Ambientadores nas viaturas, livros grátis, propaganda diversa... vira e volta, a Carris divulga acções supostamente em prol do bem estar dos passageiros. E para quê?
Nada disto é mais importante para os passageiros que a garantia que todos os dias podem contar com veículos limpos. A higiene é fundamental. E se falta alguma a alguns passageiros, a Carris deve ter o brio de perceber que, se mudamos os lençois da cama com assiduidade e nestas só se deitam dois, num autocarro onde centenas ou milhares entram POR DIA, a limpeza não é prática que se deva dispensar.
Há dias foi a situação desagradável das baratas. Mas essas são, a pesar de tudo, uma ameaça visível. Os odores desagradáveis e suspeitos, os assentos de pano sujos e quentes - isto é que é alvo de reflexão todos os dias. Hoje entrei no autocarro e o cheiro era tão desagradável! Não dá para identificar. Deu para perceber que não era nada originado por um dia de chuva. Parecia que 1000 peidos tinham sido dados. Depois entro noutro, e o odor é o mesmo. Tenho receio de transportar este fedor nas roupas, que estão limpas e novas. Receio ficar com o fedor em mim, que cheiro a sabonete.
O que a Carris devia distribuir GRÁTIS a todos os passageiros são embalagens de desinfectantes. Para aplicar nos assentos antes da pessoa se sentar. Ou então deviam inventar de uma vez por todas uma capa de silicone dobrável em três, como se faz com um papel, para que as mesmas sirvam de resguardo e protejam as pessoas dos micróbios que vivem naquelas cadeiras onde até passeiam baratas... Não seria uma invenção esquisita, pois existem capas para os assentos dos autómóveis. Só teriam de fabricar as mesmas em silicone maleável (como o dos utensílios de cozinha), práticas, fáceis de transportar e distribuir GRATUITAMENTE a todos os passageiros. Até podiam vir personalizadas ou vir a ser personalizadas, conseguindo com isso transformar o produto em algo com possibilidade de exploração comercial. (como se faz com as capas coloridas e desenhadas para telemóveis e outros assim).
Esta é uma excelente ideia. Alguém quer pegar nela? Eu só quero receber os louros por ter sido quem pensou nisso pela primeira vez... :) E não seria púdica nem teria problema algum em ser a primeira a "sacar" do meu resguardo higiénico (OK, mudar o nome...) para me sentar com a consciência de estar a melhorar as condições da viagem, diminuindo riscos para a saúde...
sábado, 21 de novembro de 2009
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Livros? Prefiro inseticida!
Correndo o risco de tornar conhecida a minha "identidade anónima" como utente da Carris, tenho de relatar uma situação caricata que aconteceu dentro do autocarro.
O dia até começou mal: perdi um autocarro estando mesmo perto dele, uma mulher foi estúpida sem qualquer razão, trânsito, perda de outro autocarro, correria para apanhar um terceiro e depois um quarto…
Mas a maior surpresa estava reservada para o final do dia…
Ia sossegadinha sentada num banquinho quando, por acaso, olho para baixo e vejo 3 coisas escuras a deslizar no meu sentido. Aquilo prendeu a minha atenção. Seria uma porcaria qualquer a deslizar devido ao movimento do autocarro? Quando aquelas 3 coisas andaram para trás sem o movimento se alterar, aproximei-me para ver o que eram. Eram bichos, mais concretamente, baratas! Haviam 3 baratas no autocarro! E estavam ali, perto dos meus pés. Tão perto que, assim que se aproximaram, decidi mudar de lugar. Imagina uma coisa destas a subir pela perna acima… chegas a casa, trocas de roupa e dás pela surpresa (ou não!).
O dia até começou mal: perdi um autocarro estando mesmo perto dele, uma mulher foi estúpida sem qualquer razão, trânsito, perda de outro autocarro, correria para apanhar um terceiro e depois um quarto…
Mas a maior surpresa estava reservada para o final do dia…
Ia sossegadinha sentada num banquinho quando, por acaso, olho para baixo e vejo 3 coisas escuras a deslizar no meu sentido. Aquilo prendeu a minha atenção. Seria uma porcaria qualquer a deslizar devido ao movimento do autocarro? Quando aquelas 3 coisas andaram para trás sem o movimento se alterar, aproximei-me para ver o que eram. Eram bichos, mais concretamente, baratas! Haviam 3 baratas no autocarro! E estavam ali, perto dos meus pés. Tão perto que, assim que se aproximaram, decidi mudar de lugar. Imagina uma coisa destas a subir pela perna acima… chegas a casa, trocas de roupa e dás pela surpresa (ou não!).

Existem inúmeros cenários de possibilidades desagradáveis: os bichinhos a entrar dentro do saco das compras da mercearia, os bichinhos em cima do colo, os bichinhos a procurar abrigo num lugar quentinho e escuro por entre as tuas roupas…
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Elas (as baratas) começaram a subir a lateral. Achei espantoso e só depois me lembrei que era um daqueles momentos para registar e tinha comigo a câmara de fotografar! Que melhor ocasião que esta?
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A pensar que devia alertar o motorista para que este reportasse a quem de direito e se procedesse às medidas necessárias aquando a limpeza daquela viatura, aproximei-me e disse-lhe:
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-Sr. Motorista, desculpe, é só para lhe dizer que tem três baratinhas ali atrás…
- Há! Não faz mal. Estão lá a brincar! – diz, sem surpresa.
- Há é? Está bem. – digo, sem preocupações.
- Há! Não faz mal. Estão lá a brincar! – diz, sem surpresa.
- Há é? Está bem. – digo, sem preocupações.
.. É caricato, até engraçado mas tudo isto revela apenas uma coisa: o nível de falta de higiene dos autocarros da Carris. Não se iludam… limpeza é coisa que não existe por ali. As danadas, pelos vistos, eram de estimação!
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Será que também já lhes deram nomes? :)
.............A BARATA..............
O bicho de estimação da Carris
O bicho de estimação da Carris
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Convivência com as ciclovias
Passo todos os dias no autocarro pelas obras de ciclovias a decorrer na Av. do Brasil. Há partes do percurso que me deixam curiosa. A ciclovia começa na Rotunda do Relógio e segue avenida acima... enquanto tem espaço. Mas, ali pelo meio, qual a solução que vão arranjar? Não existe espaço para ciclovia. Só um pequeno passeio com árvores, cuja raíz levantou os cubos de pedra da calçada e parques de estacionamento. Tanto um, quanto outro, fazem falta. A ciclovia vai passar por cima e ser aérea?
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A obra parece-me estar a ser executada com visível planeamento. Mas a curiosidade para aquele troço persiste.
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Já o que preocupa, é o final da avenida. Já alcatroada, a ciclovia está protegida por pilaretes. Mas, é claro, estes não são colocados diante das garagens. E o que acontece? Os automóveis sobem o passeio por essa abertura e estacionam os veículos por todo o espaço. O peão, pelo que vejo, continua a caminhar pela calçada. Mas com automóveis estacionados ali, onde fica o peão e o ciclista? Vão dividir o espaço do passeio com os automóveis? Relembro que o estacionamento nesta parte da via chegava a ser na faxa de rodagem... atrapalhando a circulação do autocarro.
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Os automóveis são sempre um problema... precisam de estacionar e, pouco habituadas que as pessoas estão em andar, querem sempre "enfiá-los" pela porta a dentro...
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Pior que este caso, só mesmo a Av. da Igreja, em Alvalade. Nossa! Até num Domingo (passado), enquanto aguardava o autocarro na paragem, os automóveis estacionavam por toda a parte, até mesmo em fila dupla e tripla! Para lá e para cá, tudo por causa do frango assado! Nossa. Que movimento gera aquelas casas de frango!
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sábado, 14 de novembro de 2009
Leitura na Carris?
Saiu nas notícias de todos os jornais gratuitos. Desde quarta ou quinta feira passada, a Carris está a distribuir, gratuitamente, aos passageiros, grandes obras de literatura. O objectivo é promover a dita e tornar as viagens na Carris muito agradáveis.
Ora...
Assim que li isto, achei um absurdo. Dinheiro mal empregue, mal gasto, desperdício de papel ou atentado ecológico, uma iniciativa que talvez viesse a servir para alguém lucrar individamente com isso. Mal existem condições para fazer uma curta viagem sem andar aos solavancos e atropelos, quanto mais para fazê-la a ler um livro... Logo a seguir, pensei na gripe. Se estes livros fossem distribuidos de "mão-em-mão", não passariam de mais uma forma facilitada de contágio...
Agora não sei mais o que pensar muito simplesmente porque, como passageira, ainda não presenciei nada desta suposta medida! Então estive esta sexta-feira muito atenta a todos os passageiros com que me cruzava. Uns tantos traziam um livro na mão e pensei: será isto? Outro tinha outro livro: será isto? E um terceiro tinha 4 sacos cheios de livros... serão para distribuir?
Mas nada aconteceu... a não ser uma senhora com duas malas que, ao me pedir licença para sair do lugar ao meu lado, pisou-me o pé com tanta força que ainda o sentia 30 minutos depois.
Sabem, há pessoas que ao se deslocarem precisam agredir outras. Existem aquelas que vão avançando pelo autocarro e se seguram num e noutro corrimão, no teu ombro, no teu cabelo, no teu joelho... e te pisam o pé!
Lá pensei que a senhora, por ser senhora, ligeiramente obesa, com dois sacos, não tivesse muita mobilidade. Mas saímos ambas na mesma paragem e olhem que ela... andava tão depressa que nem eu, que sou rápida, tive pedalada para a dela. A estúpida não tinha qualquer razão para me pisar daquela maneira... tive vontade de lhe limpar a marca de sujidade que me deixou no sapato nas calças.
Ora...
Assim que li isto, achei um absurdo. Dinheiro mal empregue, mal gasto, desperdício de papel ou atentado ecológico, uma iniciativa que talvez viesse a servir para alguém lucrar individamente com isso. Mal existem condições para fazer uma curta viagem sem andar aos solavancos e atropelos, quanto mais para fazê-la a ler um livro... Logo a seguir, pensei na gripe. Se estes livros fossem distribuidos de "mão-em-mão", não passariam de mais uma forma facilitada de contágio...
Agora não sei mais o que pensar muito simplesmente porque, como passageira, ainda não presenciei nada desta suposta medida! Então estive esta sexta-feira muito atenta a todos os passageiros com que me cruzava. Uns tantos traziam um livro na mão e pensei: será isto? Outro tinha outro livro: será isto? E um terceiro tinha 4 sacos cheios de livros... serão para distribuir?
Mas nada aconteceu... a não ser uma senhora com duas malas que, ao me pedir licença para sair do lugar ao meu lado, pisou-me o pé com tanta força que ainda o sentia 30 minutos depois.
Sabem, há pessoas que ao se deslocarem precisam agredir outras. Existem aquelas que vão avançando pelo autocarro e se seguram num e noutro corrimão, no teu ombro, no teu cabelo, no teu joelho... e te pisam o pé!
Lá pensei que a senhora, por ser senhora, ligeiramente obesa, com dois sacos, não tivesse muita mobilidade. Mas saímos ambas na mesma paragem e olhem que ela... andava tão depressa que nem eu, que sou rápida, tive pedalada para a dela. A estúpida não tinha qualquer razão para me pisar daquela maneira... tive vontade de lhe limpar a marca de sujidade que me deixou no sapato nas calças.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Burguês chega, escolhe e manda!

Estava no autocarro, sentada num banco individual, de costas, diante de outro banco ocupado por uma senhora. Viajavamos frente uma à outra, estando eu no sentido contrário ao do movimento do veículo.
.Uma paragem depois, a viatura pára e abre as portas para deixar entrar passageiros. A mulher olha para a frente com um ar sério e levanta-se com uma agilidade para mim inesperada. Penso que é para ceder lugar a alguém que vem a entrar mas esse alguém, que não vejo, senta-se do outro lado, nos lugares prioritários, assinalados a vermelho, para idosos e mulheres grávidas ou com crianças.
.O autocarro vai quase vazio. Existem lugares disponíveis por todo o seu comprimento de autocarro articulado. Mas quem se sentou ao meu lado, depressa se levanta para ocupar a cadeira deixada livre pela senhora à minha frente. É a dança da cadeiras!... Só então vejo quem são os ocupantes: uma senhora com uma criança de uns 2 anos.
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Ela senta-se e põe a criança ao colo. O que achei bem, porque era pequena demais e devia viajar amparada, principalmente no autocarro em causa, semelhante ao da foto, com a diferença de ser articulado e dos bancos serem só de plástico cinzento e não terem a protecção lateral que se vê na imagem. Ali, um abano forte e pessoa que não tenha os pés firmes no chão desliza e voa! Era o que eu estava a fazer: força nos pés, para o corpo não balançar com o movimento do veículo. A criança seria projectada com total facilidade se ocupasse uma cadeira sozinha, como aquelas que estavam nos assentos de onde se tinham levantado, na área vermelha.
.Mas eu comecei a desconfiar, pela postura da mulher, que queria que eu saísse dali. Falava alto com a criança, num tom que conheço bem e raramente se dirige à criança. Não a mirei mas, de alguma forma, senti um olhar penetrante. Reparei nos lugares vazios e com assentos lado-a-lado, onde a senhora, se quizesse colocar a pequena criança numa cadeira, poderia usar o braço como cinto de segurança nas muitas travagens e solavancos que o autocarro fazia.
.Quando estava quase a chegar ao meu destino, a impressão que a senhora estava a desejar que eu saísse dali a cada paragem feita pelo autocarro, já estava quase confirmada. Subitamente achei aquela postura revoltante. Com tantos lugares vagos, dar-se a ares que me queria mandar sair dali, como se fosse sua vassala! Pensei seriamente em fazer o percurso até a paragem terminal, não me custaria nada. Ela que fosse "galar" um assento vago, ora o descaramento! Nos lugares inicialmente por ela ocupados, pessoas sentavam e levantavam. Era só lugares a vazar. Bons lugares, lado a lado. Mas ela parecia cobiçar aquele que eu ocupava. A criança não está tão protegida sozinha numa cadeira fora do alcance de um abraço. Aquilo mexeu comigo!
A mulher era relativamente jovem, mas era a avó da criança, cujos pés quando sentada no joelho da avó, mal lhe chegavam a meio das pernas. Ao mudar de lugar, a criança disse que queria sentar-se ajoelhada... pobrezinha. Teria ido logo ao chão! A avó responde-lhe, com aquele tom que é para outros ouvirem, que não pode, porque ia sujar a cadeira. E eu pensei cá com os meus botões: não pode porque iria cair, bater com a cabeça e no mínimo ir para o hospital! E não porque suja o assento... até a criança foi mais perspicaz e responde há avó que "magoava-se com sangue" se fosse de joelhos na cadeira...
Chega a minha saída e deixo de lado a má impressão que aquela senhora me estava a passar. Levanto-me e saio, ignorando a vontade de seguir até ao fim sem sair do lugar que a mulher estava a cobiçar. Com tantos vagos, sinceramente! É certinho: ela pega na criança e projecta-a para o assento da frente. Só a oiço gritar "espere um momento!" - para o motorista, que se preparava para avançar com o autocarro. O que só reforça o perigo que a criança, pequena e sozinha num banco onde um adulto não a pode segurar, corre com cada viragem do autocarro.
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Há pessoas que se acham burguesas e sentem que têm direito de mandar nas outras. Esta senhora, certamente se encaixa no perfil. E também não deve ser das avós mais satisfeitas do mundo, pois não pareceu falar com a criança nesses modos. Ao colocá-la sozinha na cadeira... posso até estar equivocada, o que é bem possível. Mas a impressão que passou foi outra. Terá feito a viagem sem acidentes?
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quinta-feira, 29 de outubro de 2009
A minha refeição incomoda o seu cigarro?
É assim que me sinto quando estou perto de fumo. Eram 8h00 da manhã quando entrei no elevador do prédio para ser de imediato agredida pelo cheiro a cigarro. A atmosfera poluída sempre me incomodou fisicamente e para quem saiu de casa em jejum, aquele avassalador odor foi demais!
Lembram-se de um anúncio televisivo passado num restaurante, em que duas pessoas estão a almoçar e uma delas acende logo um cigarro? O fumo dispersa para cima da refeição do outro que diz: Peço desculpa: a minha refeição está a incomodar o seu cigarro?
Como reacção, o outro apaga o cigarro, com um ar envergonhado.
Hoje em dia isto já não resultaria, porque as pessoas tornaram-se muito agressivas e, mesmo com boa educação, não sabem aceitar uma observação negativa. Como consequência, tememos fazer um reparo a desconhecidos envoltos em alguma actividade que nos incomoda. Neste sentido tiro o chapéu à geração mais velha, pois a autenticidade da maturidade acalma reacções autoritárias.
Mas os tempos mudam e outras coisas tomam o papel do cigarro no que respeita a influências agressivas nos espaços públicos. Na camioneta, por exemplo, tanto hoje como noutras ocasiões, pessoas a jogar nos telemóveis sem lhes tirar o som é algo a ganhar terreno, e é incomodativo. Ficar 40 minutos a ouvir vezes e vezes sem conta o mesmo ruído estridente, é mau. A cabeça não descansa. A camioneta, que tem como principal vantagem esse silêncio para uma pessoa usufruir, o que contrasta bastante com outros meios de transporte, é assim privada da única característica que a valoriza. Alguns aparelhos multifunções dispensam os phones pelo que, além dos ruídos de jogos, também escutei músicas. Pela própria função portátil dos aparelhos, os sons que emitem não são tão agradáveis de ouvir como os que são difundidos por colunas de qualidade. Para quem está próximo, são ruídos.
Hoje entrei na camioneta e comecei a ler o jornal (outra vantagem que só a camioneta possui). Nunca consegui ler no interior de um veículo em movimento até ter experimentado fazê-lo na camioneta. Fiquei surpresa por não enjoar e comecei a ganhar-lhe o gosto. Foi então que, durante a viagem de hoje, enquanto silenciosamente lia as notícias, me lembrei do anúncio do cigarro no restaurante e tive vontade de perguntar: desculpe, a leitura do meu jornal está a incomodar a sua música?
Como reacção, o outro apaga o cigarro, com um ar envergonhado.
Hoje em dia isto já não resultaria, porque as pessoas tornaram-se muito agressivas e, mesmo com boa educação, não sabem aceitar uma observação negativa. Como consequência, tememos fazer um reparo a desconhecidos envoltos em alguma actividade que nos incomoda. Neste sentido tiro o chapéu à geração mais velha, pois a autenticidade da maturidade acalma reacções autoritárias.
Mas os tempos mudam e outras coisas tomam o papel do cigarro no que respeita a influências agressivas nos espaços públicos. Na camioneta, por exemplo, tanto hoje como noutras ocasiões, pessoas a jogar nos telemóveis sem lhes tirar o som é algo a ganhar terreno, e é incomodativo. Ficar 40 minutos a ouvir vezes e vezes sem conta o mesmo ruído estridente, é mau. A cabeça não descansa. A camioneta, que tem como principal vantagem esse silêncio para uma pessoa usufruir, o que contrasta bastante com outros meios de transporte, é assim privada da única característica que a valoriza. Alguns aparelhos multifunções dispensam os phones pelo que, além dos ruídos de jogos, também escutei músicas. Pela própria função portátil dos aparelhos, os sons que emitem não são tão agradáveis de ouvir como os que são difundidos por colunas de qualidade. Para quem está próximo, são ruídos.
Hoje entrei na camioneta e comecei a ler o jornal (outra vantagem que só a camioneta possui). Nunca consegui ler no interior de um veículo em movimento até ter experimentado fazê-lo na camioneta. Fiquei surpresa por não enjoar e comecei a ganhar-lhe o gosto. Foi então que, durante a viagem de hoje, enquanto silenciosamente lia as notícias, me lembrei do anúncio do cigarro no restaurante e tive vontade de perguntar: desculpe, a leitura do meu jornal está a incomodar a sua música?
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domingo, 25 de outubro de 2009
Chuva e obras
Quando chove Lisboa fica um caus. Umas gotinhas de água e as estradas ficam entupidas de veículos que parecem não chegar a lado algum. Num destes dias estava no autocarro que, por sua vez, estava preso no trânsito de uma artéria principal de Lisboa, cuja congestão é algo que mexe com a minha inteligência: a Avenida do Brasil.
Praticamente parados no mesmo lugar já há 15 minutos, fui vendo um passageiro dirigir-se para a frente do veículo, sussurrar algo ao motorista e este a abrir a porta para que a pessoa saísse. Eu fui essa terceira pessoa e ganhei o primeiro murmúrio de insatisfação por parte do motorista. Após 4 semáforos verdes em que não saíamos do lugar e com o relógio a fazer tic-tac, não tinha mais opções: só ia conseguir chegar ao destino a horas se tentasse uma deslocação a pé até outra avenida e aí tentar a sorte com outro autocarro vindo de outra direcção.
Nesse dia não tive sorte. Cheguei ao meu destino 7 minutos depois da hora devida (embora à frente do autocarro de onde saí) e tive de aguardar 60 minutos para a chegada da próxima camioneta. Ter saído mais cedo de casa e entrado mais cedo no autocarro não adiantou, pois a fila de trânsito começou logo depois da Rotunda do Relógio.
Praticamente parados no mesmo lugar já há 15 minutos, fui vendo um passageiro dirigir-se para a frente do veículo, sussurrar algo ao motorista e este a abrir a porta para que a pessoa saísse. Eu fui essa terceira pessoa e ganhei o primeiro murmúrio de insatisfação por parte do motorista. Após 4 semáforos verdes em que não saíamos do lugar e com o relógio a fazer tic-tac, não tinha mais opções: só ia conseguir chegar ao destino a horas se tentasse uma deslocação a pé até outra avenida e aí tentar a sorte com outro autocarro vindo de outra direcção.
Nesse dia não tive sorte. Cheguei ao meu destino 7 minutos depois da hora devida (embora à frente do autocarro de onde saí) e tive de aguardar 60 minutos para a chegada da próxima camioneta. Ter saído mais cedo de casa e entrado mais cedo no autocarro não adiantou, pois a fila de trânsito começou logo depois da Rotunda do Relógio.
Mas nem sempre é assim. Logo no primeiro dia de chuva, com apenas 10 minutos para a hora, saí do autocarro a correr, consegui apanhar outro ainda na avenida, mas mais adiante, que vinha de Alvalade. Corri muito, mas quem corre sempre alcança. Já fiz, de autocarro e de inverno, este percurso em 9 minutos. Que este passe a consumir mais de 35 é um absurdo que desagradou a todos cujo destino é igual ao meu. Todos chegaram atrasados aos empregos.
Ainda por cima, estão a fazer obras ali na esquina da Avenida do Brasil com o Campo Grande. Não entendo é porquê. Aliás, todas as obras que aquela avenida está a sofrer são pontos de interrogações para mim. No lugar mencionado, o que parece é que estão a levantar as pedras da calçada para voltar a colocar no mesmo lugar. Mas já que falo em obras, as que mais despropositadas me parecem, são as que estão a ser feitas na orla do Jardim da Avenida do Brasil. Estão a colocar estacas de madeira a separar o passeio do início do jardim e, mais uma vez, sem ser para tirar e voltar a por pedras de calçada no lugar, não vejo o propósito. Aliás, julgo que em termos de manutenção, a presença das estacas só vem estragar tudo. O lixo vai ficar aprisionado contra a vedação, escondido, oculto e pernicioso. Ao sofrer actos de vandalismo, ficam mais feias ou a necessitar de reparação, que tarda ou nem chega a chegar. E tudo para quê?? Ainda não entendi. Julgo que é uma obra totalmente desnecessária e isso faz-me ficar triste com quem anda a mandar na Câmara Municipal de Lisboa.
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