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segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Obrigado aos leitores, o blogue não vai morrer!

Agradeço a TODOS que têm vindo a este blogue e deixado a vossa contribuição.

São vários os dias em que me apetece cá vir fazer uma postagem, e outra, e outra, porque os assuntos nunca terminam. Adio, adio e depois deixo passar. Mas sei que voltarei a publicar com alguma assiduidade. Primeiro, porque tenho noção que acaba por ser um bem para todos. Depois, porque há muita coisa que quero dizer. 


Como por exemplo, é tão frequente o tempo de espera numa paragem ser elevado, que se fizer o percurso a pé (já me aconteceu muitas vezes) chego primeiro que o autocarro. Ora, se demoro 20 minutos, gostaria que o autocarro não demorasse 25 ou mais para aparecer!


Outra situação recorrente é andar com o passe diário e validar à entrada só para descer e fazer o transbordo na paragem seguinte. Fica-se à espera 20 minutos pelo próximo autocarro e é aí que se começa a sentir o stress porque, com o atraso enorme de transbordo, o título validado está cada vez mais próximo de expirar. E ainda falta o trajecto quase todo para ser feito.

Não tão poucas vezes quanto isso, tenho apanhado placares que indicam que as viaturas estão a 76 minutos (sim, SETENTA E SEIS!!!) de distância. Outra ocasião foi ainda mais, passou dos 80! Saquei da máquina fotográfica para registar a impressionante informação mas como sempre, os placares são anti-foto :(

(foto tirada daqui)
os eletricos... Quase que para certos percursos, andar a pé vai dar ao mesmo que usar o eléctrico. Este passa mais tempo parado e a tentar andar do que em circulação. Enquanto isso, os solavancos, o pára-arranca são uma autêntica tortura para qualquer passageiro de pé, e até mesmo para os que vão sentados. E quando o sol está forte, nada protege o passageiro do calor, do desconforto. A demora e o calor o faz sentir que está a cozer em lume brando! As portas, dos eletricos, é comum não fecharem. Até já aprendi um truque para ajudar o maquinista (?) para que este possa arrancar o quanto antes. Caso contrário, fica-se ali a ver a porta a bater, bater, abrir e bater sem fechar e a torrar ao sol.


Continuam - os eléctricos modernos, a não ter activa a indicação luminosa e auditiva de próxima paragem. E o cómico que foi quando finalmente entrei num com a indicação visual e sonora, mas a bota não batia com a perdigota: ao passar por um sítio, a voz indicava quatro sítios atrás. 
"Um estrangeiro engana-se logo ao ouvir isto!" - disse um passageiro, e com muita razão. 


Pelo menos os elétricos da carris, desses «novos», servem como comédia. As pessoas preferem rir do disparate que é estar a parar em "Santos" e a voz indicar "Praça do Comércio". De vez em quando riem também quando viajam apertadas que nem sardinhas. E tentam ter humor quando ficam demasiado tempo parados num sítio, ou quando têm de trocar de lugar porque pinga água no assento (provavelmente do inexistente ar condicionado - ou ar pingado). Fazem por ignorar a barulheira eletrónica e será que riem quando têm de fazer o percurso a pé porque o elétrico por algum motivo deixou de andar?

Quando um elétrico pára, os outros não podem ultrapassar... E tudo fica perdido.
(foto tirada daqui)
Tanta coisa acontece, sempre uma repetição de outras e outras. 
Para primeiro mundo, falta-nos tanto que parece que se deseja o inatingível.

Isto até o inatingível surgir palpável, numa visita a uns poucos países europeus onde o serviço de transportes colectivos fazem um português chorar de alegria e de tristeza ao mesmo tempo! 

segunda-feira, 30 de março de 2015

Placares... tão bonitos!

Paragem do Campo Pequeno.
Falta 45 a 50m para aparecerem dois veículos 783.
Mas de onde partem os 783? Da China?

Não! Dali perto... Amoreiras!

Reembolso em dia de greve, não?

Cada vez me convenço mais (ou melhor, me convencem)
que a Carris devia PAGAR a certos utentes para utilizarem os seus transportes.

De onde vem essa convicção?
De cada vez que entram em greve.
De cada vez que fico uns 20 minutos a aguardar numa paragem a próxima viatura.
De cada vez que preciso apanhar uns 4 autocarros para circular em Lisboa.
De cada vez que preciso esperar mais de 10 minutos por cada TRANSIÇÃO de autocarro para fazer um só percurso.
De cada vez que estou quase a chegar à paragem após subir a rua esforçadamente e o autocarro passa nesse instante.
De cada vez (e elas são muitas) que vejo pessoas a usar os transportes sem sequer APRESENTAR título válido.

E nisto tudo eu me interrogo, muitas vezes, como noutro dia, de noite, quando tive 20 minutos à espera de um terceiro autocarro, que ainda levou 10 minutos a fazer o percurso e chegou 1 minuto atrasado:

METADE DO QUE PAGUEI PELO PASSE MENSAL DEVIA SER REEMBOLSADO!


Próxima greve da Carris:

Dia 10 de Abril - sexta-feira, pois claro. Vai complementar a greve do metro. Ou seja, não haverão transportes nessa sexta. E o povo paga para quê?

Quero antes dizer: e o povo PARVO que ainda paga? Sim, porque uma boa parte já deixou de o fazer. Parvo é aquele que é certinho e depois sai prejudicado!


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Ser multado

O post mais popular deste blogue é o que relata a MULTA.
Volta e meia chega à caixa de correio várias perguntas sobre o que fazer para não se pagar uma multa. Ou o que fazer quando se deu os dados incorrectos ao receber uma multa. Conclusão: a MULTA É uma prática constante nos serviços da Carris.

Gostaria que as muitas pessoas a quem tentei esclarecer voltassem aqui para deixar um comentário a EXPLICAR como resolveram a situação. Não tenho muitas dúvidas que quase todas, certamente, se viram OBRIGADAS, forçadas, tal como eu, ao pagamento. Visto que o contrário seria um ingrata odisseia.

Mas ainda assim aproveito para DESABAFAR novamente as INJUSTIÇAS deste sistema.

Chegou aos meus ouvidos mais um caso de MULTA. Mas desta vez a uma pessoa que conheço muito bem. Uma pessoa que toda a sua vida andou de autocarro. TODA. O tipo de pessoa que estava sempre a enaltecer este meio de transporte, a quem se oferecia boleia mas que sempre recusava, mesmo num chuvoso inverno, argumentando que de autocarro chegaria ao seu destino num instante. 

Uma pessoa que durante uma conversa depressa retirava da carteira o seu passe mensal para explicar que comprava a senha L1, que era mais cara, mas com ela conseguia viajar para qualquer zona descansadamente, até para os limites da cidade e não estaria a infringir nenhuma norma, como via outros fazerem, outros que só tinham a senha L, e não a L1
Esta pessoa foi recentemente MULTADA por não usar título de transporte válido.


É caso para se dizer: Obliteradores voltem! Estão perdoados!!
Voltem «picas». 


Isto de fazer com que o próprio passageiro seja o obliterador e pica do seu próprio título de transporte parece um sonho tornado realidade para um sovina e ardiloso «Tio Patinhas». O «pato» conhece a natureza da maioria das pessoas que tentam ser mais espertinhas e fazer uma traquinagem de moçoilos e conta com elas para ficar ainda mais rico. Os cofres da Carris engordarem de tanta multa

Mas nem todas as pessoas são más. Nem todas que não validam correctamente o título de transporte o fazem INTENCIONALMENTE. E mesmo que haja uma que naquele instante o faça, não quer dizer que o repita. Pode tê-lo feito num momento de frustração e tomado uma decisão irreflectida de traquinice. Não quer dizer que a seguir repita a façanha. 

ESSES, os que não só repetem a façanha como fazem dela o seu estilo de vida, os que simplesmente USAM o serviço sem sequer terem um título de transporte para validar (quanto mais fingir validar) ESSES é que os fiscais deixam ir. Devia ser o contrário, não vos parece? Esses é que deviam ser afastados dessa prática e ser conduzidos à justiça dos tribunais. Mas não é o que acontece. Não é o que vejo acontecer. Esses aparentemente não têm dinheiro algum, logo, não podem pagar multas, pelo que é melhor não perder tempo com esses e deixá-los ir!

(revolta)

No caso da pessoa que relato, aqui está um exemplo perfeito de alguém que TODA A SUA VIDA deu dinheiro à Carris. Sem falhas. Alguém que comprava a senha MAIS CARA só em caso de estar legal caso numa viagem fosse sair fora da zona habitual. Alguém que durante anos, décadas, cumpriu sempre a sua obrigação e dever. PAGOU sempre pelo serviço público que usufruiu. 


E agora, PELA PRIMEIRA VEZ, não passou adequadamente o passe, não validou, foi de imediato condenado a pagar MULTA!!!
Mas será que não existe uma alma com um coração para perceber o que está tãaaaaaaaão errado?!?!



Já aqui o disse e volto a repetir: tenho perfeita consciência que existe muita, mas muita gente a tentar viajar de borla nos transportes públicos da Carris. Já o escutei, inclusive, numa conversa entre dois miúdos a quem os pais davam dinheiro para comprarem o passe, os detalhes de como entravam sem pagar. Isto contado ao mesmo tempo que uma pessoa no autocarro tinha sido apanhada sem título de transporte (mesmo sem, NADA, nicles, nadita) e estava com os fiscais na frente da viatura, junto do motorista, a conversar sobre o assunto. Quatro paragens depois o indivíduo sai (era a sua paragem) e NENHUM documento foi solicitado, retirado, apresentado nem qualquer multa foi passada. Os fiscais seguiram no autocarro, sem passar multa, o passageiro saiu na paragem pretendida. Uma pessoa que fazia isto por sistema! Que nem título tinha!!
(revolta)

Tudo isto leva-me a concluir - penso eu que é bastante óbvio até - que o interesse da Carris está em MULTAR AS PESSOAS COM APARÊNCIA DE TEREM DINHEIRO NA CARTEIRA. Não lhes interessa, na realidade, o «combate à fraude». Tretas! Esse rapaz sem título de transporte ou o grupo deles que estavam no autocarro que os fiscais SE RECUSARAM a fiscalizar aquando me multaram, tudo situações por mim observadas que muito legitimamente conduzem a esta obvia conclusão. DINHEIRO. DINHEIRO, DINHEIRO. Não importa como o extorquir. 

Volto a manifestar-me contra esta postura agressiva e perseguidora. Sou contra a multa aplicada sem dó nem piedade a uma pessoa SEM ANTECEDENTES de quaisquer infracções. A pessoas que durante DÉCADAS usaram a carris enchendo-lhes os bolsos. Não sendo infractores. ESSAS pessoas agora são multadas sem HIPÓTESE de perdão! Sem quaisquer recursos e apelos. É de uma injustiça! Por mais tempo que passe isto me indigna. Causa repulsa. 

Obrigado Carris. Por vossa causa e devido à vossa ganância e deprimência NUNCA andei tanto a pé quanto agora. Graças às vossas decrepitas carreiras, às vossas alucinadas tarifas e tanto mais. No meu entender, são vocês que não são dignos de me terem como passageiro. Não são dignos do meu árduo e suado dinheiro.

O valor actualmente cobrado por um PASSE MENSAL é um absurdo. Um roubo. O que aconteceu? Duplicaram o anterior valor e a meu ver forçaram cada pessoa a comprar um serviço duplo de carris-metro. Quantas e quantas pessoas já não se queixaram que não querem pagar uma fortuna para ter carris-metro se só usam carris? Ou metro? E não OS DOIS?? E por isso não acham justo pagar a tarifa exigida? Mas não têm remédio... Não têm hipótese. Mais uma vez. Mais uma vez!

Por tudo isso repito: DINHEIRO. DINHEIRO, DINHEIRO. Não importa como o extorquir. 

sábado, 6 de abril de 2013

Transporte predilecto e... AGARRA QUE É LADRÃO!

Se me perguntarem qual é o meu transporte favorito para andar na cidade eu tenho de dizer que é este:


O ELÉCTRICO!! Mas tem de ser DESTES, dos antigos.


Só trazem vantagens. São rápidos. Muito rápidos. Dá gosto vê-los a arrancar depois de estarem parados. Já vão a velocidade. E adoro o som da campainha. São confortáveis. Mesmo em pé, a sensação é boa. São espaçosos. Nunca vi nenhum transporte como este. Pequeno por fora, espaçoso por dentro. Faz lembrar os Mini do Júlio Isidro. Não trasandam como os outros. Não são desagradavelmente ruidosos como os outros. Não são uma estufa abafada e quente. A temperatura é sempre agradável, seja em que altura do ano for, no frio ou no quente. Estes não vêm equipados com ar condicionado e nem precisam! Tem janelas. Janelas que se abrem! É delicioso, proporcionam quando abertas uma viagem que enche muito mais os sentidos e se torna muito mais tranquila e serena. Cada janela tem uma lona, que serve para ser baixada quando o sol está a incomodar. Os eléctricos compridos não têm nada disto. Têm um aspecto decadente. Velho. E os eléctricos velhos podem ser velhos, mas jamais perderam a juventude. Já os compridos, só pareciam ser novos durante as primeiras semanas de uso. Jamais se podem sequer comparar à prazerosa viagem que os antigos proporcionam, Nunca! É até ofensivo. Deviam remeter-se para a sua insignificância e referenciar o «mestre», o exemplo da perfeição: o eléctrico antigo!

Acho que lá no passado as pessoas que mal tinham carros e precisavam de se deslocar souberam bem o que faziam ao apostar no eléctrico. Andam agora a fazer automóveis movidos a electricidade, quando os velhitos amarelos ainda cá estão, a lembrar, afinal, de que fibra são feitos! A indicar o caminho. Todos estes anos, debaixo do nariz de todos, a mostrar que não morreram, porque são bons!



Já fazia muito tempo que não viajava de eléctrico. Hoje entrei num dos compridos e não foi com surpresa que percebi o quanto cheirava mal. Também existiu durante toda a viagem um barulho de buzina, uma coisa que arranhava no ouvido e que não havia forma de se calar. Ás tantas pára numa paragem, os passageiros saem, outros entram, mas não há meio de retornar a marcha. É então que percebo que está com dificuldades em que uma das portas electricas se fechem automaticamente. Quando dei conta já o motorista estava a tentar, com uns safanões e puxões, por aquilo a funcionar. Um passageiro ajudou. Mas qual quê. Nada. Uma estrangeira turista cuja língua não soube identificar disse uma só palavra: "avaria". Durante toda a viagem não entendi nada do que dizia com as outras, mas esta palavra dispensou tradução. O motorista segurando uma espécie de caixa na mão falou que tinha de a "travar". E depois disto, as portas, pelo menos por aquele período, voltaram a funcionar. Isto do "travar" (será uma espécie de reset? Desligar e ligar de novo?) fez-me  recordar que uma das portas do electrico estava fechada por fora, obrigando os passageiros a se deslocarem a outras mais próximas. E recordei que existe sempre umas tantas que não estão a funcionar. Já andei num eléctrico comprido que tinha as três portas centrais travadas! Aquele sinal luminoso vermelho que devia indicar a paragem seguinte, também estava desligado. E não existia a VOZ a comunicar a próxima paragem. Tanta «merdinha» com estas coisas para não funcionarem. Ao menos que tivesse UMA vantagem sobre os eletricos antigos, mas qual quê! Nunca nada funciona... são uma lata velha de plástico PVC e metal que por ali anda, com aparelhos electricos como portas, visores e ar condicionados que NUNCA estão a funcionar e sempre estão AVARIADOS. As estrangeiras levantaram-se do assente para ir espreitar o mapa em cima da porta e diziam os nomes dos sítios. Queriam saber ONDE estavam. Mas aqui em Lisboa uma coisa sempre faltou à maioria das paragens: O NOME. E assim, as estrangeiras fizeram o percurso irrequietas, com medo de falharem a paragem onde queriam sair e sem ter a mínima ideia de quantas faltavam ainda para lá chegar. Cada vez que o electrico parava, elas olhavam para a paragem, mas aquele friso amarelo que devia conter o nome do local, só é amarelo. Mais nada. 


Também eu precisava dessa indicação. Qualquer um precisa. É um sinal de comunicação IMPRESCINDÍVEL. E se for para confiar na voz electrónica de bordo, é para esquecer. Ou não funcionam como era o caso, ou está dessincronizada e vai anunciado a paragem errada... Isto tudo aliado ao mau cheiro, ao ruído de buzina constante, ao abafado e ao calor intenso do sol... Por favor! Chamar estas coisas de electricos, quando o "pai" destas criaturas anda ali sempre para as curvas todo gaiteiro e elegante, é uma ofensa, não? São antes umas latas que andam sobre os carris rasteirinhas ao chão, que é para facilitar o trabalho aos CARTEIRISTAS...

E por falar nisso... Presenciei um furto de uma carteira. Apontei o ladrão às vítimas, que se deram conta do encontrão e pularam para fora do electrico atrás dos dois infractores. Dois homens velhos, má aparência, um de casaco castanho outro de casaco preto. Sairam tão depressa quanto entraram mas calhei captar a cena de um a esconder os cartões com as mãos junto à barriga e a fazer sinal para o outro. Apanhados, ainda se fizeram passar por beneméritos, dizendo que a carteira "estava no chão". Mas fugiram com ela! E já ia longe, não fosse eu ter apontado o que vi. O jovem casal que foi vítima do furto, manteve-se tranquilo chamasse e talvez tivessem chamado a polícia para reaver a carteira e os pertences, não fosse eu ter apontado um «senhor a sair com uns cartões e passes na mão". Nem sei se os gatunos tiveram tempo de surrupiar dinheiro, foi tudo muito rápido e as vítimas após reaverem a carteira, partiram de seguida noutro transporte, sem grandes trocas de palavras. 

Os larápios ao constatarem uma nova multidão a formar-se numa outra paragem, voltaram a colocar o "uniforme" que era os casacos que haviam despido e a se juntar à multidão. Nenhum olhar reprovatório meu lhes fez espécie. Mas quando vi uma jovem mãe e filha muito apressadas a porem-se a jeito, avisei-a que andavam a assaltar por ali. Fui... específica. A senhora afastou-se, mais a criança, assim que ouviu um dos homens a dirigir-se a mim de forma ordinária. Ripostei com tranquilidade mas sem confronto de maior. Porém, talvez devesse ter começado a fazer ali uma peixeirada, a gritar muito alto "apanha que é ladrão", a apontar para aqueles dois salafrários, que é para a multidão que vai e vem saber que ali estavam em perigo. Para ver se os dois se mancavam e davam o dia por encerrado... 

Pensei em comunicar à polícia, após chegar a casa. Mas ao mesmo tempo, muita coisa me ocorreu. Pensei que seria ingenuidade minha a polícia não saber, naquele sítio turístico e apinhado de gente a ir e vir, que existem furtos. A esquadra mesmo ali ao lado, assim como a guarda do presidente da república, e os assaltos ali à porta de "casa", digamos assim. Não só deviam saber, como deviam os levar e depois os soltar... É preciso apresentar queixa e hoje em dias as pessoas nem sempre se dão ao trabalho de passar por esse processo que envolve tribunais e testemunhas. E pensei também no quanto devo ser feita mesmo de outra fibra, tal como os velhinhos eléctricos. Nem parece que sou cria da cidade, mas sou. Os próprios assaltados permaneceram muito tranquilos e simplesmente foram recuperar a carteira, deixando os gatunos prontos para a próxima. Se calhar o ficar calada e fingir que nada vi era o certo. O certo para uma cidade destas. Mas eu não só apontei na direcção do gatuno, como acabei por dizer na cara dos dois que andavam a assaltar. Assim, na lata. Podia arriscar-me com isto... Mas na altura não me ocorreu. Tenho um senso do que é correto e do que não é que parece que pertence ao passado, a uma geração do passado, que se guiava com mais proximidade dos valores morais, devido ao papel presente da religião, que levava as pessoas às missas de Domingo e assim, de certa forma, as mantinha mais conscientes do bem e do mal. Eu nem fiz catequese! Não fui «exposta» a esses ensinamentos, a esses ambientes. Sou da cidade e depressa percebi que existe malícia, mentira, perigo, malandragem e fingimento. E apesar de tudo isto, ao invés de ficar caladinha... falei. 

Deve ser por isso que gosto dos velhinhos eléctricos! Tal como eu, são feitos com fibra de qualidade... :)



sábado, 22 de dezembro de 2012

Este blogue não está morto - parte 2

Este blogue não "morreu". Aliás, tem tanto para dizer que ficou é mudo.
Mudo e apático.
Mas vamos lá dar um «ar de graça»...




Os passes diários que se carregam a um mínimo de 1.15€ por viagem duram 1h. Todos o sabem. Em  princípio, para DENTRO de Lisboa, 1h seria SUFICIENTE para ir e voltar de um qualquer lugar. Devia, no mínimo, dar para uma deslocação de IDA ou de VOLTA, quando se trata apenas de sair e voltar a entrar. 

CASO REAL  
Pois precisei «ir e voltar» de um sítio. Só fui entregar um presente em mãos e corri para a paragem para regressar. Queria eu, com toda a legitimidade, fazer isto numa só viagem, numa hora. Afinal, o percurso demora 22m, é entregar e regressar. Nos quase 40m que sobram, dá mais do que tempo para apanhar um autocarro de volta. A frequência com que passam não ascende os 15m, na pior das hipóteses. SUPOSTAMENTE. 
Pois fiquei 28m à espera! Escusado é dizer, que a ideia caiu por terra... Em pleno dia da semana, com os horários que a carris coloca nas paragens a dizer aquelas mentiras de sempre: INVERNO, DIAS ÚTEIS, autocarros a passar de 11 em 11 minutos.


Dias depois, carreguei eu o meu bilhetezinho já vazio com 5.15€, por precisar ir (1.15€) e voltar (1.15€). Gasto total estimado: 2.30€. Restante valor no cartão: 2.85€. Pois lá fui. Gasto na ida: 1.15€. Restante em cartão: 4.00€. Enquanto fiz a viagem tendo de apanhar TRÊS viaturas, foi só vê-los... A entrar no autocarro sem validar o título de transporte verde. Uns ainda se dão ao trabalho de encolher os ombros para fingir que a máquina é que não lê bem o cartão. Outros nem isso. REVOLTA-ME. Sentam-se a meu lado uns rapazes a contar histórias de como costumam apanhar transportes sem pagar, «mesmo sem mais ninguém no autocarro» - gabava-se um.
REVOLTA. 

Lá fiz o que tinha a fazer, sem pressa e quando precisei regressar, lá validei o bilhete. Cais do Sodré para Gare do Oriente. Esse o meu destino. E já me dei por «feliz» por o transbordo ser somente UM. Da Gare teria de apanhar outro rumo ao destino final. Coisa que não leva nem 15 minutos. Cheguei à Gare em 30 minutos. Dava MAIS DO QUE TEMPO SUFICIENTE para apanhar o transbordo dentro do limite da HORA que o título permite. Afinal, estou em LISBOA, a fazer uma ÚNICA viagem. Pois o que aconteceu? Novamente?? Uma espera de 30m!! Claro. DE NADA SERVIU. Ao passar o bilhete, validou OUTRA VIAGEM!!!
Saldo final no cartão: 1.70€

Mas isto é correcto? COBRAR 2X por um único percurso só porque a CARRIS demora 30m a por um autocarro numa paragem??

Transbordos! A CARRIS quer fazer crer que estes não dificultam em nada a vida do utente. Por isso vai ELIMINANDO carreiras umas atrás das outras e depois como se fossemos todos gansos, faz por nos enfiar goela abaixo que para ir a qualquer lugar é só descer na paragem X e apanhar o Y... Pois, pois... mas quanto tempo se fica à espera de Y?? Isso não dizem! Não querem divulgar que sem transbordo, uma vez dentro de um transporte, o movimento é contínuo. Mas quando o transbordo é-nos cada vez mais forçado, já que não nos dão alternativa, vai-se dispender muito, mas muito mais tempo «à espera».

E por falar em alternativa, "cadê" outra carreira ali na Gare, uma estação principal, que possa servir para chegar ao mesmo lugar? Nenhuma, foram todas ELIMINADAS! 

REVOLTA-ME.
Penso nos srs. doutores e gestores desta empresa. A desconsideração que revelam pelos utentes. Nota-se tão claramente! Estes srs. NÃO FAZEM A MÍNIMA IDEIA do que é suposto estarem a fazer nos seus postos, porque não sabem quem servem. Gostava de os ver ali, a terem de usar as suas próprias viaturas para se deslocarem. A precisarem ir para uma reunião importante, e ficarem 30m numa paragem à espera. A consumirem outros 30m do seu tempo no percurso. A viajar de pé, a levar encontrões. A bufar de desespero, a acumular stress porque têm compromissos, família à espera e afazeres, todos comprometidos porque os transportes não são eficientes. 

Estes senhores não trabalham para as pessoas. Têm uma empresa que tem de gerar dinheiro. Apenas isso. REVOLTA-ME!




A situação pode não ser favorável, mas se a Carris não está melhor é porque os gestores não sabem fazer o seu trabalho bem feito. Duvido que a culpa seja do povo. Da «crise» ou da Merkel. A desconsideração que se faz sentir pelas necessidades daqueles que precisam de se deslocar de transportes públicos é o que mais revolta. Gostava de ver esses gestores, todos eles, sem carrinhos a ter de utilizar os da própria companhia. Gostava de os ver ali enfiados, a viajar de pé, entre as pessoas mas mais do que tudo, gostava de os ver à espera. Oh, como gostava!! Gostava de os ver a «bufar» de impaciência porque têm uma reunião onde ir e já se encontram à espera do seu próprio autocarro faz quase 30 minutos! Gostava que provassem dessa desconsideração. Que soubessem o quanto vale o tempo das pessoas para a Carris. Como se admite, ser MAIS RÁPIDO ir de Lisboa a Sesimbra, por exemplo, ou qualquer outra localidade fora da cidade? E que cidade é esta, senão a capital? É este o decrépito exemplo que se dá de um serviço público de transportes de uma capital de país?


sábado, 19 de maio de 2012

O pedido de testemunho - a MULTA

Recebi um comentário de outra utente da Carris recentemente MULTADA e que se sente de tal modo injustiçada que está disposta a contestar.
De leis pouco entendo mas partilho da indignação e compreendo a vontade de ripostar. A utente solicita que «se corte o mal pela raiz» e apela a uma acção conjunta. Por solidariedade publiquei o comentário ao post e projecto o seu apelo, que penso dirigido a todos que já passaram por esta constrangedora situação, abrindo-lhe este post.

A utente tem até QUARTA-FEIRA para contestar a multa.

Apelo recebido:
«(...) gostaria de pedir, (...), visto que fomos vitimas das mesmas injustiças, (...) para testemunhar sob a alegação de termos sido vitimas de violação do direito constitucional que diz respeito à igualdade. (...)  um dos meus argumentos é que eles violaram também o art.27º, ponto 2 (...) visto que me foi impedida a saida do veículo, coisa que eles NÃO PODEM fazer. 
O vosso testemunho recairia apenas em confirmar como foram multados, enquanto outras pessoas não foram sequer revistas, estando estas pessoas a ser beneficiadas em relação a vós. o meu mail é (xxxx)@( xxx).com*.  (...) gostaria de contar com a vossa ajuda (...) Obrigada.»


O apelo  está dado. Vão ajudar?


* informação mediante solicitação

sexta-feira, 11 de maio de 2012

A história que ficou no papel...

Não, este blogue não está morto.

Durante umas arrumações deparei com um papel com umas notas que tirei de uma saída de autocarro. Lembro-me perfeitamente desse dia: tive de ir para os lados de Belém tratar de uma burocracia mas, apesar disso, foi um dia que se apresentava perfeito: um bom clima, um ambiente mágico e o autocarro que apanhei, surpreendentemente, era daqueles modernos, quase a cheirar a novo, espaçoso, com aromatizante no ar (ah, a diferença!!!) e com uma circulação tão suave que quase nem se sentia a estrada. Era confortável. 

Foi um daqueles RAROS momentos em que andar num autocarro da Carris surtiu mesmo um efeito anti-stressante, e não o contrário. Estava a ser um momento ZEN. MAS, como tudo na vida, alguém ali não estava a sentir o mesmo. E esse alguém era o condutor. Visivelmente irritado sabe-se lá com o quê, embirrava com o que podia. Primeiro foi com um passageiro. Com o veículo parado numa paragem o passageiro pede ao motorista para abrir a porta de trás POR FAVOR. O motorista ignorou e o passageiro repete o pedido. A resposta do motorista foi responder desta forma: 
É preciso tocar, não tocou!”. O passageiro responde que tocou mas que não funcionou e volta a pedir para lhe abrir a porta, se faz favor. Foi muito calmo e educado. O motorista responde: "Toca, toca. Carregue com mais força!". “O metro é que pára em todas e abre as portas” -  resmunga, enquanto carrega no botão e abre a porta.  O passageiro sai, agradecendo. “Vem agarrado ao telemóvel”  -  queixa-se o motorista, já com o passageiro do lado de fora. O semáforo fica verde e o trânsito retoma a circulação. O motorista continua mal disposto e desta feita resmunga com um taxista. Já o momento passou e ele continua a resmungar com o táxi. Poucas paragens depois chega à estação de Santa Apolónia, tal e qual anuncia a voz electrónica de bordo. O motorista pára o autocarro e prepara-se para sair. Vai ser rendido por outro. Quando se cruzam o que o vai substituir diz o seguinte: “Boa folga”.


Não fiz nenhum juízo de valor ao motorista. Se calhar até era um senhor simpático mas que estava a ter um dia mau. Quando se trabalha muito, fechado num lugar e mal se vê a luz do dia, até tratar de burocracia durante uma tarde pode ser de uma mais-valia revitalizante. O perfume a laranjas inundava a zona. Tanto quanto sei, até podia ser essa a razão da má disposição do motorista, mesmo indo de folga e mesmo retirando as respectivas diferenças, claro está, de eu trabalhar fechada num escritório e ele livre e ambulatório. Aquela pequena altercação foi a única coisa que manchou uma tarde que se estava a revelar perfeita. 


PS: Na altura em que fiz estes apontamentos estava a tentar dar início a uma nova abordagem de posts, colocando o lugar, hora, dia e identificação de autocarro. Normalmente fazia o registo mental para anotar depois, mas não resultava. Desta vez decidi fazer o contrário e comecei por anotar no papel esses pormenores, junto com as palavras exactas do diálogo. Parecia um detective! O autocarro era o nº  4611, isto aconteceu por volta das 15.40h de um dia de Novembro. Ano e dia são propositamente ocultados para não arranjar problemas, caso algum curioso que tenha meios de descobrir o historial de percursos decida bisbilhotar. Porém, esta ideia de registar os acontecimentos como se de uma fotografia se tratasse, também não pegou J!

Boas viagens!

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A multa - cont.


Caríssimos,
uma das entradas mais comentadas deste blogue foi sobre a MULTA passada a quem viaja nos autocarros da CARRIS com título inválido. Pois aqui vai o resto da história:

No dia em que me passaram a multa  tive de apanhar um outro autocarro para continuar viagem. Os fiscais  acompanharam-me porque não tinha bilhete e quando a viatura chega e as portas abrem-se, o motorista cumprimenta com ENTUSIASMO os fiscais e, de seguida, sabem o que ele faz? Estrategicamente já com as portas traseiras fechadas, o motorista praticamente IMPLORA aos fiscais para entrarem no autocarro. Disse-lhes que "faziam uma razia" ali, que o autocarro estava "cheio deles". O  motorista insistiu  muito, mas os fiscais recusaram. RECUSARAM!

Este episódio NÃO ME SAIU DA CABEÇA porque ali estava eu, acabada de ser multada e ali estava um autocarro CHEIO de multas por apanhar. Mas multas, segundo deu a entender o motorista, que seriam passadas a indivíduos que costumam viajar de graça POR SISTEMA. Não era apenas um, como eu, que estava exausta e confusa, mas muitos, que faziam uma algazarra no fundo do autocarro. OS FISCAIS viraram as costas e FORAM-SE EMBORA!

Se era porque tinham acabado o horário de trabalho, PORRA, então que me deixassem em paz, que o meu também tinha terminado ao fim de 10 horas consecutivas!

Lembro-me bem do cansaço desse dia. AVASSALADOR! O meu único objectivo nessa altura era descansar, descansar, descansar! Estava exausta! Sentia que precisava chegar a casa depressa, porque não ia aguentar ficar de pé nem 3 minutos. Aliás, deixei o corpo cair contra o autocarro, como se ele pesasse uma tonelada. Isto não JUSTIFICA viajar com título de transporte inválido mas explica a razão pela qual esqueci que tinha outro passe na carteira.

Achei INFAME que os fiscais não tenham atendido aos pedidos do motorista. Para mim tanto me fazia mas, pela perspectiva do que tinha acabado de me acontecer, julgo que é injusto que se procure a multa "fácil". Imagino que os fiscais não queriam ter problemas. Se os indivíduos fossem recorrentes ou nem tivessem bilhete para mostrar, ficava declarada a intenção de engano. Teriam de ir para a esquadra. Olhem só o frete! Ao fim do dia... os fiscais não quiseram ter esse trabalho.


Deste dia adiante, fiquei mais sensível a este tipo de situações. Vi, mais que uma vez, as pessoas que fazem a fiscalização a detectar que o passe recarregável azul de um utente estava inválido e permitiram-lhe que usasse uma das viagens ou então fossem comprar o bilhete ao motorista. Não vi ninguém passar de imediato para a multa e isso DEU-ME O QUE PENSAR.


Não teria o meu caso sido uma excepção? Não me foi dada a hipótese de comprar o bilhete!


Por força do DESTINO, quis a sorte que voltasse a cruzar-me com um dos "meus" FISCAIS em mais duas situações. Em ambas viajava num autocarro, num percurso totalmente diferente daquele onde me passaram a multa. Em ambas as ocasiões tinha acabado de carregar o PASSE MENSAL (desisti dos outros) em coisa de um ou dois dias. Quis confrontá-los e perguntar-lhes se estavam lembrados de mim. Mas a verdade é que AQUELE que me passou a multa, em ambas as ocasiões, AFASTOU-SE de mim, deixando que fosse o colega a pedir o título. Ainda tentei ver se a oportunidade de estabelecer contacto ocorria mas, muito sinceramente, fiquei com a impressão que o indivíduo me evitava.

Logo por sorte, eu saí-lhe na rifa mais vezes! E como que a comprovar a excepção que foi todo aquele episódio da multa, viajava como sempre viajei em todas estas décadas como utilizadora de autocarros da Carris: com título válido!

Foram os meus pais que me passaram este tipo de rectidão. Lembro-me de ter de ir para a escola e comprar o passe mensal, para depois fazer o percurso a pé. Mas tinha de ter o passe, porque era mais seguro, porque podia acontecer alguma coisa... Cheguei a comprar e não usar.

Mas isso são outras histórias.
A questão aqui é tentar perceber como é que se pode passar uma multa sem perdão em determinada situação e depois parecer existir benevolência para outras. E o que é pior, o que não me saia da cabeça: porquê os que são realmente infractores parecem sair-se impunes??

Porquê aqueles fiscais não fizeram o seu trabalho e foram solicitar o título de transporte aos passageiros daquele  autocarro, depois de me terem multado? Porquê a agulha no palheiro e não a palha inteira??

Qual é o critério?

sábado, 5 de fevereiro de 2011

A multa

Passaram-me uma multa num autocarro da Carris. Já faz algum tempo e tenho vindo a querer escrever sobre o assunto aqui, se bem que, sobre a situação em si, pouco tenho a dizer. É mais o que veio a seguir que foi um "open eyes".
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A multa foi-me passada por viajar com um título de transporte inválido. Ou seja: o passe tinha expirado. Eu, que rejeitei a boleia de uma colega, saí exausta do trabalho, corri bastante (até ficar com um sabor estranho na boca) para conseguir alcançar a camioneta a tempo e, feliz por ter tido sucesso, eis que chego a Lisboa e fico logo novamente triste, porque um dos autocarros que posso apanhar está à distância de mais uma corrida! Mas é o próprio cansaço e a vontade de tirar os sapatos e deitar algures para descansar que me motiva a mais uma maratona. Consigo entrar e passo a carteira na máquina, sem ver a cor que esta emite, mas atenta ao som. Distintamente, escutei o ruido da validação.
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Depois encostei-me junto às portas de saída para recuperar o fôlego. A paragem seguinte é aquela onde queria sair. Mas o cansaço é tanto que me afecta o pensamento e, por essa razão, pelo cansaço, não saí e decidi seguir mais duas paragens, tendo depois de andar e atravessar três estradas para apanhar uma outra viatura.
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Chegando a essa paragem, convenci-me que o autocarro ia fazer uma curva e parar exactamente na paragem onde pretendia ficar. "Como não me lembrei disso antes?" - pensei eu, contente por isso significar que não tinha de correr nem de andar mais. O autocarro parava uma paragem de transbordo! Só tinha de descer e aguardar. Nada de caminhadas ou correrias! Pelo menos assim pensei, mas o cansaço deturpou-me o raciocínio, pois o percurso da viatura não era o que estava a pensar.
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Antes porém, de arrancar, entram dois fiscais no autocarro. Recordo que estava na paragem onde devia sair, mas decidi continuar para descer na próxima, que, afinal, não era a que eu pensava que era. Estava, portanto, junto à porta de saída. Nesse instante duas ou três pessoas passam por mim e abandonam a viatura um pouco atrasadas, pois as portas já estavam abertas à algum tempo.
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Não sei se é por estar à porta, mas a verdade é que um dos fiscais chegou-se directo a mim para me pedir o passe. Tiro-o da carteira e dá inválido. Ao que parece, estava inválido há 2 dias, mas como na véspera tinha tido boleia e não precisei usá-lo, o facto passou-me ao lado. Em todo o caso, tenho comigo "passes de emergência". Os tais cartões azuis, com ao menos uma viagem. Tinha comigo uns 10! Acabo sempre por comprar um novo, por o antigo estar numa outra carteira ou mala... Mas desses 10, 8 sabia estarem vazios ou com uma quantia de dinheiro insuficiente para uma viagem. Tanto assim era que estavam já de parte, para não me confundirem.
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O fiscal pergunta-me se o passe validou verde e pede-me outro título de transporte. Eu respondo sim à primeira pergunta e não tenho outro título de transporte para lhe dar. Esqueci-me totalmente da existência dos cartões azuis e passei-lhe então um dos verdes, pois lembrei-me subitamente de o ter na carteira. A máquina nem sequer o leu, passou como inválido.
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Entretanto já estava a sentir alguma aflição porque reparei que o autocarro não estava a seguir o percurso que imaginei e me afastava do meu destino. Perguntei aos senhores o que se passava a seguir. Disseram-me que tinham de passar o papel, mas que depois eu podia explicar a situação por telefone e o mais provável era não ter de pagar nada se conseguisse argumentar. Ela praticamente me assegurou disto.
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Saimos na paragem seguinte, eles pediram-me os dados, preencheram uma folha e depois entregaram-ma. Senti angústia. Toda aquela situação imprevista... num minuto estava com pressa para chegar a casa para repousar, no outro já estava naquela situação. Não consegui pensar em mais nada o dia todo. O desenrolar dos acontecimentos passavam na minha cabeça como se fosse um filme. Todos os pormenores. Decidi até experimentar todos os cartões que, estupidamente, lembrei, depois de já ter tido a multa, que tinha comigo. Quando me perguntaram, não me recordei dos azuis, 8 deles guardados numa bolsa à parte. Esses estavam todos sem fundos e, por essa razão, a minha mente simplesmente esqueceu-se deles. Quando passei um dos outros, o mesmo estava válido.
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Telefono então para o número que me foi facultado e fico a saber que não ia poder argumentar coisa alguma, explicar a situação. Ali só me confirmavam que tinha uma multa a pagar. Fui então até ao local, convencida que aí ia, então, poder fazer o que o fiscal me disse: explicar a situação e, se a mesma fosse compreendida, a multa seria eliminada. Para meu espanto, a primeira coisa que o funcionário me diz é que ali eles não fazem nada, só recebem os pagamentos. Se eu quisesse protestar, como está no meu direito, tinha de contactar a entidade reguladora, o lnstituto da Mobilidade e dos Transportes. O Estado! Saí de lá sem pagar.
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Telefonei então para a entidade. Por esta altura eu sentia revolta por todo este processo falso e burocrático. E sentia determinação em levar o meu sentido de justiça adiante. Tudo parecia estar "montado", um esquema bem montado, para a pessoa não conseguir defender-se. Pensei cá com os meus botões que aquilo não foi o que o fiscal que me multou deu a entender. Essa informação ele deixou de parte! Depois veio a revolta, por tudo: a injustiça da situação, o nunca ter tido uma única infracção em todos estas décadas como utente da Carris e isso nem ser levado em consideração, o já ter feito quilómetros a pé por me faltaram os tais 20 cêntimos para o bilhete.. como podia agora ter o rótulo de "infractor"?? Isso aborreceu-me muito mais que a multa em si! A ideia de ter o meu nome «sujo» num registo qualquer com a indicação de INFRACÇÃO era a mais dolorosa das injustiças, aquela que me movia a combater a situação com determinação.
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Ao telefone fui informada que ali não havia espaço para conversas! Ou pagas, ou vais a tribunal. Simples e absolutamente revoltoso para quem foi apanhado numa situação singular. Caso provasse em tribunal que não viajava com título inválido, não pagava a multa. Mas se não o provasse, tinha de a pagar, então mais pesada devido ao período de 5 dias úteis já ter expirado, mais as despesas do processo. Além disso, precisava de TRÊS TESTEMUNHAS.  Estava tudo no verso do papel da multa e era só para isso que me souberam direccionar. Mas esta pessoa ao telefone facultou-me uma outra informação útil - também ela impressa em letras pequeninas no regulamento no verso do papel da multa mas pouco perceptível. É que, caso a pessoa pague a multa no espaço dos 5 dias, a mesma tem uma diminuição. Ora, isto é tentador! E indicador de mais um facto "sujo" nesta história: eles querem é dinheiro. Tanto que até fazem descontos de multas, se fores rápido a pagá-las!
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Ponderei a situação. Queria justiça, mas não queria ter aquilo como uma espada em cima da cabeça, a arrastar-se durante meses, idas a tribunais, solicitação de três testemunhas... não. Isso é acrescentar mais stress à situação, ao invés de irradicá-lo pela raíz. Mas o factor deciso para mim foi uma informação que me facultaram no local onde fui pagar a multa.
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Com tudo automatizado, o sistema regista quantas vezes um passe é dado a ler à máquina. O senhor lá me disse umas datas em que passei o cartão inválido na máquina, dando a entender que eram viagens não pagas, que eu sabia ser mentira. Ou melhor: sabia que isso não significava que tinha viajado em fraude, pois o que se passava é que, muitas da vezes, por os passes estarem juntos na carteira, ainda que separados entre si, aquele que a máquina identificava primeiro era o cartão suplente. O meu passe tinha uma leitura difícil nas máquinas desde a altura da sua obtenção. Às vezes até me irritava, porque me fazia perder tempo. Estava válido, tinha o recibo, confesso que, após umas tantas tentativas frustradas para a máquina o reconhecer, ntrei algumas vezes autocarro a dentro, não bloqueando assim a fluidez dos passageiros. Era normal o passe ter meses em que trabalhava bem, outros em que era difícil dar leitura. Atribuí isso às máquinas onde era carregado. A situação durou algum tempo, até que um dia um motorista ensinou-me um truque: dobrar ligeiramente o cartão. De facto, aquilo funcionou às mil maravilhas, e, desse momento adiante, era  raro as máquinas desconhecerem o cartão. Mas com isto, a verdade é que, muitas vezes, quando passava a carteira na máquina e ela validava o título, estava a ler o cartão suplente ao invés do passe mensal. Ou seja: estava a gastar o dobro! O cartão acabava por esgotar viagens e, cada vez que era novamente lido pela máquina, registava como inválido. TODAS essas vezes ficaram registadas na base de dados. E isso era uma injustiça e mais um acontecimento circunstâncial daqueles que parece que tudo conspira contra a reposição da verdade. Confiar demasiado nas máquinas dá nisto. Elas não contam toda a verdade! Só uma versão. A automática!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Pagar para Andar

Muito honestamente, acho que a CARRIS devia pagar aos utentes para estes andarem nos autocarros!

Ora vejam bem as razões:

1) Uma pessoa espera demasiado por eles.
2) Para ir a um qualquer lugar, uma pessoa tem de fazer extensos percursos a pé.

Não são razões que bastem para sentir que deviam era pagar-nos para nos submeter-mos a isto??


Esta semana tenho sentido que o universo está a dizer-me para passar a andar de carro. E tudo, através dos atrasos e "problemas" diários dos autocarros da Carris.

Eu não quero andar de carro! Gostaria de continuar a deslocar-me de transportes, mas é impossível ignorar os "avisos" constantes!

E assim, vou contribuir para o aumento da poluição e do trâfego! Pode-se agradecer à Carris por isto!
Ando mais a pé agora do que quando era criança!

Ora vejam só como têm sido os meus dias:
6ª Feira (fim de tarde escura, chuviscos, muito frio e muito vento):
entre duas paragens pouco distantes entre si, aguardava a chegada do primeiro de três autocarros cujo percurso me leva até uma rua transversal a três km de distância. 6 minutos se passam. NADA. Avanço para a paragem (única das duas) que tem um placar com os minutos dos autocarros. Só dali a 14 é que ia passar o correspondente. Decisão tomada: ir a pé até à paragem seguinte (menos de 1km e 4m a pé) onde passa um outro autocarro. Ainda não tinha passado 1 minuto, e eis que olho para trás e vejo o autocarro que o PLACAR disse faltar 14 minutos a aparecer! Claro, como eles são como as mulheres que vão juntas ao WC, logo atrás vinha um outro. Mas esse, pela ausência do placar na sua paragem, já contava correr o risco de poder ver passar sem ter tempo de o apanhar. Agora aquele para o qual faltavam 14 minutos, antecidos dos 6 que já tinha esperado, estar a passar, até lhe roguei pragas!

2ª Feira (manhã fria, sol de inverno):
Assim que saio de casa e viro na direcção de uma das duas ruas paralelas que tenho de subir para apanhar o autocarro que me leva onde tenho de ir, vejo passar na rua ao lado um outro que até prefiro apanhar, mas só me leva até meio do percurso. Fico descontente porque sei que, se tivesse virado para essa rua e dado apenas uns parcos passos para alcançar a paragem, o autocarro não ia aparecer. Normalmente nesta paragem SEM PLACAR, os dois autocarros que aí passam levam 20 minutos a aparecer. É mais próxima e mais prática, mas é preciso ir "dormir" para lá para não chegar atrasado ao destino. É, portanto, mais praticável subir a rua a pé durante 4 minutos e, na estrada transversal, apanhar o primeiro autocarro que aparecer, que tanto pode ser o que só faz metade do percurso (e vem da rua paralela), como um outro que vem da rua transversal, mas faz o percurso completo. A escolha é óbvia: todos os dias subo a rua a pé e logo começo a sentir aquela pressão lombar... (ei de pagar a factura na velhice!). Chegada à paragem, faltam apenas 4 minutos para o autocarro chegar. Mas passam 12 e NADA! Quando faltam 10m para ter de estar no meu destino, o dito cujo aparece. Chego à camioneta que preciso apanhar todas as manhãs às 8.00h em ponto 3 minutos depois. Claro está, não se encontrava mais lá. Tive de aguardar 60 minutos pela próxima!!! (Um minuto de atraso para a Carris não é nada, mas corresponde para mim a 1 hora!)

3ª Feira (manhã, chuviscos, muito vento):
O dia começa, novamente, a subir a rua (4 minutos). Desta feita vou apanhar outro autocarro que também passa na rua transversal. Desta vez o meu destino é outro e importante, pelo que vou com bastante tempo para desperdiçar, caso aconteçam imprevistos. Claro que, o destino voltou a dizer-me para comprar um carro! Não é que, mesmo com 35 minutos extra para chegar ao meu destino, o autocarro demora 38 a aparecer?? Não fui capaz de ficar parada no local à espera. Assim que apareceu um outro

domingo, 3 de outubro de 2010

Este blog não está morto!

Já faz algum tempo que não escrevo neste blog, mas não passa um único dia em que não pense ou não tenha motivos/vontade de o fazer! Têm acontecido as mesmas coisas de sempre... a vontade de desabafar permanece. Das últimas notícias sobre a CARRIS que têm vindo ao lume, apeteceu-me comentar a da colocação de internet nos autocarros. Aliás, as notícias divulgadas para os media são sempre maravilhosas, passam a sensação que tudo é maravilhoso e mais maravilhas vêm a caminho. No entanto, a m#r?@ continua a ser a mesma!

Continuo a correr para os apanhar, e quase sempre aquele que quero está à frente daquele em que estou. Espera-se muito tempo em horas cruciais nas paragens e os autocarros são como as mulheres que vão à casa de banho: vêm todos juntos! Ou seja: acabas de perder um, não tens logo outro, porque eles gostam de viajar colados uns aos outros! É INFALÍVEL! Esta semana perdi o transporte principal, que passa de hora a hora por 3 SEGUNDOS. E tudo porque nenhum dos 4 autocarros soube chegar desgarrado um do outro... A falta de civismo dos automobilistas também é uma causa de atraso, pois atravessam-se e não deixam o autocarro seguir caminho. Um atrás do outro, e os passageiros a bufar no interior ou a lançar pragas, como é o meu caso :)

Continua a haver a falta de higiene do costume, é raro o dia em que utilizo um transporte que não tenha mau cheiro. Pessoalmente, continuo a ter "mel", pois as pessoas, tendo todo o espaço disponível, continuam a encostar-se a mim, muitas vezes até impedindo a livre circulação de passageiros. Se calhar não é mel... sou invisível! Num destes dias uma mulher colocou-se a meio da passagem, mesmo à minha frente. O autocarro tinha lugares livres, tanto cadeiras quanto saídas e espaços próprios, mas ela decide ficar ali, visivelmente a atrapalhar. Vem outra passageira, pede licença para passar e tem de forçar a passagem, porque a outra mulher, a falar ao telemóvel e de costas estrategicamente viradas, não desviou a bunda.

Mas este BLOG não está morto também porque continua a receber comentários, existindo mais dois no POST sobre "viajar de borla" e um outro no "animais nos transportes". Vale apena ler!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

ERAM MAIS (fiscais) QUE AS MÃES (passageiros)!

Hoje vi fiscais da Carris por todo o lado! Tenho a sensação que eram mais que os passageiros!
Penso que não viajei num autocarro sem encontrar um! E olhem: hoje andei muito! Até me enganei, tive de voltar atrás, esperar por outra viatura... não contei, mas conto agora.... apanhei mais de 8 autocarros! E se disser que, nesses, acho que em apenas um não vi fiscais...
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Bem... uma vez li que a Carris ia ser processada ou tinham apresentado queixa, porque, ao invés de meter mais pessoal para executar essa função de fiscalidade, tinham arranjado uma forma de fazer "batota", contratando pessoas formadas em segurança, através de intermediários, pagando-lhes, claro, menos e tendo menos despesas.
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Não sei se é essa a razão de ter visto, da outra vez, fiscais de farda azul e ter visto, os de hoje, todos de farda vermelha. Devo dizer que gostei de os ver a trabalhar: simpáticos, a cada bilhete devolvido diziam "obrigado". O que, passado uma hora, devem dizer umas 500 vezes!
Um dos fiscais detectou um passageiro com título inválido. Depois distraí-me mas vi-o a dirigir-se ao detector e passar um bilhete, que depois devolveu a esse passageiro. Também achei um gesto bonito. A pessoa, parece-me, estava a usar um bilhete que era inválido apenas porque já tinha passado uma hora desde a validação. Ora, não seja por isso que vão multar alguém!
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O que testemunhei numa outra ocasião não foi bem assim, por isso, gostei da humanidade do gesto.
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Nunca tive problemas com a fiscalidade. Apenas uma vez pude sentir que o fiscal (também simpático e de farda vermelha) pareceu desconfiado da minha sinceridade. É que estava em cima da hora para apanhar a camioneta e os fiscais tinham entrado uma paragem antes de ter de sair. Acontece, para meu espanto, que um deles chega-se à pessoa ao meu lado, pede-lhe o cartão e depois, já vou eu a estender o meu, e este passa por mim, ignora-me, e vai a outra pessoa. O autocarro pára na paragem que quero sair e já me preparo para correr. Para ser rápida, dirijo-me à porta que fica mais perto da direcção que quero tomar e, com isso, um outro fiscal deve ter achado estranho e barra-me a saída, já o autocarro está parado e as pessoas a abandoná-lo. Eu digo-lhe que estou com pressa mas ele insiste que não demora tempo algum. Tenho 60 segundos para chegar à camioneta e um percurso que demora 180. Estou com pressa!!! Ele coloca o cartão no aparelho e aquilo não faz nada. Nem um som, nem nada e ele vira o passe e faz tentativas e eu desespero: quero sair! Digo-lhe que carreguei o passe na véspera e sei que ele "apitou" quando o passei na máquina mas que tinha de ir embora. Ele não mostra disponibilidade em aceder ao meu pedido de pessoa apressada. Mas aí, eis que a máquina lá o avisa que não estou a mentir. Devolve-me o cartão e eo desato a correr como doida!
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Agora tudo está automatizado. Cada vez mais, a privacidade dos nossos movimentos é inexistente. Só pelo passe da Carris, sabem quantas vezes andámos num dia, onde fomos, a que horas, por quanto tempo... só falta conhecerem-nos os horários de ir à sanita! Ainda assim, aposto que existem firmas no mundo que fazem esse controlo.
Bem... mas tudo isto para contar este facto. Toda a rede de transportes da Carris parecia estar a ser fiscalizada hoje. Na verdade, assim que o autocarro paráva num sítio, no outro a seguir lá estavam mais fardas vermelhas! Chegou a ser cómico. A meio do dia, não contar com eles é que teria estranhado :)! Mas gostei de ver a sua presença. Se existem muitas pessoas a viajar ilegalmente, tem de existir uma forma de reduzir ou eliminar esse factor, porque não é justo que as pessoas que pagam, viagem em autocarros muita das vezes sobrelotados e, se calhar, quem vai sentado nem paga bilhete. A presença dos fiscais vai de encontro a essa mensagem que quis transmitir no post de ontem. Até dá que pensar: será que alguém de maior poder de decisão na Carris presta atenção aos singelos desabafos desta bloguista?

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Viajar de borla

Por uma série de acontecimentos infelizes, deparei-me com uma situação que dá que pensar. Estava no autocarro quando vejo uma "avalanche" de pessoas a sair. Mas, o estranho, é que sairam em duas fases distintas. Existiu ali uns segundos de espaço entre a multidão que abandonou a viatura.


. Coincidência ou não, nessa paragem estavam a entrar fiscais. Que, ao contrário de antigamente, não pedem o passe às pessoas de forma ordeira: dirigem-se directamente para a retaguarda e solicitam o título de transporte.


. Reviravolta da situação e eis que deparo-me a sair numa paragem onde os mesmos também saiem. Logo a seguir vem um outro autocarro e, com a abertura das portas, os colegas cumprimentam-se e o motorista diz algo como: "É bom te ver! Ainda bem que estás aqui. Entra cá". O outro, que tem o colega mais atrás, diz que não pode. O motorista insiste. Na realidade, ele pede cinco vezes ao colega. Na última, até frisa que este deve entrar. Mas o fiscal não está para isso e parte.


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Com que impressão fica uma pessoa? Que o autocarro estava cheio de pessoas que não passaram o passe! Fiquei a pensar nisso e eis que o motorista, que conversava com outro passageiro (amigo, talvez), começa a desabafar que é "a vê-los todos os dias a entrar sem título de transporte. Alguns, até nem trazem carteira, simplesmente entram". Fiquei a pensar na situação e hoje, enquanto viajava num autocarro de pé, pois não haviam lugares sentados disponíveis, dei por mim a pensar quantas pessoas sentadas viajavam sem título de transporte válido. Depois gerou-se em mim uma espécie de revolta. Porque a situação nos autocarros da Carris, já sabemos nós como é. Nem sempre é agradável. Porra, noutro dia alguém tinha urinado na cadeira, que o cheiro era nauseabundo! Outras vezes não chega a esse ponto, mas tem mau cheiro na mesma. São anos a usar os transportes públicos, vários meses multiplicados por anos a comprar o passe. Os gastos mensais com transportes rondam os 120 euros... e o que acontece?

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Não é justo que os cumpridores paguem pelos infractores. Andam uns poucos a pagar para não ter lugar sentado no autocarro e para outros andarem à borlix? E não existe perdão, nem distinção... Há! O motorista ainda disse que já conhece muitos de cara e que estes parecem saber onde os fiscais andam, pois nunca que estes os apanham...

Dá que pensar. Numa recente deslocação no metro, assim que trespassei a barreira da saída, percebi que tinha errado e saído na paragem errada. Quis imediatamente voltar atrás e voltar a apanhar o metro mas então entendi: já tinha perdido a viagem. O bilhete já estava validado com uma entrada e saída. Teria de usar outra viagem para sair na paragem certa... e é um facto!


. E tudo porquê? Porque o metro, que antigamente também tinha problemas de clandestinidade, automatizou tudo de forma a que as cancelas só abram e fechem à ordem do bilhete. A Carris não fez isso. Penso que a solução está aqui: a entrada para o autocarro só devia ser permitida mediante a validação prévia do título de transporte. Podia demorar mais um pouco, mas compensa! A menos que a Carris (ou entidade reguladora, não sei, não me "acusem" de estar sempre a atacar a companhia) não tenha interesse nisso. Afinal, uma multa avultada, aqui e ali, pode render esses passes todos! Quanto à justiça... fecha-se os olhos! E o povo que compra o passe, que continue a partilhar o espaço e os lugares com os espertinhos...


. O único porém desta ideia, é que pessoas com carrinhos de bebé teriam de entrar pela porta da traseira... pessoas muito obesas, bicicletas, etc... ou seja: as viaturas da carris não estão equipadas para isso. Ainda que a ideia pegue, olha a despesa!!! E tudo para quê? Para obrigar as pessoas a ser honestas? Mais vale andar deixar que as mesmas estiquem a corda e passar umas multas...

Por outro lado, ainda me lembro, embora vagamente, de entrar num autocarro e existirem dois (?) fiscais logo à entrada, naqueles lugares individuais virados para dentro, cujo assento de napa (que saudades do material!!) verde ou laranja... tinham uma prateleira de madeira amovível, onde as pessoas compravam o bilhete.... vaga lembrança. Postos de trabalho eliminados, mas que fazem falta. Podiam colocar aí uma cancela e as pessoas entravam à vez, com ou sem carrinho.

Ideias... na busca de justiça.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Carris apronta das suas...


Quando cheguei hoje ao Campo Grande e procedi como habitualmente à recolha para leitura dos 3 jornais de distribuição gratuita no local, tive uma grande surpresa. Um VENDAVAL parecia ter passado por ali mas, estranhamente, só tinha atingido o jornal DESTAK. Passo a explicar: estes jornais estavam espalhados por todo o lado!

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Dentro da estação do metro, no chão, ao monte e desorganizados, à saída, em TRÊS montes, todos revirados, com os jornais atirados ali, alguns sujos de porcaria, mais outro molhe deles espalhados no "muro" que acompanha a parede que vai até a entrada do centro. Porquê estariam assim? Afinal, o jornal METRO estava, como sempre, morninho e arrumadinho dentro dos suportes próprios, junto às escadas. O jornal GLOBAL, que habitualmente acaba muito depressa, estava a ser dado manualmente, como habitual, pela rapariga jovem que não costumava reagir ao meu "Obrigado". E o DESTAK? Porquê estava naquele caus?

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Porque a Carris estava a distribuir passes no interior! Bilhetes de transporte, com 10 viagens!!! Ora, as pessoas, pelos vistos, decidiram agir como selvagens e desataram a ARRANCAR os cartões colados na página interior. Não para ficar com um ou dois, mas com todos a que conseguissem botar a mão!

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Eu, que chego ali cedo, apenas uns minutos depois da altura da distribuição ter início, já não tive direito a nada... para ler o jornal, tive de me agachar e procurar, no meio do chão, um que me parecesse menos sujo...

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As pessoas também, há que dizê-lo: não têm brio! Há uma falta de civismo, uma forma quase infantil de se comportarem perante um brinde. Está claro, trata-se de um "público-alvo" diversificado: todo o tipo de pessoas anda de transportes públicos. Mas existe uma MAIORIA, que são as pessoas mais necessitadas, portuguesesas e emigrantes, com menos posses e instrução. Uma situação deste porte até seria previsível. Que desagradável ter acontecido! Não acham? Não reflecte bem na imagem do povo português... (diga-se também que, neste contexto, não é só português mas muito diversificado...).

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Só uma vez vi e recebi uma oferta de um destes jornais. Tratou-se de uma pequena garrafa de água. Veio mesmo a calhar. Estava com muita sede e não trazia uma comigo. Pena que era mesmo pequena. Mas a distribuição estava a ser feita ordenadamente. As pessoas fizeram fila e recebiam em mãos, com educação, a garrafa com o jornal. Ora a Carris ou os responsáveis por isto, não podiam ter adivinhado? Andava no local a habitual distribuidora do jornal DESTAK, como habitualmente, aparentando um ar um tanto atarantada, certamente insatisfeita com o que ali se passou. (O que se terá passado, realmente? Foi um grupo de pessoas? Foram todas as pessoas? Foram uns «mal-encarados»)? Não sei. Vi apenas o lamentável resultado. Ouvi alguém comentar que a polícia tinha aparecido e, de facto, no meio de tantas pessoas, vi um fardado. Chegou tarde mas... é caso para perguntar onde estavam os seguranças? Vejo-os todos os dias, à chegada, no outro lado da entrada, em grupo, em alta cavaqueira e muito cigarro. Até já me chegou a irritar, porque todos os dias estão sempre assim. A fumar e na conversa! Uma pessoa até tem de se desviar deles para passar! Mas, se calhar, não é função deles, eu sei lá! A questão "segurança" anda tão confusa por estes instantes... quem é quem, quem faz o quê... é melhor ter tanta apreensão em relacção a um uniforme, como a qualquer desconhecido!

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Até gostaria de receber um brinde nesta altura do Natal... já no no post anterior disse o mesmo...Deve ser uma necessidade de um mimo. It´s Xmas.... :)

quinta-feira, 25 de junho de 2009

A vida nos carris

Para mim o transporte público ideal move-se por carris. Não basta ter o nome, à que andar sobre os trilhos!

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Eléctricos e comboios... existe por acaso algo melhor do que isto?
Rápidos, potentes, silenciosos, sacodem as pessoas 80% menos (se não mais) que os autocarros da Carris, etc...

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Hoje andei de comboio. Uma viagem longa (4 horas para cada lado) mas que passaram bem. Depois, apanhei o autocarro do costume para chegar a casa e... herrr! Que dores nas costas! Os poucos minutos de viagem foram mais agressivos que qualquer minuto das 8 horas de comboio! Chamei-as de «travagens das chicotadas» porque uma pessoa é bruscamente abanada de um lado para o outro até sentir aquela dor na base da coluna. É um alívio (esta é a palavra certa) quando termina. O martírio!...

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Bem, não venha alguém dizer que este texto acusa os motoristas. Eles lá conduzem o veículo, é verdade. Portanto, se calhar são os culpados. Mas aqueles autocarros compridos, os «lagarta» são os piores que há em circulação! Tenho a certeza que, anos a andar assim nos autocarros da Carris vão apresentar factura em muitos problemas médicos no futuro.

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Jinhos a todos! (e andem de comboio!)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Desafio Aceite!

Este tópico não se enquandra muito (ou nada!) no espírito deste blogue. Mas vou adaptá-lo porque fui desafiada e adoro desafios. Porque não?

O processo é semelhante aos emails em série, mas ao menos tem o seu quê de divertido. Em simultâneo, faz a divulgação mútua das pessoas que aderem. Então é assim:


Regras do desafio:
- Revelar a nossa relação com os sete pecados capitais dentro dos autocarros da Carris
- Aliciar outros blogs a aderir ao desafio (com ou sem autocarro)



Os Pecados:
Gula, Avareza, Inveja, Ira, Orgulho, Luxúria, Preguiça.


1. Gula: não gosto de viajar e comer ao mesmo tempo. Menos ainda nos autocarros da Carris! Abanam demasiado para a comida assentar no estômago :) Conclusão: não sinto gula.


2. Avareza: Sempre entrei a pagar o bilhete. Embora tenham existido ocasiões em que achei que merecia viajar de graça, tal é a ruindade das condições do percurso! Quando não há espaço e aquilo abana por todo o lado, por exemplo, mas mais quando espero 30 minutos por uma viatura que demora 40 a chegar ao destino, que se faz em 20 se fôr a pé! Ups! Isto já é ira... Conclusão: Não sou avarenta.


3. Inveja: De não ter um lugar para me sentar ou alguém que entrou na frente ficou com o único lugar livre? Não! Isso ás vezes origina outras sensações mas a inveja, jamais! Regra geral na vida, aliás... Conclusão: Não sinto inveja. (nem dos que viajam de carro, ok?)


4. Ira: Irra! Claro que sim! Até nem sou uma pessoa muito irada, mas até um santo ao descer à terra perderia o temperamento se estiver num autocarro da Carris! Razões para a ira: o relógio a contar e nada de andar, o veículo que anda aos soluços e não pára de baloiçar, os automobilistas que não dão prioridade à passagem do autocarro, que se metem a ultrapassar os autocarros ou que ocupam indevidamente a faixa do bus, ou nela estão estacionados em 2ª ou 3ª fila... IRA! Conclusão: Sim. Sinto muitas vezes IRA nos autocarros da Carris.
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5. Orgulho: Orgulho dentro dos autocarros da Carris? Não me parece! É mais resignação. Mas sei o que me faria sentir orgulho dentro de um autocarro: não cheirar mal! E, claro, não andar a «poluir» o sossego dos outros com ruídosos auscultadores nas orelhas! Conclusão: Sim, sou orgulhosa. Principalmente, tenho orgulho do meu civismo!
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6. Luxúria: Xiça! Sentir luxúria num autocarro da Carris, aconteceria quando este brilhasse como novo, apresentasse uma limpeza impecável e cheirasse a limpo! Encontrar um bom lugar para me sentar sem recear que o banco de pano me vá transmitir doenças, isso sim, é um sonho de luxúria! Conclusão: a luxúria existe, mas em sonho!
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7. Preguiça: Eis um pecado do qual não posso ser acusada. Preguiça num autocarro da Carris, seria abancar nos degraus das saídas sem me importar com os outros. Quando o autocarro está cheio, até apetece! Mas aguento sempre o sacrifício e a tortura das viagens de pé. Conclusão: Não sou preguiçosa.
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Então, gostaram? Eu adorei!
E como mandam as regras, indico aqui outros blogues, mais exactamente 7 pecaminosos, e desde já os alicio a participarem neste desafio. Espero vê-los por cá!
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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Gado na Carris

2003-08-15 Jurgen Adsleir: Eis mais uma demonstração de como a maior parte de vocês, potugueses, para alem de incompetentes, são malcriados. Só quem já viu o transporte público no estrangeiro, sabe o perto que a carris se encontra do transporte de gado...
Este comentário deixado no site queixas.co.pt tem muito que se lhe diga...
Compreendo e concordo em parte com tudo. Por muito que me custe ver o meu povo considerado incompetente e malcriado. Digamos que os há... mas a parte final, nossa! É isso mesmo! Quem já andou num transporte público estrangeiro, dentro da europa, sabe que é agradável. A carris está mais para as traquitanas dos países do terceiro mundo do continente Africano...
Concordam?