sábado, 22 de dezembro de 2012

Carreiras ELIMINADAS

Fazia já um bom tempo que não precisava de usar um autocarro para me deslocar para fora da área local. Mas quando precisei, lá fui para a paragem habitual. Chegando lá, não encontro o nº do autocarro nem na placa que os identifica, nem em lado algum. Não podia acreditar! O ÚNICO que nos havia sobrado aqui na zona que ainda fazia um trajecto com alguma decência, ELIMINADO!!

Agora, para ir de A a C, que fica mesmo ao lado, seria preciso descer em B e fazer o restante percurso a pé... Esta carreira também era a única DIRETA. Ia de A para C e D sem precisar de transbordo. Era a ÚNICA, que ainda tinha alguma serventia, embora quando foi alterada tivesse causado enormes inconvenientes para chegar a outros locais, por dar mais voltinhas, mas ainda assim restavam alguns destinos diretos... 

A semana passada foi a mesma coisa. Lá fui eu, convencidíssima que podia chegar ao Cais do Sodré apanhando o 745... «cadê» a carreira? ELIMINADA!!! E eu que quase contei com ela numa destas noites para chegar ao Prior Velho... Estaria perdida se me tivesse deslocado até à paragem mais próxima e esperado.

MAIS UMA CARREIRA útil, ELIMINADA.

Resultado: vou deixar de frequentar uma determinada zona de comércio, por ver a minha deslocação muito dificultada. E com isso colabora-se para o empobrecimento do país. Zonas comerciais que contavam com uma carreira que trazia pessoas, ficam mais desertas. Não se vende, não se ganha, empresas fecham. A miséria aumenta. BOA CARRIS!

Transbordos e percursos a pé: é ASSIM que a Carris julga que está a bem servir os seus utentes. O que nos restará? Para onde tudo isto vai evoluir? Vão obrigar-nos a gastar dinheiro extra no METRO também? Vão fazer com que as duas empresas de uma gestão única se não erro (é tudo igual) passem a fazer transbordo entre si?


Anda pedestre, anda! Como um rato num labirinto! É pura ilusão, essa de não te deslocares a pé e teres a teu dispor um serviço de transportes.

Este blogue não está morto - parte 2

Este blogue não "morreu". Aliás, tem tanto para dizer que ficou é mudo.
Mudo e apático.
Mas vamos lá dar um «ar de graça»...




Os passes diários que se carregam a um mínimo de 1.15€ por viagem duram 1h. Todos o sabem. Em  princípio, para DENTRO de Lisboa, 1h seria SUFICIENTE para ir e voltar de um qualquer lugar. Devia, no mínimo, dar para uma deslocação de IDA ou de VOLTA, quando se trata apenas de sair e voltar a entrar. 

CASO REAL  
Pois precisei «ir e voltar» de um sítio. Só fui entregar um presente em mãos e corri para a paragem para regressar. Queria eu, com toda a legitimidade, fazer isto numa só viagem, numa hora. Afinal, o percurso demora 22m, é entregar e regressar. Nos quase 40m que sobram, dá mais do que tempo para apanhar um autocarro de volta. A frequência com que passam não ascende os 15m, na pior das hipóteses. SUPOSTAMENTE. 
Pois fiquei 28m à espera! Escusado é dizer, que a ideia caiu por terra... Em pleno dia da semana, com os horários que a carris coloca nas paragens a dizer aquelas mentiras de sempre: INVERNO, DIAS ÚTEIS, autocarros a passar de 11 em 11 minutos.


Dias depois, carreguei eu o meu bilhetezinho já vazio com 5.15€, por precisar ir (1.15€) e voltar (1.15€). Gasto total estimado: 2.30€. Restante valor no cartão: 2.85€. Pois lá fui. Gasto na ida: 1.15€. Restante em cartão: 4.00€. Enquanto fiz a viagem tendo de apanhar TRÊS viaturas, foi só vê-los... A entrar no autocarro sem validar o título de transporte verde. Uns ainda se dão ao trabalho de encolher os ombros para fingir que a máquina é que não lê bem o cartão. Outros nem isso. REVOLTA-ME. Sentam-se a meu lado uns rapazes a contar histórias de como costumam apanhar transportes sem pagar, «mesmo sem mais ninguém no autocarro» - gabava-se um.
REVOLTA. 

Lá fiz o que tinha a fazer, sem pressa e quando precisei regressar, lá validei o bilhete. Cais do Sodré para Gare do Oriente. Esse o meu destino. E já me dei por «feliz» por o transbordo ser somente UM. Da Gare teria de apanhar outro rumo ao destino final. Coisa que não leva nem 15 minutos. Cheguei à Gare em 30 minutos. Dava MAIS DO QUE TEMPO SUFICIENTE para apanhar o transbordo dentro do limite da HORA que o título permite. Afinal, estou em LISBOA, a fazer uma ÚNICA viagem. Pois o que aconteceu? Novamente?? Uma espera de 30m!! Claro. DE NADA SERVIU. Ao passar o bilhete, validou OUTRA VIAGEM!!!
Saldo final no cartão: 1.70€

Mas isto é correcto? COBRAR 2X por um único percurso só porque a CARRIS demora 30m a por um autocarro numa paragem??

Transbordos! A CARRIS quer fazer crer que estes não dificultam em nada a vida do utente. Por isso vai ELIMINANDO carreiras umas atrás das outras e depois como se fossemos todos gansos, faz por nos enfiar goela abaixo que para ir a qualquer lugar é só descer na paragem X e apanhar o Y... Pois, pois... mas quanto tempo se fica à espera de Y?? Isso não dizem! Não querem divulgar que sem transbordo, uma vez dentro de um transporte, o movimento é contínuo. Mas quando o transbordo é-nos cada vez mais forçado, já que não nos dão alternativa, vai-se dispender muito, mas muito mais tempo «à espera».

E por falar em alternativa, "cadê" outra carreira ali na Gare, uma estação principal, que possa servir para chegar ao mesmo lugar? Nenhuma, foram todas ELIMINADAS! 

REVOLTA-ME.
Penso nos srs. doutores e gestores desta empresa. A desconsideração que revelam pelos utentes. Nota-se tão claramente! Estes srs. NÃO FAZEM A MÍNIMA IDEIA do que é suposto estarem a fazer nos seus postos, porque não sabem quem servem. Gostava de os ver ali, a terem de usar as suas próprias viaturas para se deslocarem. A precisarem ir para uma reunião importante, e ficarem 30m numa paragem à espera. A consumirem outros 30m do seu tempo no percurso. A viajar de pé, a levar encontrões. A bufar de desespero, a acumular stress porque têm compromissos, família à espera e afazeres, todos comprometidos porque os transportes não são eficientes. 

Estes senhores não trabalham para as pessoas. Têm uma empresa que tem de gerar dinheiro. Apenas isso. REVOLTA-ME!




A situação pode não ser favorável, mas se a Carris não está melhor é porque os gestores não sabem fazer o seu trabalho bem feito. Duvido que a culpa seja do povo. Da «crise» ou da Merkel. A desconsideração que se faz sentir pelas necessidades daqueles que precisam de se deslocar de transportes públicos é o que mais revolta. Gostava de ver esses gestores, todos eles, sem carrinhos a ter de utilizar os da própria companhia. Gostava de os ver ali enfiados, a viajar de pé, entre as pessoas mas mais do que tudo, gostava de os ver à espera. Oh, como gostava!! Gostava de os ver a «bufar» de impaciência porque têm uma reunião onde ir e já se encontram à espera do seu próprio autocarro faz quase 30 minutos! Gostava que provassem dessa desconsideração. Que soubessem o quanto vale o tempo das pessoas para a Carris. Como se admite, ser MAIS RÁPIDO ir de Lisboa a Sesimbra, por exemplo, ou qualquer outra localidade fora da cidade? E que cidade é esta, senão a capital? É este o decrépito exemplo que se dá de um serviço público de transportes de uma capital de país?


sábado, 19 de maio de 2012

O pedido de testemunho - a MULTA

Recebi um comentário de outra utente da Carris recentemente MULTADA e que se sente de tal modo injustiçada que está disposta a contestar.
De leis pouco entendo mas partilho da indignação e compreendo a vontade de ripostar. A utente solicita que «se corte o mal pela raiz» e apela a uma acção conjunta. Por solidariedade publiquei o comentário ao post e projecto o seu apelo, que penso dirigido a todos que já passaram por esta constrangedora situação, abrindo-lhe este post.

A utente tem até QUARTA-FEIRA para contestar a multa.

Apelo recebido:
«(...) gostaria de pedir, (...), visto que fomos vitimas das mesmas injustiças, (...) para testemunhar sob a alegação de termos sido vitimas de violação do direito constitucional que diz respeito à igualdade. (...)  um dos meus argumentos é que eles violaram também o art.27º, ponto 2 (...) visto que me foi impedida a saida do veículo, coisa que eles NÃO PODEM fazer. 
O vosso testemunho recairia apenas em confirmar como foram multados, enquanto outras pessoas não foram sequer revistas, estando estas pessoas a ser beneficiadas em relação a vós. o meu mail é (xxxx)@( xxx).com*.  (...) gostaria de contar com a vossa ajuda (...) Obrigada.»


O apelo  está dado. Vão ajudar?


* informação mediante solicitação

sexta-feira, 11 de maio de 2012

A história que ficou no papel...

Não, este blogue não está morto.

Durante umas arrumações deparei com um papel com umas notas que tirei de uma saída de autocarro. Lembro-me perfeitamente desse dia: tive de ir para os lados de Belém tratar de uma burocracia mas, apesar disso, foi um dia que se apresentava perfeito: um bom clima, um ambiente mágico e o autocarro que apanhei, surpreendentemente, era daqueles modernos, quase a cheirar a novo, espaçoso, com aromatizante no ar (ah, a diferença!!!) e com uma circulação tão suave que quase nem se sentia a estrada. Era confortável. 

Foi um daqueles RAROS momentos em que andar num autocarro da Carris surtiu mesmo um efeito anti-stressante, e não o contrário. Estava a ser um momento ZEN. MAS, como tudo na vida, alguém ali não estava a sentir o mesmo. E esse alguém era o condutor. Visivelmente irritado sabe-se lá com o quê, embirrava com o que podia. Primeiro foi com um passageiro. Com o veículo parado numa paragem o passageiro pede ao motorista para abrir a porta de trás POR FAVOR. O motorista ignorou e o passageiro repete o pedido. A resposta do motorista foi responder desta forma: 
É preciso tocar, não tocou!”. O passageiro responde que tocou mas que não funcionou e volta a pedir para lhe abrir a porta, se faz favor. Foi muito calmo e educado. O motorista responde: "Toca, toca. Carregue com mais força!". “O metro é que pára em todas e abre as portas” -  resmunga, enquanto carrega no botão e abre a porta.  O passageiro sai, agradecendo. “Vem agarrado ao telemóvel”  -  queixa-se o motorista, já com o passageiro do lado de fora. O semáforo fica verde e o trânsito retoma a circulação. O motorista continua mal disposto e desta feita resmunga com um taxista. Já o momento passou e ele continua a resmungar com o táxi. Poucas paragens depois chega à estação de Santa Apolónia, tal e qual anuncia a voz electrónica de bordo. O motorista pára o autocarro e prepara-se para sair. Vai ser rendido por outro. Quando se cruzam o que o vai substituir diz o seguinte: “Boa folga”.


Não fiz nenhum juízo de valor ao motorista. Se calhar até era um senhor simpático mas que estava a ter um dia mau. Quando se trabalha muito, fechado num lugar e mal se vê a luz do dia, até tratar de burocracia durante uma tarde pode ser de uma mais-valia revitalizante. O perfume a laranjas inundava a zona. Tanto quanto sei, até podia ser essa a razão da má disposição do motorista, mesmo indo de folga e mesmo retirando as respectivas diferenças, claro está, de eu trabalhar fechada num escritório e ele livre e ambulatório. Aquela pequena altercação foi a única coisa que manchou uma tarde que se estava a revelar perfeita. 


PS: Na altura em que fiz estes apontamentos estava a tentar dar início a uma nova abordagem de posts, colocando o lugar, hora, dia e identificação de autocarro. Normalmente fazia o registo mental para anotar depois, mas não resultava. Desta vez decidi fazer o contrário e comecei por anotar no papel esses pormenores, junto com as palavras exactas do diálogo. Parecia um detective! O autocarro era o nº  4611, isto aconteceu por volta das 15.40h de um dia de Novembro. Ano e dia são propositamente ocultados para não arranjar problemas, caso algum curioso que tenha meios de descobrir o historial de percursos decida bisbilhotar. Porém, esta ideia de registar os acontecimentos como se de uma fotografia se tratasse, também não pegou J!

Boas viagens!

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A multa - cont.


Caríssimos,
uma das entradas mais comentadas deste blogue foi sobre a MULTA passada a quem viaja nos autocarros da CARRIS com título inválido. Pois aqui vai o resto da história:

No dia em que me passaram a multa  tive de apanhar um outro autocarro para continuar viagem. Os fiscais  acompanharam-me porque não tinha bilhete e quando a viatura chega e as portas abrem-se, o motorista cumprimenta com ENTUSIASMO os fiscais e, de seguida, sabem o que ele faz? Estrategicamente já com as portas traseiras fechadas, o motorista praticamente IMPLORA aos fiscais para entrarem no autocarro. Disse-lhes que "faziam uma razia" ali, que o autocarro estava "cheio deles". O  motorista insistiu  muito, mas os fiscais recusaram. RECUSARAM!

Este episódio NÃO ME SAIU DA CABEÇA porque ali estava eu, acabada de ser multada e ali estava um autocarro CHEIO de multas por apanhar. Mas multas, segundo deu a entender o motorista, que seriam passadas a indivíduos que costumam viajar de graça POR SISTEMA. Não era apenas um, como eu, que estava exausta e confusa, mas muitos, que faziam uma algazarra no fundo do autocarro. OS FISCAIS viraram as costas e FORAM-SE EMBORA!

Se era porque tinham acabado o horário de trabalho, PORRA, então que me deixassem em paz, que o meu também tinha terminado ao fim de 10 horas consecutivas!

Lembro-me bem do cansaço desse dia. AVASSALADOR! O meu único objectivo nessa altura era descansar, descansar, descansar! Estava exausta! Sentia que precisava chegar a casa depressa, porque não ia aguentar ficar de pé nem 3 minutos. Aliás, deixei o corpo cair contra o autocarro, como se ele pesasse uma tonelada. Isto não JUSTIFICA viajar com título de transporte inválido mas explica a razão pela qual esqueci que tinha outro passe na carteira.

Achei INFAME que os fiscais não tenham atendido aos pedidos do motorista. Para mim tanto me fazia mas, pela perspectiva do que tinha acabado de me acontecer, julgo que é injusto que se procure a multa "fácil". Imagino que os fiscais não queriam ter problemas. Se os indivíduos fossem recorrentes ou nem tivessem bilhete para mostrar, ficava declarada a intenção de engano. Teriam de ir para a esquadra. Olhem só o frete! Ao fim do dia... os fiscais não quiseram ter esse trabalho.


Deste dia adiante, fiquei mais sensível a este tipo de situações. Vi, mais que uma vez, as pessoas que fazem a fiscalização a detectar que o passe recarregável azul de um utente estava inválido e permitiram-lhe que usasse uma das viagens ou então fossem comprar o bilhete ao motorista. Não vi ninguém passar de imediato para a multa e isso DEU-ME O QUE PENSAR.


Não teria o meu caso sido uma excepção? Não me foi dada a hipótese de comprar o bilhete!


Por força do DESTINO, quis a sorte que voltasse a cruzar-me com um dos "meus" FISCAIS em mais duas situações. Em ambas viajava num autocarro, num percurso totalmente diferente daquele onde me passaram a multa. Em ambas as ocasiões tinha acabado de carregar o PASSE MENSAL (desisti dos outros) em coisa de um ou dois dias. Quis confrontá-los e perguntar-lhes se estavam lembrados de mim. Mas a verdade é que AQUELE que me passou a multa, em ambas as ocasiões, AFASTOU-SE de mim, deixando que fosse o colega a pedir o título. Ainda tentei ver se a oportunidade de estabelecer contacto ocorria mas, muito sinceramente, fiquei com a impressão que o indivíduo me evitava.

Logo por sorte, eu saí-lhe na rifa mais vezes! E como que a comprovar a excepção que foi todo aquele episódio da multa, viajava como sempre viajei em todas estas décadas como utilizadora de autocarros da Carris: com título válido!

Foram os meus pais que me passaram este tipo de rectidão. Lembro-me de ter de ir para a escola e comprar o passe mensal, para depois fazer o percurso a pé. Mas tinha de ter o passe, porque era mais seguro, porque podia acontecer alguma coisa... Cheguei a comprar e não usar.

Mas isso são outras histórias.
A questão aqui é tentar perceber como é que se pode passar uma multa sem perdão em determinada situação e depois parecer existir benevolência para outras. E o que é pior, o que não me saia da cabeça: porquê os que são realmente infractores parecem sair-se impunes??

Porquê aqueles fiscais não fizeram o seu trabalho e foram solicitar o título de transporte aos passageiros daquele  autocarro, depois de me terem multado? Porquê a agulha no palheiro e não a palha inteira??

Qual é o critério?

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Atropelamento fatal

Não é com alegria que vou revelar que não mais posso escrever o que escrevi no post anterior: "Sou abençoada. Nunca perdi ninguém de forma violenta, não conheço ninguém próximo que tenha perdido, nunca ninguém na minha família foi atropelado".

Embora não fosse próxima da pessoa que morreu por atropelamento, era família e não mais vou poder dizer que essa é uma tragédia que nunca me bateu à porta. Até é arrepiante pensar no assunto! Espero que não se aproxime e que esta causa de morte fique longe de se repetir a quem quer que seja que possa conhecer! Todos na minha família que já morreram passaram para o outro lado devido a causas naturais. E, agora, o fim da vida de alguém na Terra é ditado por um atropelamento.

Para sempre irei lembrar-me desta pessoa como alguém que me pareceu gostar muito de dançar e o fazia bem. Lembro-me de ficar, eu e outra jovem, a olhar para a técnica de dança desta pessoa e ambas dizermos que gostaríamos de saber dançar daquela maneira. Gosto de pensar em coisas positivas e lembrar as pessoas pelo lado bom.

Mas, com isto, o post anterior ganhou muito significado. Quando o escrevi, queria chamar a atenção para o que vejo acontecer todos os dias ao meu redor no que respeita à conduta rodoviária dos condutores e peões. Tudo o que escrevi, queria repetir agora, por outras palavras. Mas já está tudo escrito. Gosto de reler o que escrevo, peço que quem queira compreender o faça também, aqui e noutros locais, as opiniões e experiências de outros.

Partilhem! Divulguem!

Eu fiz isso e fiquei surpresa com os comentários que aparecem de pessoas que comentam, sempre e curiosamente de forma ANONIMA (acho que é de uma covardia imensa!), um assunto tão sério, de forma leviana. Recorrendo a palavrões, insultos, ofensas... Mas já se sabe que, na internet, há malucos para tudo!

Mas entre os doidos que não têm mais nada para fazer, existem outros tantos que lá escrevem coisas com sentido. Tocou-me especialmente os que dão os sentimentos à família. Cai sempre bem saber que alguém, algures, que não conhecemos, está a compartilhar de uma dor tão pessoal. São pessoas que também se preocupam e contribuem para trazer a DEBATE esta questão do comportamento automobilístico de que falei no post anterior. Relatam casos que viveram ou presenciaram. Existe, de facto, muito mau civismo automobilístico nas nossas estradas! E está a aumentar! Digam lá: um peão seria mortalmente e selvaticamente atropelado e desfigurado por um veículo se este circulasse na velocidade indicada por lei para o local? Não!

O meu coração vai para aqueles que lhe eram mais próximos, porque estão a sofrer horrores. Mas consola-me imaginar - porque só posso imaginar, que foi uma morte rápida demais para provocar dor. Não sei se ela a percebeu, mas julgo que sim. Existe sempre uma fracção de segundo em que a vida toda vem à memória, exactamente na fracção de segundo em que se percebe que é o fim dessa vida. Consola-me, porque já ouvi relatos de pessoas que sobreviveram a atropelamentos a afirmar não se lembrarem do impacto ou de sentirem dor. Mas vivem com as mazelas e os traumas, principalmente o de perderem alguém que não sobrevive!

E por essa razão, o meu coração vai também para o homem atrás do volante. Ele vai ter de viver, para sempre, com o facto de ter sido o responsável pela morte de alguém. No post anterior escrevi que não queria estar neste lugar. Não queria mesmo. Preferia ser a vítima, a carrasco, embora nunca queira nem estar perto de ser uma coisa ou outra! Culpado ou não pela situação, (não sei, desconheço as circunstâncias), a verdade é que agora é tarde demais. E NUNCA devia chegar-se ao ponto em que é tarde demais. Para ele, e para ela.

Ainda anteontem o sinal para peões ficou verde na passadeira que ANTECEDE uma rotunda, a qual preciso sempre de atravessar. Soube por instinto que não devia avançar até, pelo menos, passarem três carros
à minha frente. E foi o que aconteceu. Três viaturas passaram o vermelho a ALTA VELOCIDADE, e só depois de eu ver o quarto carro a abrandar é que atravessei a passadeira com o sinal verde para os peões.

É assim. Sempre. Agora digam lá: isto deve ser considerado normal porquê?

Peões e condutores: todo o cuidado é pouco e todo o cuidado serve para SALVAR VIDAS! A sua, em primeiro lugar, esteja você atrás de um carro ou à frente dele.

Agora que descanse em paz. Um dia estaremos todos desse lado. Só não se sabe quando e como, mas que seja sem sofrimento.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Conduta (muito) PERIGOSA

Aproveito que este blogue é sobre AUTOCARROS DA CARRIS, o que significa que se fala de conduta na estrada e outros temas relaccionados, para abordar TRÊS questões que têm vindo a perturbar-me.

Enquanto PEÃO, utente da CARRIS, desloco-me a pé para as Paragens de autocarro. Comecei a perceber que existem comportamentos automobilísticos repetitivos que são perigosos.

O primeiro e muito grave, é TODOS OS CONDUTORES QUEREREM PASSAR O VERMELHO. E muitos passam! À descarada! Perto de casa há uma rotunda e nunca atravesso a passadeira sem antes ver se o carro, pelo menos, abranda significativamente. É sinal de que me viu e que vai respeitar a paragem exigida pelo semáforo. Mas são mais as vezes que fico parada para que o carro que vem looonge, a grande velocidade, passe o vermelho. Se não o fizesse, ERA PASSADA POR CIMA.

Perto do trabalho existe uma passadeira que tem de se atravessar para chegar à paragem de autocarros. É uma estrada movimentada, nos dois sentidos, mas como fica numa localidade, os carros passam a uma velocidade normal. A questão é que QUASE NENHUM PÁRA na passadeira. Aliás, mais uma vez, se não fosse o PERMANECER PARADA até ter certeza de que fui vista pelo condutor, SERIA PASSADA POR CIMA.

Ao chegar a esta passadeira, páro, olho e fico a aguardar que um carro páre para me dar passagem. Mas, mesmo me vendo ali, MUITOS, mas muitos mesmo, não PÁRAM. Pelo menos uns dois fingem não perceber e passam sem dar prioridade, até que um terceiro abranda. Mas isto é só uma PARTE do CUIDADO que é preciso ter ao atravessar aquela pequena passadeira. Porque só o carro que vem da esquerda PAROU. Os que seguem da DIREITA não páram. Muitas vezes, mais do que gostaria que fossem verdade, sou obrigada a PARAR a meio da passadeira porque o carro que vem da esquerda NÃO ME VÊ na estrada. E o local não tem qualquer obstrução. É uma recta. As pessoas simplesmente vêm DISTRAÍDAS, não vêm o GRANDE SINAL DE TRÂNSITO que indica a PRESENÇA DE  PASSADEIRA exactamente nesse sentido e, muitas vezes, mais do que gostaria de ter confirmado, os condutores estão totalmente DISTRAÍDOS. Uns não estão a olhar em frente. Ora se distraiem a olhar para o lado para reparar em alguém sentado na paragem, ou conversam com alguém no lugar do pendura, ou decidem dar uma olhadela para o telemóvel que seguram numa das mãos. Mas não olham em frente, convencidos que estão que a estrada é deles.

um caso
Eu o vi, muito antes dele me ter visto. Um senhor não ganhou para o susto quando me percebeu parada a meio da passadeira, com ele a atravessá-la. Fez uma cara de espanto, medo, surpresa, gesticulou com as mãos e acho que balbuciou algo no sentido de se desculpar. Mas foi tudo rápido, como sempre é quando o carro está em movimento. Se eu não estivesse parada, lá o carro me tinha PASSADO POR CIMA!
Num instante, aquele condutor seria um criminoso, responsável por um homicídio.
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Ficar parada no meio da passadeira deixa-me pouco tranquila, porque sei que o veículo que acabou de parar já está a arrancar. Este nem espera ver o peão chegar ao outro lado da estrada. E o que acontece? O peão, que está a atravessar a passadeira, tem de ficar PARADO no meio, enquanto os carros que vêm da esquerda e da direita circulam atrás de si e à sua frente. Isto numa localidade pequena. Ás vezes não avançam mais nada senão dois metros, porque os carros à frente estão a ceder passagem a outros. Então, para quê este comportamento?
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Ao chegar à outra margem, vou para a paragem, onde se encontra uma senhora. Ela não presenciou a minha tentativa de atravessar a estrada, mas decidi à mesma aliviar-me um pouco daquele comportamento automobilístico que vinha a me incomodar cada vez que fazia aquele trajecto. Disse-lhe: "Nesta passadeira, se eu não tomasse cuidado e parásse, já tinha sido atropelada uma série de vezes!" Ela ficou espantada e disse que a sua mãe morreu assim, atropelada.
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Portanto, não há nada de humorístico nestas situações, pois não? Está tudo muito bem, até algo sério e grave acontecer. E depois? Como é que vai ser? Dá para restituir uma vida a alguém? Dá para apagar um gesto do qual nunca se consegue perdoar a si mesmo? Dá?
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Eu não conduzo e confesso ter receio da minha conduta quando o fizer. Um carro, como tudo o resto, conduz-se criando-se o hábito e a condução é algo que se executa mecanicamente, por vezes como um reflexo, sem se pensar. Poucos condutores estão a pensar no que estão a fazer. E, também, existe o comportamento de grupo que acaba por influenciar. Se quase todos aceleram para atravessar um semáforo quando ele já está vermelho, como é que se muda este comportamento? O próximo a tirar a carta, vai demorar quanto tempo até fazer igual?
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Uns dias antes tinha visto a brigada de trânsito por toda a parte, a mandar parar os carros para verificar os documentos e sei mais lá o quê. Na altura nem pensei em lhes dar valor, porque, sempre temos cá para nós, que a polícia tem este comportamento porque, ás vezes, gosta de "trabalhar para a multa" - ainda mais, quando se aproxima o final do mês. E é vê-los, por toda a parte, escondidos em cantos e curvas...

Mas, vamos ser sinceros. Mesmo que exista má vontade da parte das autoridades, são autoridades e estão a executar um trabalho que é muito valioso, pois pode salvar vidas.
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Um comportamento automobilístico irresponsável deve ser punido. Uma vez ouvi na televisão um senhor dizer que "quem tem as mãos num volante tem de perceber que tem nas mãos uma ARMA que mata". Essa definição nunca mais me saiu da cabeça. Até então, não tinha pensado o quanto era verdade.

Sou abençoada. Nunca perdi ninguém de forma violenta, não conheço ninguém próximo que tenha perdido, nunca ninguém na minha família foi atropelado. Sei de casos, vi muitos em menina, quando morava perto de um cruzamento apelidado de "zona de acidentes". O som de sirenes da polícia e ambulâncias eram sons banais. Mirones automobilísticos também, pois muitas das vezes, ao se passar de carro, lá estavam as pessoas estendidas no asfalto, no meio de todo o aparato. Recusei-me sempre a olhar. Podia ver, por calhar, mas nunca olhei para ver sangue, membros partidos, cabeças rachadas, fosse o que fosse que levava as pessoas a quererem espreitar o acidentado. E se não podia ajudar, também não ia ali ficar a atrapalhar.

25 93 AJ
CARRO PRETO
CONDUTOR MASCULINO
MODELO ANTIGO

Foi tudo o que registei de um comportamento totalmente absurdo que vi. Num sítio onde é quase impossível passar com velocidade, num local pacato, um metro antes de se contornar uma rotunda, surge, quando estou a atravessar a passadeira, este carro preto, muito, mas muito em excesso de velocidade. Parecia um louco. Ainda fiquei à espera que abrandasse, mas não demonstrou quaisquer sinais disso. Eu já ia na passadeira estava ele a aparecer. Não queria correr na passadeira por ele vir a grande velocidade. Na verdade, não corri. RECUSEI-ME! (estava ali após uma caminhada de 20m sempre a subir ruas íngremes, debaixo de um sol avassalador! Finalmente tinha chegado à parte plana do percurso e agora aparecia um louco!) Mas acelerei o passo e desviei-me, embora já estivesse mais do lado onde não passam carros do que daqueles centímetros onde ia passar aquele. O HOMEM que segurava O VOLANTE deste carro não abrandou nem um instante. Acho até, que acelerou mais. Não abrandou nem para contornar a rotunda, foi sempre a correr, mantendo a alta velocidade, quase que o carro voava! Eu fiquei ali, parei e olhei para trás, para assistir ao comportamento do condutor. Eu e um senhor distinto, que deduzi que vinha da escola de condução ali ao lado, ou do prédio onde esta fica. Ambos um tanto incrédulos, a reprovar um comportamento assassino destes.

Isto aconteceu já faz umas semanas. Estava aqui a arrumar papéis, quando dei com aquele onde anotei a matrícula do carro. Para marcas não sou boa, mas sei anotar matrículas. Existem muitos comportamentos de risco que se vêm na estrada. Mesmo quando dentro de um AUTOCARRO DA CARRIS, assiste-se a muita coisa. Muitas vezes, os autocarros não conseguem seguir percurso porque um automóvel atravessa-se no caminho quando já tem o semáforo vermelho para si e não pode mais avançar. Existem muitas coisas mas, esta do carro preto matrícula 25 93 AJ... será que já matou alguém?
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Há uns anos, durante uma viagem noturna de carro, direcção Ribatejo-Lisboa, quando ainda se faziam percursos por estradas regionais e pouco por autoestradas, o carro onde seguia foi ultrapassado por um acelera, que continuou a ultrapassar todos que estavam à sua frente de uma forma perigosa e agressiva. Era um carro meio desportivo vermelho e comentámos que aquele comportamento não era aceitável. "Aquele ainda se espalha por aí ou pior: mata alguém!" - dissemos a censurá-lo. Uma hora depois, ultrapassámo-lo. Tinha batido contra um muro e a viagem terminou por aí. Acho que não matou ninguém. Não dessa vez...

A CONDUTA NA ESTRADA é um assunto muito importante, que hoje me apeteceu debater, após acumular uma série de histórias e vier outras tantas. E as suas... quais são?