domingo, 5 de abril de 2009

Generosidade interesseira

Não sou muito de andar de boleias mas fui tão bem acolhida por duas colegas quando comecei a trabalhar, que elas próprias insistiam em me dar uma boleia até à paragem do autocarro. Constragida, aceitava, quando percebia que não lhes causava transtorno algum.
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Um belo dia, a colega que mais se dava comigo, começou a dizer que devia comprar um carro. Que eram baratos, que fazem falta, etc. Eu até ia na cantiga da sua boa intenção mas aí ela começou a mostrar a sua verdadeira preocupação. Não comigo, mas consigo, que queria deixar de andar tanto com o seu carro para pequenas viagens e mais na boleia dos outros. Inclusive, contou-me que ficou revoltada quando uma sua amiga a quem dava boleia, mais tarde comprou uma casa e um carro. Como se uma coisa fosse consequência da outra! Que descaramento!
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Noutro dia acabei por lhe dizer:
-Acho que vou comprar uma mota!
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Ela ficou com um grande melão...
(mas aposto que já cravou um capacete a alguém!)

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Bendito gelado...

«Agorzinha», quando desaguei no terminal de camionetas e autocarros, pronta e a passo de marcha a alcançar a paragem para entrar noutro autocarro, rumo a outra paragem para apanhar outro autocarro, avistei o senhor do carrinho dos gelados. Não sei porquê, tenho vindo a reparar na pessoa. Todos os dias ali, a vender gelados, de manhã até de noite. Algo em mim é muito romântico e solidário. Eterna admiradora de pessoas de alguma idade que se dedicam a este tipo de ocupações, decido voltar para trás e comprar-lhe um gelado. Ainda por cima, são na verdade sorvetes, feitos de água. Tal como os que comia em criança, junto ao portão da escola! Munida desta sensação de solidariedade, com um pingo de nostalgia mas muita tristeza oculta, comprei um gelado. Tão saboroso!! Caiu que nem água! Refrescante. E até, por uns bons momentos, fez dissipar a aflição triste que neste dia carrego no coração...

Hoje é dia do gelado!

terça-feira, 31 de março de 2009

Onde está?

Onde está a minha limusina?
O automóvel com interiores de luxo e conforto?

Estou cansada de ver o tempo passar sem trazer um «upgrade».
Ele passa, e os veículos que me transportam parecem ser cada vez mais degradados.

Como pessoa que anda de transportes e ocasionalmente, de boleias alheias, a degradação envolvente começa a surtir um efeito depressivo. Coisas partidas, rachadas, coladas, sujas, rotas... sejam interiores de camionetas ou carros.

"Isto não sou eu" - penso.

Preciso estar cercada de coisas que se adequam melhor ao meu interior: simplicidade, beleza e elegância. Esta "feiura" nada tem a ver comigo.

terça-feira, 24 de março de 2009

Licção: como tossir

Não gosto de pessoas a tossir em cima de mim. Nem na minha direcção.

Hoje ao entrar no autocarro, a primeira coisa que me acontece é a mulher que vem sentada na frente, tossir em mim. Sou tão rápida a passar e a caminhar até parar num qualquer lugar, que seria de esperar poder me esquivar a estes desaires. Mas não tive hipótese.


Hoje o autocarro não quis dar-me tréguas. Assim que encontrei um lugar para ficar (de pé), a pessoa sentada atrás de mim, tosse. Logo outra se coloca a meu lado, e também tosse. Depois mudo de lugar para não ficar a incomodar quem quer passar, e assim que troco, a mulher sentada atrás de mim também tosse. Fiquei a achar aquilo muito mais que uma coincidência. Mas que tenho eu, sem ser mel? Também gostam de tossir em cima de mim? O meu signo bem que me dizia para ter cuidado com doenças infecto-contagiosas!


E o autocarro hoje parecia conspirar para isso. Um motim de gargantas a tossir. A coisa já ia tão disparatada, que começei a contar quantas vezes se ouvia tossir naquele autocarro. Ainda por cima vinha em silêncio, ninguém conversava ou transportava aqueles ruidosos portáteis cuja música sai pelos phones apenas como ruido. Dizem que o bocejar contagia. Pois a tosse deve ser igual. Querem saber, num percurso de 5 minutos, quantas vezes se tossiu? 40! Número redondo!

No próximo autocarro que apanhei, de iguais dimensões, também para fazer outros 5 minutos de percurso, tossiu-se muito menos que a metade dessas 40 vezes.


As pessoas julgam-se educadas mas, só pelo simples facto de não desviarem o pescoço em direcção ao chão, são umas malcriadas! Para tossir, senhores e senhoras, não coloquem um punho à frente. Este não impede os germes de atingir as pessoas! Nem coloquem a mão com os dedos entreabertos. Os germes também atingem as pessoas! E depois, expliquem-me lá, o que fazem às mãozinhas? Usam-nas para se agarrarem nos postes e corrimões, para não cairem, não é? Então onde ficam os germes? Bingo!

Assim a única coisa que fazem é espalhar micróbios por toda a parte. Quarenta gargantas a tossir em 5 minutos é um exagero! Julgava eu que o Inverno é que era de temer, com as gripes e constipações que dizem existir. Mas parece-me bem mais inocente que a Primavera, em que todos tossem para cima dos outros e não têm consciência do gesto rude que têm!


Querem tossir? Têm que tossir? Muito bem: dobrem a barriga com a cabeça em direcção ao chão, e tussam na direcção dos pés. Assim, só o calçado, já ele bem fustigado por poeiras e porcarias, sofre o prejuizo. E nos sapatos, você não vai colocar a mão, pois não?


Aprendam a tossir!

terça-feira, 10 de março de 2009

Aquela chatice que sempre acontece...

Qualquer utilizador habitual dos autocarros da Carris sabe que, desde a última grande alteração de carreiras há uns anos, circular por Lisboa não é mais a mesma coisa. Se antes bastava apanhar um autocarro para ir a um qualquer lugar, agora é preciso apanhar três.

Por isso é que me sinto muito frustrada, cada vez que me vejo metida numa "maratona" e perco a corrida...

Passo a explicar: para apanhar o autocarro que quero, tenho de apanhar outro que me deixe a meio do caminho e fazer parte do resto do percurso a pé até a paragem desejada. Sabem o que acontece? O dito autocarro, que nunca está à vista enquanto ainda estou dentro do outro, surge sempre de repente, quando ainda não cheguei à paragem. Resultado? Corro!
Corro muito, muito, muito... fiquei muito mais em forma desde que comecei a apanhar transportes públicos. Porque é que aquele que transporta só até metade, sempre pára em todos os semáforos vermelhos e viaja a 20 km à hora, e o que quero realmente apanhar a seguir, tem a avenida toda só para si, nunca pára e acelera como se fosse tirar a mãe da forca? E claro, quando estou mesmo, mesmo perto, mesmo ao lado da porta de trás, o dito-cujo arranca... que simpáticos!

Para um percurso que, em bons dias, se faz em 10 minutos, apanho 2 ou três autocarros. Pois é. E o mais surpreendente é que costuma ser mais rápido "entrar-sair", "entrar-sair", "entrar-sair", com corridinhas pelo meio, que ficar quietinha à espera num só lugar, para entrar num só autocarro. Que estupidez!

E é assim mesmo... amanhã, a rotina repete-se: subir a rua até à paragem do autocarro da avenida, porque na que tenho mesmo ao lado de casa não passa nenhum que sirva. Aliás, vá para que direcção for, nesta paragem não pára nada que preste! Parece que só andam ás voltinhas! Para quem quer perder muuuito tempo, é o ideal.

Sim, sim... nunca se poderá dizer que a Carris colabora com o sedentearismo. Se antes, os 5 minutos que leva a subir a rua de 90º resultava em suor, cansaço e falta de ar, agora estou muito mais em forma! Viva a Carris...

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O calor do cu dos outros e o magnetismo

Devo ser uma pessoa cheia de boas energias.

Cada vez que entro num autocarro da carris razoavelmente vazio, as pessoas começam a aglomerar-se ao meu redor.
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Hoje de manhã foi assim. Entrei num autocarro daqueles compridos e encostei-me de pé na primeira janela oposta às portas da saída. Nisto, uma senhora altíssima, com uma enorme sacola a tiracolo encosta-se colada a mim. Já estou apertada. Chega outra que se coloca à minha frente. Tudo bem, tem espaço, não atrapalha. Porquê a que chegou primeiro decidiu posicionar-se daquela maneira é que não entendi. Logo de seguida, chega um homem que, espantosamente, decide segurar-se no varão perto da porta, com o corpo a bloquear a passagem de quem entrasse. Aí pensei: mas esta gente toda vai sair a seguir? Para se posicionarem nestes lugares, só pode.
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O autocarro continua a marcha, e nada destas pessoas se mecherem dali para fora. Olho para trás e vejo espaços livres muito mais agradáveis para se estar e também, assentos livres! Ok. Estas pessoas devem estar para sair. Por isso se acumularam ao meu redor.
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Só que o autocarro volta a abrir as portas e ninguém sai. O homem mal posicionado tem de desviar-se para as portas de saída para dar passagem aos que entram, mas dali não se move.
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Este tipo de comportamento toca-me nos nervos. A cada movimento do autocarro, os abanões e tudo o mais, aquela mulher altíssima apertava-me mais um bocadinho contra o vidro. Quase me pisa os pés por diversas vezes. E o autocarro com muito espaço livre atrás. É mesmo questão para me perguntar, porquê. Porquê aquelas pessoas pararam ali?

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Devo ser feita de mel, para grudarem em mim desta maneira.

Eventualmente, a mulher à minha frente saiu. A que me apertava de lado decide ir para o seu lugar, ficando de costas para mim. Logo de seguida, vaga um lugar individual mais à frente, e a mulher decide sentar-se nele.

Há comportamentos que não entendo, sinceramente! Este foi um. Com lugares individuais vazios assim que entrou, a mulher veio encostar-se de pé, ao meu lado. Para depois sentar-se quando o autocarro já tinha deixado entrar e sair muitos passageiros. Porquê não se sentou de imediato?

.Vá entender!

.Outra coisa que não entendo e que me irrita profundamente, são os pula-cadeiras.
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Os pula-cadeiras são as pessoas que, numa única viagem, trocam de assento mais que três vezes. Não é invulgar de ver, muito pelo contrário. Há aquelas pessoas que viajam num banco de trás, vaga um mesmo na frente, e trocam de lugar. Depois vaga outro mais adiante, e trocam de lugar.
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Fico atónita com estes comportamentos. Devem gostar muito de apanhar com o «calorzinho» do rabo dos outros, para trocarem tantas vezes de lugar. Comigo, onde fico, é onde fico. Se for de pé, é de pé, se sentada, é sentada, mas não ando aí a procurar assentos «melhores». Também não gosto quando estou de pé e pretendo sentar-me num lugar que vaga, e pressentir que a mulher que viaja há 20 minutos sentada no lugar à frente, está a cobiça-lo, laçando-se de imediato ao dito assento. Se já está sentada e outra pessoa está de pé, deixem-se lá disso! É o que digo: gostam muito do calor do cu dos outros!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Desafio Aceite!

Este tópico não se enquandra muito (ou nada!) no espírito deste blogue. Mas vou adaptá-lo porque fui desafiada e adoro desafios. Porque não?

O processo é semelhante aos emails em série, mas ao menos tem o seu quê de divertido. Em simultâneo, faz a divulgação mútua das pessoas que aderem. Então é assim:


Regras do desafio:
- Revelar a nossa relação com os sete pecados capitais dentro dos autocarros da Carris
- Aliciar outros blogs a aderir ao desafio (com ou sem autocarro)



Os Pecados:
Gula, Avareza, Inveja, Ira, Orgulho, Luxúria, Preguiça.


1. Gula: não gosto de viajar e comer ao mesmo tempo. Menos ainda nos autocarros da Carris! Abanam demasiado para a comida assentar no estômago :) Conclusão: não sinto gula.


2. Avareza: Sempre entrei a pagar o bilhete. Embora tenham existido ocasiões em que achei que merecia viajar de graça, tal é a ruindade das condições do percurso! Quando não há espaço e aquilo abana por todo o lado, por exemplo, mas mais quando espero 30 minutos por uma viatura que demora 40 a chegar ao destino, que se faz em 20 se fôr a pé! Ups! Isto já é ira... Conclusão: Não sou avarenta.


3. Inveja: De não ter um lugar para me sentar ou alguém que entrou na frente ficou com o único lugar livre? Não! Isso ás vezes origina outras sensações mas a inveja, jamais! Regra geral na vida, aliás... Conclusão: Não sinto inveja. (nem dos que viajam de carro, ok?)


4. Ira: Irra! Claro que sim! Até nem sou uma pessoa muito irada, mas até um santo ao descer à terra perderia o temperamento se estiver num autocarro da Carris! Razões para a ira: o relógio a contar e nada de andar, o veículo que anda aos soluços e não pára de baloiçar, os automobilistas que não dão prioridade à passagem do autocarro, que se metem a ultrapassar os autocarros ou que ocupam indevidamente a faixa do bus, ou nela estão estacionados em 2ª ou 3ª fila... IRA! Conclusão: Sim. Sinto muitas vezes IRA nos autocarros da Carris.
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5. Orgulho: Orgulho dentro dos autocarros da Carris? Não me parece! É mais resignação. Mas sei o que me faria sentir orgulho dentro de um autocarro: não cheirar mal! E, claro, não andar a «poluir» o sossego dos outros com ruídosos auscultadores nas orelhas! Conclusão: Sim, sou orgulhosa. Principalmente, tenho orgulho do meu civismo!
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6. Luxúria: Xiça! Sentir luxúria num autocarro da Carris, aconteceria quando este brilhasse como novo, apresentasse uma limpeza impecável e cheirasse a limpo! Encontrar um bom lugar para me sentar sem recear que o banco de pano me vá transmitir doenças, isso sim, é um sonho de luxúria! Conclusão: a luxúria existe, mas em sonho!
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7. Preguiça: Eis um pecado do qual não posso ser acusada. Preguiça num autocarro da Carris, seria abancar nos degraus das saídas sem me importar com os outros. Quando o autocarro está cheio, até apetece! Mas aguento sempre o sacrifício e a tortura das viagens de pé. Conclusão: Não sou preguiçosa.
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Então, gostaram? Eu adorei!
E como mandam as regras, indico aqui outros blogues, mais exactamente 7 pecaminosos, e desde já os alicio a participarem neste desafio. Espero vê-los por cá!
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