 63 metros

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É muito desapontante e faz com que os Lisboetas sem CARRO sejam uns vegetais, presos a casa ou adidos frequentadores dos Centros Comerciais. Não gosto tanto assim destes últimos.... acho que vou ter de me contentar com o Tejo! Quanto tempo será que leva para lá chegar?

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Um "obrigada"

Enquanto fazia o habitual trajecto para casa num autocarro articulado, os solavancos fizeram-me lembrar de um episódio passado há uns anos.

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Uma vez fazia este mesmo percurso e comecei a estranhar algo... não sabia bem dizer o que era... estava quase a descobrir qual era a estranheza daquela viagem quando, derepente, entendi: não estava a sentir quaisquer solavancos! As travagens eram suaves, o arranque suave... uma delícia!

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Acreditem: fiquei quase como que um monge budista a "curtir" tamanha serenidade. Ou seja: Foi tão estranha esta «nova sensação»! Sabem o que fiz? Antes de sair, desloquei-me até ao motorista e cumprimentei-o por conduzir bem.
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O homem não disse nada, não fez nenhum gesto, apenas olhou para mim com um ar com um tanto de estranheza.

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Deve ter achado que era maluca. Afinal, se fosse até ele para disparatar, reclamar, gritar, ou insultar, na sociedade de hoje é mais comum que fazer elogios. Mas eu estava decidida. Já tinha tomada a resolução: mesmo que me achasse doida, ia até lá dizer-lhe que é raro andar num autocarro e sentir que se anda bem.

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Tomara que fosse sempre assim. Acredito que nós, portugueses que andam nos autocarros da Carris, não sabemos o que isso é. Se um dia viessemos a experimentar a suavidade do transporte colectivo de muitas rodas, não queriamos outra coisa! É algo semelhante a fazer férias todos os anos no quintal e derepente, ir até Punta Cana!

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Porque andar com suavidade num autocarro da Carris é uma experiência rara, este episódio já estava no fundo do esquecimento, até que a sua excepcionalidade o trouxe de novo ao de cima... Para o partilhar com quem me lê!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

A inutilidade da informação CARRIS

Há já uns tempos que este tópico está a mercer destaque. Decidi que era hoje, após uma experiência frustrante a semana passada.
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Há coisa de dois meses ou três, dei conta que o site da Carris mudou de rosto. É lá que vou, quando preciso descobrir um autocarro. A busca está diferente e totalmente ineficaz! Mudaram aquilo para pior... não é típico português??

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Quem quer descobrir os autocarros para um determinado percurso tem de escrever a morada do ponto de partida para o de chegada. Até aqui tudo bem. Mas... e funcionar?
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Experimentem. Só assim vão conseguir entender. Na versão anterior, este método de busca era mais eficaz, pois à medida que se ia escrevendo, as opções iam aparecendo. Agora, embora nas instruções façam referência que é assim que acontece, não é. Com tempo, já tentei pesquisar no site da Carris vezes suficientes para concluir que não se trata de uma falta de habilidade minha: a coisa é mesmo frustrante! Sabem até que ponto... apetece atirar uma coisa ao ar ou desatar a dizer palavrões. Pois é assim...
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A semana passada fui insistente. Quis porque quis e teimei que ia conseguir a informação desejada. Andei pelo site que tempos. A tentar pacientemente obter a informação desejada no tal campo de busca "origem" "destino". Frustrante. Nunca deu.



Então, decidida a conseguir a informação desse por onde desse, fui pesquisar nas carreiras. Mas a única forma de descobrir qual o autocarro que passa numa determinada RUA, é consultanto TODAS as carreiras. Tentei fazer exclusão de partes, mas não tive sorte. Optei então por uma terceira via: o contacto telefónico.
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Ainda no site da Carris, procurei por toda a parte o número de ATENDIMENTO ao utente. Um daqueles 800 qualquer-coisa, ou outro específico para o atendimento directo ao utente. A maioria das companhias hoje em dia facultam este tipo de serviço. Até enerva! Mas de todos os contactos fornecidos, nenhum pareceu ser especificamente para casos assim.
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(Reparem... isto tudo para conseguir uma informação simples que, se bem organizada e funcional, estaria disponível num clique de rato em menos de um minuto)...
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Continuando o relato:
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Não querendo ir parar a outro departamento, decidi obter o número de Atendimento ao Cliente da Carris, através das informações. Liguei para o 118, que me deu um número. Deram-me (claro) um número da Carris. Mas não era específicamente o correcto.

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Do outro lado, o senhor que atendeu foi simpático e procurou ajudar, embora também ele estivesse «às escuras». Pediu-me que aguardasse um pouco na linha enquanto ia averiguar. Entretanto facultei-lhe mais informações sobre o autocarro que procurava (já tinha andado nele há 2 anos, mas não lembrava o número, só parte do trajecto) e, alguém ao seu lado que escutava a conversa, saiu-se com a solução: "Autocarro número 9".
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Boa! - pensei. Já tenho uma referência!
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Voltando ao site da Carris, à consulta das Carreiras, não encontro nenhum "9". Fico frustrada... decido então ligar para o número corecto de atendimento ao utente da Carris (213613000), entretanto obtido através do simpático senhor com quem falei primeiramente ao telefone. Com isto, já estava a sentir alguma inquietação, ao ver o tempo a passar e nada de saber como chegar ao destino por AUTOCARRO.

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Marco os dígitos e uma gravação informa para carregar em números do teclado do telefone, consoante o serviço procurado. Pressiono a tecla 1 e fico a ouvir música. Mas sabem quando se detecta que a ligação nem sequer foi estabelecida? Quando se percebe que vais ouvir música por um longo tempo e ninguém vai atender? Pois foi assim.
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Desliguei e voltei a ligar o número, na esperança de sentir a ligação diferente mas, a música retomava exactamente no ponto onde tinha sido interrompida. Nem informam quantas chamadas tinha à frente, nem fez mais que um toque de sinal de chamada. A música entrava de imediato.
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Numa das muitas tentativas, finalmente alguém atendeu. Mais uma vez, parece que liguei para o número errado… e, mais uma vez, a simpatia da pessoa do outro lado procurou ajudar. Consultando ela própria o site da Carris, estava a ter dificuldade em conseguir descobrir o percurso. Na verdade, estava a ir pelo Google e até me disse que o método de busca só funciona em caso de percursos directos. O que, na Carris, convenhamos, não existe!
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Acabou por me facultar um… composto de TRÊS autocarros e o resto do percurso A PÉ! Convenhamos, um absurdo! A pessoa até estava a sentir um tanto de embaraço por indicar um percurso tão despropositado. Talvez por isso, tentou outro caminho. Não esqueço que fez referência a ser do “tempo” em que os autocarros não tinham sofrido mudanças. Pois… também eu sou desse “tempo”. A lógica dos utentes tamb]em é desse tempo. Mas a da administração, que não deve utilizar os seus veículos como forma de transporte, tem outra opinião…
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Resumindo uma má experiência, acabei, segundo as indicações desta última pessoa (que também me indicou um autocarro cujo percurso só existe como nocturno), na rua, a tentar apanhar um autocarro que me levasse até meio do percurso pretendido, para depois apanhar outro. Após uma caminhada e uma espera um tanto demorada (perdi o primeiro porque a parte de trás do veículo não tinha número) entrei num autocarro e lembrei de perguntar ao motorista se passava na referida rua. Ele nem a conhecia. Então perguntei-lhe se passava por um certo local, ele respondeu que «sim», perguntei se ia demorar muito e ele responde:
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-Quase uma hora!
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Hã!?? – disse, assustada.
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Andar em autocarros em Lisboa é mais demorado (e torturoso) que apanhar uma camioneta para Sesimbra! Metade do percurso ia «consumir» uma hora do meu já reduzido tempo. A outra metade ia levar quanto?
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Desisti. Pedi desculpas ao motorista, que tinha acabado de fechar a porta e pedi para sair. Cheguei a casa e telefonei para a pessoa que me esperava, pedindo desculpas, mas que já não chegaria a tempo e teríamos de adiar a visita para outro dia. Ela própria forneceu a solução para este enigma:

- “O filha, da próxima apanha um Táxi e chegas aqui à porta num instantinho”!
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Mais uma lição… vinda da lucidez de uma pessoa com 92 anos.


Notem que procurava uma informação rápida. De segundos. Minutos, no máximo. E perdi mais de duas horas do meu tempo...

A solução é o Táxi!

quinta-feira, 25 de junho de 2009

A vida nos carris

Para mim o transporte público ideal move-se por carris. Não basta ter o nome, à que andar sobre os trilhos!

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Eléctricos e comboios... existe por acaso algo melhor do que isto?
Rápidos, potentes, silenciosos, sacodem as pessoas 80% menos (se não mais) que os autocarros da Carris, etc...

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Hoje andei de comboio. Uma viagem longa (4 horas para cada lado) mas que passaram bem. Depois, apanhei o autocarro do costume para chegar a casa e... herrr! Que dores nas costas! Os poucos minutos de viagem foram mais agressivos que qualquer minuto das 8 horas de comboio! Chamei-as de «travagens das chicotadas» porque uma pessoa é bruscamente abanada de um lado para o outro até sentir aquela dor na base da coluna. É um alívio (esta é a palavra certa) quando termina. O martírio!...

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Bem, não venha alguém dizer que este texto acusa os motoristas. Eles lá conduzem o veículo, é verdade. Portanto, se calhar são os culpados. Mas aqueles autocarros compridos, os «lagarta» são os piores que há em circulação! Tenho a certeza que, anos a andar assim nos autocarros da Carris vão apresentar factura em muitos problemas médicos no futuro.

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Jinhos a todos! (e andem de comboio!)

quinta-feira, 4 de junho de 2009

O dia da pastilha

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Continua a ser a tosse, o flagelo que me persegue.

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De manhã, mal entrei no autocarro e consegui sentar-me num banco individual, pensando assim estar menos à mercê deste tipo de coisas, levei com a tosse de alguém do outro lado do corredor. Logo a seguir, tosse a pessoa atrás de mim, e de imediato a senhora à minha frente. Tosse que puxa tosse, pois a primeira volta a tossir, a segunda repete, a terceira repete, eu não queria acreditar nesta sina minha!

É tão surpreendente, que voltei a contar. 25 "tossidelas" ainda o bendito autocarro não tinha saído da estrada onde entrei. Mal passou o semáforo e fez a curva até a paragem seguinte, já ia em 35. Nem fazia meia dúzia de minutos de percurso e já todos há minha volta estavam a tossir, incansáveis.

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E sempre me pergunto: mas porquê eu?!

Com um autocarro tão comprido, daqueles «lagarta», porquê os que sempre tossem ficam ao meu redor? Outra pessoa tossia lá do fundo e contei com a sua contribuição para a contagem que fiz. Mas era só uma. E ao meu redor, eram todas as mais próximas. Ok. Se sou eu que sou bonita como uma flor e cheirosa como a primavera, devem ter alergia ao pólen ... :)
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Quem ler isto ainda pensa que são manias de uma maníaca, mas não são. Irrita-me um tanto, porque se eu consigo fazer viagens tranquila, sem incomodar alguém, porquê não consigo viajar tranquila? Ontem uma miúda que, com este calor, estava estranhamente a usar um casaco de lã felpudo, ia a meu lado a ler um livro e a mascar pastilha. Por causa da mastigação, um pernilongo escapou-lhe da boca e foi cair no meu braço. E por causa de estar a ler um livro, tinha os cotovelos todos para fora e picava-me o braço com o casaco de lã.

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Pronto, pronto! Talvez seja um pouco picuinhas, sei lá! Mas sou uma boa pessoa e se tossem à minha volta, deve ser porque têm alergia a pessoas bondosas, he, he, he!

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Porém confesso que começo, com a idade, a desenvolver mais a intolerância. Quem me conhece ia discordar e rir às bandeiras despregadas, mas sinto que tenho menos paciência e acho até que a idade trás isso. É um estatudo conquistado, pelos anos de «porrada». Daí a fama dos «velhinhos» ser que são uns chatos sempre descontentes, a embirrar com tudo...

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Na volta, no autocarro, o que me irritou bastante foi uma miúda sentada diante de mim, no banco de lado. Mascava pastilha de boca muito aberta. Uma visão pavorosa, à qual tentei em vão escapar. Viajava com um rapaz e um homem, que pareciam não estar incomodados com o espectáculo. O que mais me irritava nem era a boca toda aberta, vezes e vezes sem conta, a abrir e fechar para mascar a pastilha. Mas os barulhos sucessivos que fazia para arrebentar os balões. Aquilo era um estrondo! E conseguia fazer mais que um estalinho de cada vez, o que achei curioso porque, quem não soubesse, podia confundir o ruído com peidos.

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Mas devo ser só eu, que acho este tipo de coisas um pouco estranhas. Se fosse eu a miúda, a mascar pastilha assim, já levava uma repreenda. Se fosse num autocarro então, gritariam comigo a alto e bom som para ter maneiras que ali não é lugar para estar a mascar pastilha daquela maneira, que incomoda as pessoas.

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Ou então a culpa é desta educação que recebi e das noções com que fiquei.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Cheira a Lisboa


LISBOA hoje

Hoje andei em mais transportes públicos que os que habitualmente utilizo. Nomeadamente, de comboio! Adoro comboios. São rápidos, cómodos, eficazes. Quem dera que existissem sempre por todo o lado a preços baixos!


Os autocarros ficam presos no trânsito, parados em obstáculos diversos, cheiram mal... digam lá: como é que num autocarro que funciona das 6 ás 22.00 horas, ás 8.15 da manhã, quando o apanho, já cheira mal? Só pode ser porque não são diariamente limpos. Não existe a devida higiene. Onde os comboios não chegam, só deviam existir eléctricos!

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O percurso de hoje fugiu da rota habitual e tive de atravessar Lisboa de autocarro. Há algo que fere a emoção quando vejo o quanto é uma cidade maltratada. Tem uma beleza muito própria, é bonita, mas achovalhada. Suja, vandalizada. Nada tem a ver com a mítica Lisboa, com cujas qualidades aprendemos a sonhar. Noutro dia li na internet um comentário humorístico que contrapunha com factos actuais, cada parte da letra da música "Cheira bem, cheira a Lisboa".

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É que Lisboa assumiu outros odores. Embora ainda prevaleça a maresia, perfume de flores é mesmo coisa do passado. É uma cidade porca, com cheiro a urina e suor.

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Gosto muito de olhar para as fachadas antigas e Lisboa é rica e bela nestes ornamentos arquitectónicos. Mas hoje fiquei mal quando o percurso do autocarro me mostrou grafitti por toda a parte, ruas cheias de lixo a esvoaçar e muitos, mas muitos mendigos.


Pela janela do autocarro observei um homem que carregava energeticamente um saco de plástico verde. Caminhou, caminhou, até que avistou o mesmo que eu: uma mendiga encostada numa paragem. O homem viu, continuou a andar, recuou e ofereceu-lhe o conteúdo do saco: três maças amarelas. Podia ter dado duas e mantido uma, mas deu-as todas. E olhem que ele ia contente a baloiçar a fruta que, decerto havia comprado já a pensar no quanto lhe iam saber bem. Retomou o seu rumo carregando o saco vazio. A mulher, idosa, estendeu logo a mão e sorriu. repetiu várias vezes o gesto de "faca para descascar" a fruta. Talvez nem tivesse bons dentes para a mastigar, daí insistir no gesto. Ainda com um sorriso na face, trata de mexer na enorme sacola, ora para lá colocar a fruta ou não, mais não sei, porque o trânsito desbloqueou e mais não vi.
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Esta observação foi o suficiente para me fazer pensar porquê são as pessoas comuns que, ora com o gesto deste homem, ora com voluntariado e caridade, tratam de tentar dar ou levar algum conforto ou uma vida mais digna e sem fome a estas pessoas. Não devia ser uma prioridade do Estado português?
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Bem sei que no tempo de Salazar vivia-se numa ditadura. Qualquer um podia ser preso por vagabundagem. Mas ao ver Lisboa desse tempo, nas imagens a preto e branco de eventos televisionados ou nos filmes clássicos com Vasco Santana, António Silva e Ribeirinho, gostava de viver numa Lisboa assim. Queria que Lisboa estivesse bonita, limpa, com bonitos espaços verdes, relvada, florida, em todo o seu esplendor. É surpreendente como a cidade consegue revelar a sua beleza mesmo sobre décadas de maus-tratos.
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Perto do Cais do Sodré, naquela rua principal que leva ao Tribunal de Justiça de Lisboa, o tal que vai ser encerrado para o espaço virar um hotel para turistas, avistei uma fachada de um prédio cheia de grafitti até ao topo das águas furtadas. Passa uma imagem porca da cidade, ainda mais, tão perto de um tribunal.
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As pessoas que sairam do autocarro, que avançava pouco devido ao trânsito e ás obras locais, chegaram a pé primeiro do que eu, que ia no autocarro, à estação do Cais de Sodré. Aqui, a típica organização portuguesa volta a mostrar o que é. Há muito que não ia para aqueles lados e necessitei de ter um atendimento pessoal para ficar esclarecida sobre o rumo a tomar. Senti a ausência dos guichés onde, apenas 4 anos antes, comprava os bilhetes do comboio. Andei à procura de um local de informações e lá encontrei um gabinete. Algo me dizia que não iam fazer um gabinete aberto para esclarecimentos sobre horários e linhas de comboios mas na ausência de alternativas, antes levar com uma nega do que não tentar. Fiquei a saber que existe venda de bilhetes com atendimento pessoal logo "atrás" desse gabinete informativo. Mas tudo o que consegui ver foram inumeras vitrines de uma cadeia de supermercado. Fica longe dos comboios, essa venda de bilhetes personalizada :)
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Munida de um horário na mão e outros papéis informativos sobre a CP, tal e qual uma turista, sou então abordada por um homem que me pergunta se me pode fazer uma pergunta. Distraida e concentrada, pensava que me ia perguntar algo sobre os comboios, e é quando percebo que está a pedir. Diz que está há mais de uma hora a tentar juntar 85 cêntimos para comer qualquer coisa e ninguém lhe dá atenção. Acho isso estranho mas não estive para tentar perceber se é ladaínha diária ou não. Que diferença faz, se a fome é real? Transportava comigo um saco transparente onde se podia ver uma sandes e acabei por lha dar.
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Lisboa é a cidade do quê?
"Cheira bem, cheira a Lisboa" já não lé luva que lhe cai bem.
Agora Lisboa cheira a quê, afinal?

Outros blogues que falam de Lisboa:

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1336632

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terça-feira, 2 de junho de 2009

Cheirinho de Verão

Quando hoje entrei no autocarro, cheirava a peixe.
Foi só por duas paragens, mas parece sempre uma eternidade. Mais ainda porque o autocarro que precisava apanhar de seguida estava parado no semáforo vermelho. Aquele onde seguia, estava parado na paragem, atrás de um outro que recebia e largava passageiros. Bastava ao condutor ter aberto as portas traseiras e deixado os passageiros sair, que uma corridinha tinha feito com que chegasse a tempo à paragem para apanhar o outro. Mas quis o destino que este condutor tivesse o comportamento atípico, de, parado, não abrir as portas de saída, enquanto o autocarro na sua frente não arrancasse. Perdi por isso o autocarro.
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Quando cheguei à paragem, já aquele que queria ia longe e fora do alcance da vista. Olhei para aqueles painéis informativos que tantas vezes já me deixaram mal. Faltavam 15 (!) minutos para o próximo autocarro. Passados 20, entrei num outro para o qual só faltavam 6 minutos, quando lá cheguei.
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Este cheirava a catinga. Não a um misto de suores, mas um em particular, muito forte, intenso, desagradável.
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Pois é! Chegou o Verão e com ele, o verdadeiro «cheirinho a Carris»!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Janelas abertas ou fechadas?

Há certos comportamentos nas pessoas que, no geral, não entendo.
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Um desses é a atitude que têm perante o calor nos transportes públicos.
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Sou saudosista. Tenho saudades daqueles autocarros de assentos em napa. Eram práticos e higiénicos. Mas esse material era presença também num outro elemento que o autocarro actual já não possuí: estores.
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Antigamente, bastava puxar um estore para que o sol deixasse de nos acertar na cara. Agora tudo é de vidro (nem por isso se vê melhor), poucas janelas são de abertura, e o calor é 100 vezes pior que o sentido nos antigos autocarros de assentos de napa e estores de puxar.
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Duvidam? Experimentem entrar num eléctrico antigo. Estes se assemelham bastante aos antigos autocarros e ainda possuem estores como descrevi. Num dia de imenso calor, mesmo com lotação a arrebentar pelas costuras, no interior de um desses eléctricos estamos sempre frequinhos, pois o movimento e as janelas bem posicionadas só nos fazem sentir não o calor de derreter, mas uma brisa maravilhosa, fresca, melhor do que se existisse ar condicionado.
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E por falar nisso, como é que os utentes que andam nos actuais autocarros da carris combatem o calor? Calor esse itensificado pela ausência de cortinas ou estores e a presença de tanto vidro? Bom, equiparam as viaturas com ar condicionado. E assim, não se sente calor. Certo?
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Não, claro que não. A maioria das vezes, o ar condicionado não funciona. O seu único contributo é o ruído imenso que produz. E o que fazem as pessoas perante o calor?
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É aqui que o comportamento geral que tenho vindo a observar durante anos deixa-me perplexa.
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No geral, quando está calor e não há ar condicionado, as pessoas não suportam ver uma janela aberta. Fecham-na.
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Hoje verifiquei isso mesmo. No exacto momento em que estava a apreciar a chegada de uma brisa fresca ao meu rosto e detectada a origem, a mulher sentada debaixo da janela estica o braço e fecha a janela! Um calor de arrasar, uma camioneta com apenas 2 janelas de abrir, e a senhora fecha a janela! Será porque não gostam de despentear o cabelo??
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Outras vezes o "bafo" dentro da viatura é tão grande, e o cheiro um tanto desconfortável que me faz abrir o ar condicionado. Neste caso, falo das camionetas, que possuem ar condicinado a funcionar com maior frequência que os autocarros e têm 2 focos de ar por cima de cada assento. Pois são essas aberturas que gosto de ver abertas. Uma vez, perante o embaciamento total de todos os vidros da viatura, fiz questão de as abrir e estranhei que mais ninguém o fizesse. Em pouco tempo, o vidro da janela do meu lado e do outro lado onde abri a passagem de ar, ficou desembaciado. Olhei para as restantes janelas da camioneta, e estavam ainda embaciadas.
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Isto não entendo nas pessoas.
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Já nos autocarros, verifico o seguinte: quando o ar condicionado só faz ruído mas não funciona (quase sempre), as pessoas ainda congitam abrir as janelas. Mas depois alguém diz que é melhor não o fazerem, porque assim entra o calor. E ficam a esperar o ar fresco e condicionado, que não funciona, comece por milagre a funcionar. Outras vezes, e isto irrita-me muito, o ar condicionado nem está ligado. O movimento da viatura faz com que entre um ar agradável. E vem alguém e fecha de imediato uma janela...
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A excepção só acontece quando realmente é uma boa ideia abrir as janelas. Ou seja: quando está calor mas, com o movimento da viatura e o ar lá fora, consegue-se uma brisa agradável. Aí costumam fechá-las! A tendência das pessoas é abri-las quando de nada adianta. Ou seja: quando o bafo é quente, muito quente, não existe qualquer brisa, o autocarro é um forno aquecido pelo metal e por tanto vidro sem cortinas, o movimento da viatura nada faz pela entrada de uma brisa, e as pessoas abrem as janelas.... para respirar a poluição!
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O que também se vê muito, é as pessoas entrarem no autocarro a queixarem-se do calor, o ar condicionado estar ligado, e elas abrirem as janelas. É tão parvo! E vejo isto amíude. Mesmo com os autocolantes lá, a avisar que não se devem abrir as janelas com o ar condicionado ligado. As pessoas queixam-se do calor e, ao invés de preservar a frescura, abrem a janela para esta sair...
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Expliquem-me lá, que me faz confusão!

sábado, 23 de maio de 2009

Os dois lados da moeda - casos e casos

Hoje tinha um comentário no blogue de uma pessoa que diz ser motorista da Carris e apela que vejamos sempre os dois lados da moeda. Respondi-lhe e achei que a resposta dava também um texto para este blogue. Cá vai:
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Bem vinda, cara motorista da carris! Olhe, sou conhecida por pensar sempre no que "poderá" vir a acontecer e sou muito solidária... nada tenho contra quem trabalha. Mas deixe-me contar, desta vez num autocarro da Carris, o que vi certa vez:
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Um rapaz ia para entrar com um caozinho daqueles bem pequeninos que cabia na palma da mão. Vinha ao colo, embrulhado num casaco e isto foi na véspera de Natal. O motorista recusou deixá-lo entrar. O rapaz, muito calmo e educado, insistiu, dizendo que o animal era pequenino e comportado. O motorista não cedeu e explicou-lhe o seu ponto de vista: E se alguém que entra ou já está no autocarro for alérgico? Ele é repreendido, pode ser demitido ou tem de pagar uma multa. O rapaz, na véspera de Natal, lá ficou do lado de fora.
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Compreendo os dois lados mas sabe, prefiro que se arriscasse. Porque meses depois, ao entrar no autocarro, sentei-me num lugar e de repente vi uma coisa estranha a meus pés. Era uma cadela enorme! (com os olhos mais meigos que já vi).
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Claro está, esses olhos meigos estavam a fazer a vez dos olhos do invisual que a cadela auxiliava. Mas será que nestes casos não podem existir pessoas alérgicas a ela também? E depois, nos autocarros, temos de sentar em assentos cujo cheiro que sentimos ao redor do lugar desocupado leva-nos a recear a falta de higiene dos ocupantes anteriores. Aliás, HIGIENE e autocarro da Carris, não são duas coisas que costumam estar sempre ligadas.
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Eu preferiria que deixassem um animal daquele pequeno porte entrar. Há com cada mal cheiroso no autocarro e ninguém lhes recusa a entrada por virem a causar risco para a saúde dos restantes passageiros.
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E a título de referência aos motoristas, noutro dia vi também um a voltar a abrir a porta e adiar a partida para deixar entrar um senhor de mau aspecto a carregar um embrulho enorme e pesado envolto em saco de plástico preto. O senhor entra e, como os restantes já haviam entrado, ele as atenções estão nele. O motorista arranca e o homem fica a procurar o bilhete por entre os bolsos do casaco. Acaba por entrar com aquele embrulho enorme que acabará por ser um estorvo, sem realmente ter pago a passagem.

sábado, 9 de maio de 2009

Coimas

Tenho lido nos jornais que o governo pretende elaborar leis que visam penalizar aqueles que se deslocam na capital de automóvel, sem que este vá com mais de uma pessoa.
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Não posso concordar. Como pessoa que não tem veículo próprio e vive na cidade de Lisboa, deslocando-se de sítio para sítio usando os autocarros da Carris, sei bem o que é ter o trânsito a atrapalhar o andamento do bus e sei também o que é engolir toda a poluição atmosférica libertada pelos veículos em movimento, do tanto que aguardo nas paragens à beira da estrada e do tanto que caminho por passeios e estradas sem passeios, por onde circulam as viaturas poluidoras.
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Nem por isso concordo que se sacione desta maneira as pessoas. Não me parece correcto e até me parece um tanto ridículo. Além disso, fico com a nítida impressão de que daqui só pode resultar um desenrolar de injustiças. Outra coisa que me incomoda é que estas medidas firmes estejam a ser consideradas não porque o trânsito é uma fonte extraordinária de poluição, nem tão pouco vão melhorar as infra-estruturas da rede pública de transportes, para que uma pessoa com automóvel escolha deixá-lo em casa. Esta medida só está a ser estudada, porque existem muitos carros.
O verdadeiro flagelo do trânsito, é a poluição. Esta sim, foi alvo de alguma consideração ao longo dos anos pelos governantes, mas numa dimensão muito "mixa". Não se notam as diferenças. Lisboa tem fog visível a olho nu. Os meus pulmões há muito que o sabem. Não se surpreenderiam se alguma entidade credível viesse a público dizer que em determinadas zonas da cidade não é recomendável respirar o ar, devido à atmosfera estar com veneno tóxico. Não é de hoje que os pulmões se queixam. Nem o hábito que adquiri de prender a respiração e inspirar o menor número de vezes possível parece lhes ter resguardado muito a saúde. Claro que a quantidade de veículos também atrapalha. As deslocações de lugar A para lugar B são estraordináriamente demoradas. Mas se esse fosse o preço a pagar e em troca nos dessem veículos não poluidores a 100%, eu aderia. Você não?
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Que bom seria, se os veículos «cuspissem» aroma a rosas! Tanto me delicia, o perfume das flores...
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Mas ao invés de ser este o principal problema na lista de prioridades, é o segundo. E punir pessoas só por não andarem com outras dentro do carro, é ridículo. Sabem o que vai acabar por acontecer? As pessoas vão encomendar por catálogo aqueles "bonecos de companhia" insufláveis que existem nos EUA, que simulam a presença de mais do que uma pessoa no veículo, para dissuadir possíveis criminosos em situações particulares.
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Imaginem-se as injustiças que uma tal medida pode originar. Vamos supor que, a pesar dos 25 anos contínuos de experiência que tenho de uso dos autocarros da Carris, amanhã ganhava o Euromilhões. Após pagar ao Estado a sua parcela da fortuna que me coube, decido comprar um carro. Ora, não tenho família, nem vizinhos que trabalhem no mesmo sítio que eu. Vou no meu carro sozinha e levo uma multa? Ou pago mais impostos que outros? E todos aqueles 25 anos em que andei aos empurrões e pisadelas nos transportes públicos? Não contam? .
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Quero com isto dizer que fiz a minha parte e se, na "velhice" conseguir ser um pouco "egoísta", deixem-me ser, pois já sacrifiquei muito e gostaria de experimentar um pouco de conforto... inventem carros 100% ecológicos que se desloquem há velocidade máxima de 80 km à hora. Isso também impediria outros dissabores relaccionados com os excessos de velocidade e mortes na estrada. Mas sabem? No fundo, é a própria "indústria" que enriquece à custa do ambiente, que depois vem obrigar e a punir as pessoas, que não passam de peões num jogo de interesses económicos.
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terça-feira, 28 de abril de 2009

Tanta tosse... e cortesias

Continua a ser da praxe: num autocarro com tantos lugares e tanta gente, a única pessoa a tossir fá-lo à minha frente. Não, não estou a exagerar. Foi assim ontem, a semana passada, hoje. E não; não uso perfume nem exalo nenhum odor que leve ao espirro, muito menos à tosse. É mesmo uma (má) sina! Ainda mais no actual panorama do «alarme» da gripe suína que começou no México e alastra-se pelo mundo.
Mas não é sobre as circunstâncias ou a quantidade de vezes que tossem em cima de mim que vim falar. Embora tal ainda me suscita vontade! É que as pessoas não se dão ao trabalho de sequer desviar a direcção...

Vim falar de algo "positivo". Não quero nem nunca foi a intenção deste blogue falar das experiências nos transportes públicos apenas pelas coisas más. Podem até ser em quantidade maior mas, porque a vida também precisa de sonho, as coisas boas também terão o seu destaque.

Hoje apetece-me referir um gesto de cortesia. Outrora a mim negado, hoje acedido a um que por ali passou.

Não foi num autocarro da Carris, mas numa camioneta que desagua no terminal do Campo Grande. Na localidade onde a apanho em direcção a Lisboa, vivi numa ocasião uma experiência muito desagradável. Pedi para sair mais cedo do trabalho para ir ao médico e corri para a paragem, onde esperei muito tempo pela camioneta. Quando esta chega, no visor não aparece o percurso que faz. Não sendo a que estou acostumada a apanhar, deduzi tratar-se da que faz o percurso longo pelas aldeolas e demora uma hora a chegar a Lisboa. É então que pergunto a umas pessoas que ali estão se a que vem imediatamente atrás é a rápida, ao que me avisam que essa é a que já ali está parada. Corro para a porta, que estava a fechar. Bato no vidro. O motorista acena que «não».
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Diante a nega, recuei os 3 passos que tinha dado e as pessoas que primeiramente me tinham dito para bater no vidro para o motorista abrir a porta, nem perceberam o meu rápido gesto e voltam a repetir o conselho. Ao que lhes respondo que já tinha batido e ele se negou a abrir. As pessoas ficaram revoltadas e eu, a lesada, que perdi assim o médico marcado há 3 meses, senti-me injustiçada. Neste tempo o semáforo está quase a passar de vermelho para verde. Após arrancar, a camioneta tem forçosamente de fazer uma curva apertada para apanhar uma estrada paralela à direcção de onde veio. Decido atravessar para a apanhar no outro lado. Quero tirar a matrícula e o número para apresentar queixa.
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Nisso, o semáforo muda de vermelho para verde e, imprudente, sigo o hábito de olhar para a esquerda quando o trânsito está a chegar da direita. Quase sou atropelada. Deu para o susto, mas não para me demover do propósito. Sigo sem ter chegado a parar. Atrás de mim vem um homem que também fez sinal ao motorista para entrar, mas já após o meu. Coloco-me numa posição estratégica e a camioneta, como costume, está empatada na manobra. O homem ultrapassa-me e caminha até a camioneta, voltando a pedir, quando esta está PARADA, para entrar. Volta a receber nega. Ao passar por mim bem acelerado, o motorista faz uma careta e desvia o olhar. Devia ter pensado que ali fui para voltar a pedir para me deixar entrar. Memorizei o número da viatura e a hora e voltei à paragem, onde a próxima camioneta chegaria dali a 1 hora e poucos. Pedi uma caneta emprestada e anotei os dados.
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Hoje acontece que, mais adiante do local onde fiquei para anotar o número da viatura meses atrás, encontra-se um rapaz que faz sinal ao motorista. Este pára, abre a porta e espera que o rapaz contorne a frente da camioneta para entrar. Este gesto é uma excepção à regra, que me fez sentir bem. Este motorista é um homem que gosta de falar. Não fica calado a viagem toda. Se puder, interage com os passageiros. E tem a peculariedade de, ao chegar ao destino, anúnciar alto: "Chegada ao Campo Grande! Saída do Campo Grande!" - parece um motorista «de antigamente», quando estas cortesias e anúncios ainda se faziam a viva voz. Também deseja sempre «adeus, bom dia» aos passageiros.
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Hoje bati o meu record. Tive de correr para conseguir chegar à paragem «a tempo». Um percurso que se faz sem pressas em 20 minutos, fi-lo em 12. Sempre a subir. Percurso inclinado, pela estrada porque não há passeio, e os carros e viaturas pesadas a passar ao lado. Fiquei com falta de ar e a tossir (sim, desta feita fui eu! Mas nunca em cima de outras pessoas) a seco por quase meia-hora. Mas se não tivesse corrido, teria perdido a camioneta. Ás vezes acho que Deus só ajuda quem se esforça :! É claro que, por outra perspectiva, se a camioneta tivesse chegado à mesma hora do dia anterior, ainda tinha 15 minutos de espera...

sábado, 18 de abril de 2009

Expedição aos Burriés

Narinas em crise!

São 8 horas da manhã e já estou no interior do autocarro quando este imobiliza-se diante o comando inerente da luz vermelha do semáforo. É então que observo um comportamento interessante. Nos carros parados ao redor, viajam famílias. Ao volante, o homem, com a mulher ao lado e uma filha atrás. Nesta manhã pode dizer-se que este microcosmos de famílias apresentou-se assim. Será o mais comum? Provavelmente é.

Nas três viaturas familiares que dispunha no campo visual, observei que após pararem, os homens tiram uma mão do volante e começam a mexer no nariz. Para ser mais concreta, mais que mexer, presenciei uma verdadeira expedição. Um em particular, fez três conturbadas viagens de ida e volta entre o interior das suas narinas até aos lábios e à entrada da boca, com muito entusiasmo! Será que pensou que ninguém o viu? Só tinha um autocarro inteiro com vista privelegiada :)!


Bem, em defesa destes homens quero dizer que as mulheres também o fazem. E as crianças. Tenho a opinião de que se trata de um hábito primário, que remota ao tempo do homem-cimpazé (para quem crê na teoria da Evolução de Darwin). A humanidade deve fazer este gesto por impulso, desde que o homem existe e vivia em cavernas. Afinal, respiramos por estes dois buracos que filtram as impurezas do ar, hoje muito poluído! A obstrução prejudica o processo e nada mais natural que ir lá instintamente remover o incómodo e restaurar a boa circulação de ar.
A diferença entre a lógica e o ilógico, é que a sociedade estipula que este gesto pouco higiénico seja feito em privado, não em público! Isto é que faz toda a diferença.
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Tal como outros tantos gestos íntimos como o sexo, o urinar, evacuar ou cortar as unhas - todos deviam acontecer em privado. E acho bem! Mas cada vez mais extrapolam para o domínio público. Esquinas de prédios, passeios, troncos de árvores, arbustos, etc... devido à frequência com que acontecem, já todos nos habituamos a ver por aí uns misteriosos seres do sexo masculino a URINAR em tudo o que é lugar. A natureza "chama" e eles não perdem tempo a responder. Fazem-no na rua, são avistados mas nunca multados. Os nossos pulmões e olfacto são agredidos por aquele forte e nauseabundo odor a urina, que se espalha pela atmosfera. Só uma chuva nos pode livrar do mal! Culpa-se os animais, os cães, quando os lençois de urina que se vêm nos passeios e caminhos não sairam da bexiga de um elemento de quatro patas. Embora mentalmente, não esteja longe! Será que estes "seres misteriosos" se interrogam atónitos:
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-"Como uma mulher é capaz de esperar até encontrar uma casa-de-banho??"
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Sem dúvida, hoje em dia as narinas humanas estão em crise!

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Bendito gelado...

«Agorzinha», quando desaguei no terminal de camionetas e autocarros, pronta e a passo de marcha a alcançar a paragem para entrar noutro autocarro, rumo a outra paragem para apanhar outro autocarro, avistei o senhor do carrinho dos gelados. Não sei porquê, tenho vindo a reparar na pessoa. Todos os dias ali, a vender gelados, de manhã até de noite. Algo em mim é muito romântico e solidário. Eterna admiradora de pessoas de alguma idade que se dedicam a este tipo de ocupações, decido voltar para trás e comprar-lhe um gelado. Ainda por cima, são na verdade sorvetes, feitos de água. Tal como os que comia em criança, junto ao portão da escola! Munida desta sensação de solidariedade, com um pingo de nostalgia mas muita tristeza oculta, comprei um gelado. Tão saboroso!! Caiu que nem água! Refrescante. E até, por uns bons momentos, fez dissipar a aflição triste que neste dia carrego no coração...

Hoje é dia do gelado!

terça-feira, 31 de março de 2009

Onde está?

Onde está a minha limusina?
O automóvel com interiores de luxo e conforto?

Estou cansada de ver o tempo passar sem trazer um «upgrade».
Ele passa, e os veículos que me transportam parecem ser cada vez mais degradados.

Como pessoa que anda de transportes e ocasionalmente, de boleias alheias, a degradação envolvente começa a surtir um efeito depressivo. Coisas partidas, rachadas, coladas, sujas, rotas... sejam interiores de camionetas ou carros.

"Isto não sou eu" - penso.

Preciso estar cercada de coisas que se adequam melhor ao meu interior: simplicidade, beleza e elegância. Esta "feiura" nada tem a ver comigo.

terça-feira, 24 de março de 2009

Licção: como tossir

Não gosto de pessoas a tossir em cima de mim. Nem na minha direcção.

Hoje ao entrar no autocarro, a primeira coisa que me acontece é a mulher que vem sentada na frente, tossir em mim. Sou tão rápida a passar e a caminhar até parar num qualquer lugar, que seria de esperar poder me esquivar a estes desaires. Mas não tive hipótese.


Hoje o autocarro não quis dar-me tréguas. Assim que encontrei um lugar para ficar (de pé), a pessoa sentada atrás de mim, tosse. Logo outra se coloca a meu lado, e também tosse. Depois mudo de lugar para não ficar a incomodar quem quer passar, e assim que troco, a mulher sentada atrás de mim também tosse. Fiquei a achar aquilo muito mais que uma coincidência. Mas que tenho eu, sem ser mel? Também gostam de tossir em cima de mim? O meu signo bem que me dizia para ter cuidado com doenças infecto-contagiosas!


E o autocarro hoje parecia conspirar para isso. Um motim de gargantas a tossir. A coisa já ia tão disparatada, que começei a contar quantas vezes se ouvia tossir naquele autocarro. Ainda por cima vinha em silêncio, ninguém conversava ou transportava aqueles ruidosos portáteis cuja música sai pelos phones apenas como ruido. Dizem que o bocejar contagia. Pois a tosse deve ser igual. Querem saber, num percurso de 5 minutos, quantas vezes se tossiu? 40! Número redondo!

No próximo autocarro que apanhei, de iguais dimensões, também para fazer outros 5 minutos de percurso, tossiu-se muito menos que a metade dessas 40 vezes.


As pessoas julgam-se educadas mas, só pelo simples facto de não desviarem o pescoço em direcção ao chão, são umas malcriadas! Para tossir, senhores e senhoras, não coloquem um punho à frente. Este não impede os germes de atingir as pessoas! Nem coloquem a mão com os dedos entreabertos. Os germes também atingem as pessoas! E depois, expliquem-me lá, o que fazem às mãozinhas? Usam-nas para se agarrarem nos postes e corrimões, para não cairem, não é? Então onde ficam os germes? Bingo!

Assim a única coisa que fazem é espalhar micróbios por toda a parte. Quarenta gargantas a tossir em 5 minutos é um exagero! Julgava eu que o Inverno é que era de temer, com as gripes e constipações que dizem existir. Mas parece-me bem mais inocente que a Primavera, em que todos tossem para cima dos outros e não têm consciência do gesto rude que têm!


Querem tossir? Têm que tossir? Muito bem: dobrem a barriga com a cabeça em direcção ao chão, e tussam na direcção dos pés. Assim, só o calçado, já ele bem fustigado por poeiras e porcarias, sofre o prejuizo. E nos sapatos, você não vai colocar a mão, pois não?


Aprendam a tossir!

terça-feira, 10 de março de 2009

Aquela chatice que sempre acontece...

Qualquer utilizador habitual dos autocarros da Carris sabe que, desde a última grande alteração de carreiras há uns anos, circular por Lisboa não é mais a mesma coisa. Se antes bastava apanhar um autocarro para ir a um qualquer lugar, agora é preciso apanhar três.

Por isso é que me sinto muito frustrada, cada vez que me vejo metida numa "maratona" e perco a corrida...

Passo a explicar: para apanhar o autocarro que quero, tenho de apanhar outro que me deixe a meio do caminho e fazer parte do resto do percurso a pé até a paragem desejada. Sabem o que acontece? O dito autocarro, que nunca está à vista enquanto ainda estou dentro do outro, surge sempre de repente, quando ainda não cheguei à paragem. Resultado? Corro!
Corro muito, muito, muito... fiquei muito mais em forma desde que comecei a apanhar transportes públicos. Porque é que aquele que transporta só até metade, sempre pára em todos os semáforos vermelhos e viaja a 20 km à hora, e o que quero realmente apanhar a seguir, tem a avenida toda só para si, nunca pára e acelera como se fosse tirar a mãe da forca? E claro, quando estou mesmo, mesmo perto, mesmo ao lado da porta de trás, o dito-cujo arranca... que simpáticos!

Para um percurso que, em bons dias, se faz em 10 minutos, apanho 2 ou três autocarros. Pois é. E o mais surpreendente é que costuma ser mais rápido "entrar-sair", "entrar-sair", "entrar-sair", com corridinhas pelo meio, que ficar quietinha à espera num só lugar, para entrar num só autocarro. Que estupidez!

E é assim mesmo... amanhã, a rotina repete-se: subir a rua até à paragem do autocarro da avenida, porque na que tenho mesmo ao lado de casa não passa nenhum que sirva. Aliás, vá para que direcção for, nesta paragem não pára nada que preste! Parece que só andam ás voltinhas! Para quem quer perder muuuito tempo, é o ideal.

Sim, sim... nunca se poderá dizer que a Carris colabora com o sedentearismo. Se antes, os 5 minutos que leva a subir a rua de 90º resultava em suor, cansaço e falta de ar, agora estou muito mais em forma! Viva a Carris...