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terça-feira, 22 de setembro de 2015

Pagar transportes para andar a pé

Saí do segundo veículo de transporte para apanhar o terceiro e, finalmente, último. Depois de atravessar a estrada para chegar à paragem do dito (nunca que entre o primeiro e o segundo ou entre o segundo e o terceiro que as paragens são as mesmas, há sempre muito a andar a pé) a primeira coisa que faço é olhar para o painel dos veículos e ver quantos minutos faltam até chegar o único autocarro que me serve para chegar ao destino.

Faltavam 19 minutos!!!

E dos autocarros que aquela paragem servia, nem era o que demorava mais. Havia um para o qual a espera estava nos 36 minutos, mais de meia-hora!

Fazia horas que tinha visto um painel de veículos a apontar desde 88 minutos aos 45, pelo que a surpresa dos 19 minutos para o derradeiro e mais importante só não foi maior por já ter visto desgraça superior. Tirei até uma foto para registar o inusitado, mas parece que a carris se protege até disso, ao fazer aqueles painéis luminosos «à prova de foto», já que os dígitos não aparecem na imagem. Só uma vez tive sucesso - logo à primeira - e desde então tenho feito muitas tentativas de fotografar os absurdos tempos de espera nos painéis de autocarros, mas sem conseguir registar os dígitos luminosos.

Chega outra pessoa à paragem, também ela tinha atravessado a estrada vinda de outro transporte e ao ver os minutos registados no painel, desabafa em voz alta:
-"Ai meu Deus! 19 minutos até chegar o autocarro!"

E eu, o que faço?
Estou a 15 minutos de chegar A PÉ ao meu destino. Mas o pior é o percurso: contra o sol e sempre numa subida íngreme. Apesar de serem quase 15h da tarde o almoço ainda não forrava o meu estômago - nem poderia, fazia sensivelmente uma hora e meia que deslocava-me nos transportes.  A menos que a Carris intenda que se faça merendas dentro dos veículos, é impossível uma pessoa sentir-se energética e com vontade tanto para fazer caminhadas íngremes ao sol, quanto para esperar tanto tempo por mais um transporte. Faltavam-me energias. Mas também faltava-me paciência e capacidade para esperar mais tempo. Ainda por mais numa paragem também ela banhada pelo sol. Isso é pura tortura. O corpo estava exausto e o estômago vazio. Mas tinha de tomar uma decisão: aguardar ao sol 19 ou mais minutos ou subir a pé?

Decidi subir a pé. Um pouco a colectar o que me restava das energias e lá fui, como habitualmente, a subir contra o sol, com aquela dorzinha nas costas, com a certeza de que estou a andar menos na vertical do que imagino na minha mente, a contribuir para a degradação da saúde, pois o corpo já não é tão jovem, Logo no primeiro passo não consigo evitar de pensar o desperdício que foi ter pago a viagem. "Pago bilhete para andar a pé!".

É isto que acabo sempre por concluir: paga-se bilhete para andar a pé.

Com esperas de 19 ou 88 minutos entre veículos, claro!

Um contacto de primeiro mundo:

Dias antes tinha recebido notícias de uma pessoa que foi para fora do país. Conta-me, com total surpresa e admiração, como funcionam os transportes públicos naquela cidade. É que não me fala de mais nada: monumentos, comércio, paisagens, nada disso lhe falou mais alto do que o sistema de transportes públicos. Para esta pessoa que cá também anda nos autocarros da Carris, o mais surpreendente e admirável que encontrou fora foi os transportes públicos

E repete-se em exclamações ao dizer que ali compra-se o passe e não é preciso mostrar o cartão cada vez que se entra e sai dos transportes mas igualmente surpreendente é que este passe é válido em todos os transportes. Todos mesmo.

E contou-me ela: «quando eu digo todos, é mesmo todos: barco, autocarro, metro, comboio... todos!». «E existe um painel - não como esses daí, que são pequenos, mas um enorme, com os horários dos próximos transportes, e é sempre um minuto, dois minutos... olha, estão sempre a chegar. É muito diferente, não imaginas! Não se tem de mostrar o passe, paga-se o passe e estás à vontade para entrar e sair onde quiseres, quantas vezes quiseres e em todo o tipo de transporte».

Enquanto em Londres e outras cidades capitais da Europa qualquer utente espera 1 minuto pela carruagem do metro, aqui espera-se entre 5 a 25. Autocarros da Carris então, e de brandar aos céus de tanto stress que provocam! Deve ser o único local do mundo onde a meio do percurso o autocarro para para trocar de motorista. As longas esperas, o pagar bilhete para entrar e sair constantemente dos veículos, sempre a ter de validar o título de transporte nas falíveis máquinas, o que faz empatar a circulação e aumenta exponencialmente as probabilidades de uma pessoa ser vítima de carteiristas. 

Uma pessoa já sabe, por instinto, que em Portugal, ou melhor: na capital de Portugal, os transportes são de segundo mundo. Mas escutar uma coisa destas na primeira pessoa é como levar com uma chapada de luva branca da realidade: estamos mesmo a viver num país com transportes públicos do segundo mundo! E os há melhores em tantas zonas da Europa! Era só se esforçarem mais... 


segunda-feira, 30 de março de 2015

Placares... tão bonitos!

Paragem do Campo Pequeno.
Falta 45 a 50m para aparecerem dois veículos 783.
Mas de onde partem os 783? Da China?

Não! Dali perto... Amoreiras!

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Ser multado

O post mais popular deste blogue é o que relata a MULTA.
Volta e meia chega à caixa de correio várias perguntas sobre o que fazer para não se pagar uma multa. Ou o que fazer quando se deu os dados incorrectos ao receber uma multa. Conclusão: a MULTA É uma prática constante nos serviços da Carris.

Gostaria que as muitas pessoas a quem tentei esclarecer voltassem aqui para deixar um comentário a EXPLICAR como resolveram a situação. Não tenho muitas dúvidas que quase todas, certamente, se viram OBRIGADAS, forçadas, tal como eu, ao pagamento. Visto que o contrário seria um ingrata odisseia.

Mas ainda assim aproveito para DESABAFAR novamente as INJUSTIÇAS deste sistema.

Chegou aos meus ouvidos mais um caso de MULTA. Mas desta vez a uma pessoa que conheço muito bem. Uma pessoa que toda a sua vida andou de autocarro. TODA. O tipo de pessoa que estava sempre a enaltecer este meio de transporte, a quem se oferecia boleia mas que sempre recusava, mesmo num chuvoso inverno, argumentando que de autocarro chegaria ao seu destino num instante. 

Uma pessoa que durante uma conversa depressa retirava da carteira o seu passe mensal para explicar que comprava a senha L1, que era mais cara, mas com ela conseguia viajar para qualquer zona descansadamente, até para os limites da cidade e não estaria a infringir nenhuma norma, como via outros fazerem, outros que só tinham a senha L, e não a L1
Esta pessoa foi recentemente MULTADA por não usar título de transporte válido.


É caso para se dizer: Obliteradores voltem! Estão perdoados!!
Voltem «picas». 


Isto de fazer com que o próprio passageiro seja o obliterador e pica do seu próprio título de transporte parece um sonho tornado realidade para um sovina e ardiloso «Tio Patinhas». O «pato» conhece a natureza da maioria das pessoas que tentam ser mais espertinhas e fazer uma traquinagem de moçoilos e conta com elas para ficar ainda mais rico. Os cofres da Carris engordarem de tanta multa

Mas nem todas as pessoas são más. Nem todas que não validam correctamente o título de transporte o fazem INTENCIONALMENTE. E mesmo que haja uma que naquele instante o faça, não quer dizer que o repita. Pode tê-lo feito num momento de frustração e tomado uma decisão irreflectida de traquinice. Não quer dizer que a seguir repita a façanha. 

ESSES, os que não só repetem a façanha como fazem dela o seu estilo de vida, os que simplesmente USAM o serviço sem sequer terem um título de transporte para validar (quanto mais fingir validar) ESSES é que os fiscais deixam ir. Devia ser o contrário, não vos parece? Esses é que deviam ser afastados dessa prática e ser conduzidos à justiça dos tribunais. Mas não é o que acontece. Não é o que vejo acontecer. Esses aparentemente não têm dinheiro algum, logo, não podem pagar multas, pelo que é melhor não perder tempo com esses e deixá-los ir!

(revolta)

No caso da pessoa que relato, aqui está um exemplo perfeito de alguém que TODA A SUA VIDA deu dinheiro à Carris. Sem falhas. Alguém que comprava a senha MAIS CARA só em caso de estar legal caso numa viagem fosse sair fora da zona habitual. Alguém que durante anos, décadas, cumpriu sempre a sua obrigação e dever. PAGOU sempre pelo serviço público que usufruiu. 


E agora, PELA PRIMEIRA VEZ, não passou adequadamente o passe, não validou, foi de imediato condenado a pagar MULTA!!!
Mas será que não existe uma alma com um coração para perceber o que está tãaaaaaaaão errado?!?!



Já aqui o disse e volto a repetir: tenho perfeita consciência que existe muita, mas muita gente a tentar viajar de borla nos transportes públicos da Carris. Já o escutei, inclusive, numa conversa entre dois miúdos a quem os pais davam dinheiro para comprarem o passe, os detalhes de como entravam sem pagar. Isto contado ao mesmo tempo que uma pessoa no autocarro tinha sido apanhada sem título de transporte (mesmo sem, NADA, nicles, nadita) e estava com os fiscais na frente da viatura, junto do motorista, a conversar sobre o assunto. Quatro paragens depois o indivíduo sai (era a sua paragem) e NENHUM documento foi solicitado, retirado, apresentado nem qualquer multa foi passada. Os fiscais seguiram no autocarro, sem passar multa, o passageiro saiu na paragem pretendida. Uma pessoa que fazia isto por sistema! Que nem título tinha!!
(revolta)

Tudo isto leva-me a concluir - penso eu que é bastante óbvio até - que o interesse da Carris está em MULTAR AS PESSOAS COM APARÊNCIA DE TEREM DINHEIRO NA CARTEIRA. Não lhes interessa, na realidade, o «combate à fraude». Tretas! Esse rapaz sem título de transporte ou o grupo deles que estavam no autocarro que os fiscais SE RECUSARAM a fiscalizar aquando me multaram, tudo situações por mim observadas que muito legitimamente conduzem a esta obvia conclusão. DINHEIRO. DINHEIRO, DINHEIRO. Não importa como o extorquir. 

Volto a manifestar-me contra esta postura agressiva e perseguidora. Sou contra a multa aplicada sem dó nem piedade a uma pessoa SEM ANTECEDENTES de quaisquer infracções. A pessoas que durante DÉCADAS usaram a carris enchendo-lhes os bolsos. Não sendo infractores. ESSAS pessoas agora são multadas sem HIPÓTESE de perdão! Sem quaisquer recursos e apelos. É de uma injustiça! Por mais tempo que passe isto me indigna. Causa repulsa. 

Obrigado Carris. Por vossa causa e devido à vossa ganância e deprimência NUNCA andei tanto a pé quanto agora. Graças às vossas decrepitas carreiras, às vossas alucinadas tarifas e tanto mais. No meu entender, são vocês que não são dignos de me terem como passageiro. Não são dignos do meu árduo e suado dinheiro.

O valor actualmente cobrado por um PASSE MENSAL é um absurdo. Um roubo. O que aconteceu? Duplicaram o anterior valor e a meu ver forçaram cada pessoa a comprar um serviço duplo de carris-metro. Quantas e quantas pessoas já não se queixaram que não querem pagar uma fortuna para ter carris-metro se só usam carris? Ou metro? E não OS DOIS?? E por isso não acham justo pagar a tarifa exigida? Mas não têm remédio... Não têm hipótese. Mais uma vez. Mais uma vez!

Por tudo isso repito: DINHEIRO. DINHEIRO, DINHEIRO. Não importa como o extorquir. 

sábado, 22 de dezembro de 2012

A MULTA - os que escapam e porquê?

O post intitulado "A MULTA" é o mais popular deste blogue. 
O mais consultado, o mais procurado.
Pois é exatamente sobre este tema que vim falar.

 CONTINUO REVOLTADA!
É o que acontece quando somos alvos de uma injustiça. E quando confrontados com a situação novamente, vezes sem conta, com outros protagonistas, e ter de assistir a um desfecho diferente, revolta MUITO mais.

Ontem entraram fiscais no autocarro onde viajava. Até achei bem pois cada vez vejo mais penetras a entrar sem pagar bilhete e com uma atitude à descarada. Os motoristas nada dizem e a imunidade continua. 

Os fiscais dirigiram-se ao rapaz que entrou no autocarro antes de mim. Este tinha colocado a carteira na máquina e apitado vermelho. Não tinha bilhete. Foi comprar junto ao motorista.

Atrás de mim o revisor pede o bilhete a outro rapaz. Resposta deste:
-"Não tenho. Não comprei, não tenho dinheiro (mas anda de autocarro)".

Os fiscais chamam-no até à frente do autocarro e vejo-os a falar. Em nenhum momento vejo papéis a serem trocados nem cartões de identificação a serem solicitados. O rapaz é deixado sair, na paragem QUE PRETENDIA SAIR, sem ser multado.


INJUSTIÇA!!!


Afinal, somos todos iguais ou não? É igual para todos? 
NÃO ME PARECE!!

O rapaz tinha todo o ar de fazer aquilo por sistema. Só a forma como respondeu já não deixa muitas margens para dúvidas. Se não se tem dinheiro, não se viaja de autocarro. Simples. Anda-se a pé. 
Ou então pedia emprestado uns poucos cêntimos para aquela viagem.
Mas não... ele queria era viajar sem pagar.  
Porque duvido que nos outros dias tivesse bilhete. 
Aliás, duvido que não se fosse enfiar noutro autocarro para viajar de borla.


FIQUEI REVOLTADA. 
Já vi muita coisa.
Vejo muitos penetras a entrar à descarada.
Mas desde que me passaram uma multa nas circunstâncias que descrevi, sem perdão, sem consideração, esperava presenciar o mesmo rigor quando outras pessoas são apanhadas sem título de transporte. Que foi o caso. Nem título de transporte os rapazes tinham! Mas não. Tenho visto os fiscais a deixarem os infractores seguir caminho. 
Estes só voltam a repetir a cena.
É que nem lhes pediram a identificação!!

QUAIS SÃO OS CRITÉRIOS, volto a perguntar?

QUAIS são os CRITÉRIOS?

É que a julgar por aquilo que assisto, os critérios é deixar ir sem multa todos aqueles que sistematicamente utilizam os serviços de borla e ser implacável com aqueles que pagam, desde que sejam velhos ou mulheres. É isso??

Já perdi a conta aos RAPAZES que deixam ir à sua vida sem passarem multa. No próprio dia em que me multaram tinham um autocarro cheio deles e os fiscais RECUSARAM-SE a entrar para fiscalizar!
E agora, nem documentos pedem?

Já vi uma fiscal maltratar um casal de idosos só porque estes fizeram uma pergunta qualquer. Eles tinham passe, mostraram-no. Está certo que idosos também são trapaceiros, mas a resposta azeda da fiscal foi totalmente desnecessária, provocatória e descontextualizada.

A mim, uma rapariga saída do trabalho, exausta, cansada, com o raciocínio deturpado pela exaustão, passaram logo multa. Sem perdão.

QUAIS OS CRITÉRIOS??

É que toda a minha vida tenho sido uma pessoa de princípios e que não tem qualquer intenção de viajar clandestinamente. Mas tudo isto deixa-me a perguntar se vale a pena. Tenho o meu nome «sujo» num registo qualquer. É injusto. E quando vejo outras pessoas apanhadas na mesma situação de viajarem sem título de transporte válido, ou, neste caso, SEM SEQUER UM TÍTULO DE TRANSPORTE, elas são perdoadas??

QUAIS SÃO OS CRITÉRIOS??
TENHO MESMO DE PERGUNTAR!
Está a fazer-me confusão.

Será a aparência das pessoas?
Quanto mais «chunga» melhor?
Será que os bem vestidos não são perdoados?
Mas os rapazes adolescentes são?
Serão mulheres o alvo preferencial?
E os idosos?

QUAIS OS CRITÉRIOS??
É que NÃO ENTENDO.

Impunidade para muitos.
Implacáveis com outros.

EU TENHO POR HÁBITO PAGAR BILHETE!!!
 Porque paguei eu uma multa se a quem não tem esse hábito até fecham os olhos?


Com estes tristes exemplos pondero virar «bandida».
Já que me cobram 2X por uma viagem...
é como se EU tivesse pago pelo bilhete daquele rapaz.

INJUSTIÇA!!!
QUAIS OS CRITÉRIOS, DEUS MEU?

Este blogue não está morto - parte 2

Este blogue não "morreu". Aliás, tem tanto para dizer que ficou é mudo.
Mudo e apático.
Mas vamos lá dar um «ar de graça»...




Os passes diários que se carregam a um mínimo de 1.15€ por viagem duram 1h. Todos o sabem. Em  princípio, para DENTRO de Lisboa, 1h seria SUFICIENTE para ir e voltar de um qualquer lugar. Devia, no mínimo, dar para uma deslocação de IDA ou de VOLTA, quando se trata apenas de sair e voltar a entrar. 

CASO REAL  
Pois precisei «ir e voltar» de um sítio. Só fui entregar um presente em mãos e corri para a paragem para regressar. Queria eu, com toda a legitimidade, fazer isto numa só viagem, numa hora. Afinal, o percurso demora 22m, é entregar e regressar. Nos quase 40m que sobram, dá mais do que tempo para apanhar um autocarro de volta. A frequência com que passam não ascende os 15m, na pior das hipóteses. SUPOSTAMENTE. 
Pois fiquei 28m à espera! Escusado é dizer, que a ideia caiu por terra... Em pleno dia da semana, com os horários que a carris coloca nas paragens a dizer aquelas mentiras de sempre: INVERNO, DIAS ÚTEIS, autocarros a passar de 11 em 11 minutos.


Dias depois, carreguei eu o meu bilhetezinho já vazio com 5.15€, por precisar ir (1.15€) e voltar (1.15€). Gasto total estimado: 2.30€. Restante valor no cartão: 2.85€. Pois lá fui. Gasto na ida: 1.15€. Restante em cartão: 4.00€. Enquanto fiz a viagem tendo de apanhar TRÊS viaturas, foi só vê-los... A entrar no autocarro sem validar o título de transporte verde. Uns ainda se dão ao trabalho de encolher os ombros para fingir que a máquina é que não lê bem o cartão. Outros nem isso. REVOLTA-ME. Sentam-se a meu lado uns rapazes a contar histórias de como costumam apanhar transportes sem pagar, «mesmo sem mais ninguém no autocarro» - gabava-se um.
REVOLTA. 

Lá fiz o que tinha a fazer, sem pressa e quando precisei regressar, lá validei o bilhete. Cais do Sodré para Gare do Oriente. Esse o meu destino. E já me dei por «feliz» por o transbordo ser somente UM. Da Gare teria de apanhar outro rumo ao destino final. Coisa que não leva nem 15 minutos. Cheguei à Gare em 30 minutos. Dava MAIS DO QUE TEMPO SUFICIENTE para apanhar o transbordo dentro do limite da HORA que o título permite. Afinal, estou em LISBOA, a fazer uma ÚNICA viagem. Pois o que aconteceu? Novamente?? Uma espera de 30m!! Claro. DE NADA SERVIU. Ao passar o bilhete, validou OUTRA VIAGEM!!!
Saldo final no cartão: 1.70€

Mas isto é correcto? COBRAR 2X por um único percurso só porque a CARRIS demora 30m a por um autocarro numa paragem??

Transbordos! A CARRIS quer fazer crer que estes não dificultam em nada a vida do utente. Por isso vai ELIMINANDO carreiras umas atrás das outras e depois como se fossemos todos gansos, faz por nos enfiar goela abaixo que para ir a qualquer lugar é só descer na paragem X e apanhar o Y... Pois, pois... mas quanto tempo se fica à espera de Y?? Isso não dizem! Não querem divulgar que sem transbordo, uma vez dentro de um transporte, o movimento é contínuo. Mas quando o transbordo é-nos cada vez mais forçado, já que não nos dão alternativa, vai-se dispender muito, mas muito mais tempo «à espera».

E por falar em alternativa, "cadê" outra carreira ali na Gare, uma estação principal, que possa servir para chegar ao mesmo lugar? Nenhuma, foram todas ELIMINADAS! 

REVOLTA-ME.
Penso nos srs. doutores e gestores desta empresa. A desconsideração que revelam pelos utentes. Nota-se tão claramente! Estes srs. NÃO FAZEM A MÍNIMA IDEIA do que é suposto estarem a fazer nos seus postos, porque não sabem quem servem. Gostava de os ver ali, a terem de usar as suas próprias viaturas para se deslocarem. A precisarem ir para uma reunião importante, e ficarem 30m numa paragem à espera. A consumirem outros 30m do seu tempo no percurso. A viajar de pé, a levar encontrões. A bufar de desespero, a acumular stress porque têm compromissos, família à espera e afazeres, todos comprometidos porque os transportes não são eficientes. 

Estes senhores não trabalham para as pessoas. Têm uma empresa que tem de gerar dinheiro. Apenas isso. REVOLTA-ME!




A situação pode não ser favorável, mas se a Carris não está melhor é porque os gestores não sabem fazer o seu trabalho bem feito. Duvido que a culpa seja do povo. Da «crise» ou da Merkel. A desconsideração que se faz sentir pelas necessidades daqueles que precisam de se deslocar de transportes públicos é o que mais revolta. Gostava de ver esses gestores, todos eles, sem carrinhos a ter de utilizar os da própria companhia. Gostava de os ver ali enfiados, a viajar de pé, entre as pessoas mas mais do que tudo, gostava de os ver à espera. Oh, como gostava!! Gostava de os ver a «bufar» de impaciência porque têm uma reunião onde ir e já se encontram à espera do seu próprio autocarro faz quase 30 minutos! Gostava que provassem dessa desconsideração. Que soubessem o quanto vale o tempo das pessoas para a Carris. Como se admite, ser MAIS RÁPIDO ir de Lisboa a Sesimbra, por exemplo, ou qualquer outra localidade fora da cidade? E que cidade é esta, senão a capital? É este o decrépito exemplo que se dá de um serviço público de transportes de uma capital de país?


sexta-feira, 11 de maio de 2012

A história que ficou no papel...

Não, este blogue não está morto.

Durante umas arrumações deparei com um papel com umas notas que tirei de uma saída de autocarro. Lembro-me perfeitamente desse dia: tive de ir para os lados de Belém tratar de uma burocracia mas, apesar disso, foi um dia que se apresentava perfeito: um bom clima, um ambiente mágico e o autocarro que apanhei, surpreendentemente, era daqueles modernos, quase a cheirar a novo, espaçoso, com aromatizante no ar (ah, a diferença!!!) e com uma circulação tão suave que quase nem se sentia a estrada. Era confortável. 

Foi um daqueles RAROS momentos em que andar num autocarro da Carris surtiu mesmo um efeito anti-stressante, e não o contrário. Estava a ser um momento ZEN. MAS, como tudo na vida, alguém ali não estava a sentir o mesmo. E esse alguém era o condutor. Visivelmente irritado sabe-se lá com o quê, embirrava com o que podia. Primeiro foi com um passageiro. Com o veículo parado numa paragem o passageiro pede ao motorista para abrir a porta de trás POR FAVOR. O motorista ignorou e o passageiro repete o pedido. A resposta do motorista foi responder desta forma: 
É preciso tocar, não tocou!”. O passageiro responde que tocou mas que não funcionou e volta a pedir para lhe abrir a porta, se faz favor. Foi muito calmo e educado. O motorista responde: "Toca, toca. Carregue com mais força!". “O metro é que pára em todas e abre as portas” -  resmunga, enquanto carrega no botão e abre a porta.  O passageiro sai, agradecendo. “Vem agarrado ao telemóvel”  -  queixa-se o motorista, já com o passageiro do lado de fora. O semáforo fica verde e o trânsito retoma a circulação. O motorista continua mal disposto e desta feita resmunga com um taxista. Já o momento passou e ele continua a resmungar com o táxi. Poucas paragens depois chega à estação de Santa Apolónia, tal e qual anuncia a voz electrónica de bordo. O motorista pára o autocarro e prepara-se para sair. Vai ser rendido por outro. Quando se cruzam o que o vai substituir diz o seguinte: “Boa folga”.


Não fiz nenhum juízo de valor ao motorista. Se calhar até era um senhor simpático mas que estava a ter um dia mau. Quando se trabalha muito, fechado num lugar e mal se vê a luz do dia, até tratar de burocracia durante uma tarde pode ser de uma mais-valia revitalizante. O perfume a laranjas inundava a zona. Tanto quanto sei, até podia ser essa a razão da má disposição do motorista, mesmo indo de folga e mesmo retirando as respectivas diferenças, claro está, de eu trabalhar fechada num escritório e ele livre e ambulatório. Aquela pequena altercação foi a única coisa que manchou uma tarde que se estava a revelar perfeita. 


PS: Na altura em que fiz estes apontamentos estava a tentar dar início a uma nova abordagem de posts, colocando o lugar, hora, dia e identificação de autocarro. Normalmente fazia o registo mental para anotar depois, mas não resultava. Desta vez decidi fazer o contrário e comecei por anotar no papel esses pormenores, junto com as palavras exactas do diálogo. Parecia um detective! O autocarro era o nº  4611, isto aconteceu por volta das 15.40h de um dia de Novembro. Ano e dia são propositamente ocultados para não arranjar problemas, caso algum curioso que tenha meios de descobrir o historial de percursos decida bisbilhotar. Porém, esta ideia de registar os acontecimentos como se de uma fotografia se tratasse, também não pegou J!

Boas viagens!